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Vender ou não minha empresa: empreendedores relatam dilemas antes do ‘sim’

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Fábrica da Bematech

Se o seu negócio está em alta e você recebe propostas tentadoras, é fundamental parar e refletir sobre os próximos passos. Veja dicas do especialista Marcel  Malczewski.

A cena é conhecidíssima: empunhando e encarando o crânio de Yorick (que em vida foi um bobo da corte), Hamlet, príncipe da Dinamarca, sussurra a si mesmo aquela que talvez é a mais famosa frase da literatura ocidental: “Ser ou não ser, eis a questão”. De profundo teor filosófico, a sentença jamais perdeu a atualidade. Lá se vão quase cinco séculos em que, diante dos inevitáveis dilemas da vida, a humanidade a repete.

Levados para o âmbito corporativos, alguns desses dilemas são velhos conhecidos de empreendedores. Por exemplo, “vender ou não minha empresa” quando ela está em alta. Se pensarmos bem, trata-se, no fundo, de uma questão existencial. Não estamos falando apenas de bom ou mau negócio; muitas vezes, a empresa é o (a) empreendedor(a) e passá-la adiante pode ser um processo bastante complexo, porque envolve aspectos emocionais que devem ser considerados.

Com contribuições do empreendedor Marcel Malczewski, vamos compartilhar alguns aprendizados que podem ajudar a pensar sobre o tema.

  • Quando a venda acontece naturalmente: o exemplo do Axado

Comecemos por uma história com final feliz: a do catarinense Axado. Após cinco anos atuando com logística e serviços de frete, a empresa foi adquirida por um gigante do setor, o Mercado Livre. De acordo com os fundadores Guilherme Reitz e Leandro Meintanis, a transação foi uma etapa natural da história da organização, porque fez parte da filosofia de ambos, intitulada “nós acreditamos em Sonhos”:

“O Axado nasceu numa sala de 18 metros quadrados, sem banheiro, no bairro Kobrasol. A gente não sabia programar uma linha de código – e ainda não sabemos – e não entendíamos absolutamente nada de tecnologia. A chance de o Axado ter dado certo era mínima. E quem nos trouxe até aqui foi a crença em um belo sonho e em coisas mágicas, que só a fé vê”.

A frase compõe o discurso em que ambos anunciaram a venda para o time, e que está disponível aqui. Ao lê-lo, você perceberá como os empreendedores ficaram satisfeitos com a operação. Que a viram como a concretização de um projeto maior, como a realização de um sonho grande.

  • Mas não estou tão certo assim…

Bem, então você tem companhia. O próprio Marcel Malczewski relembra o caso da Bematech, empresa que ele comandou. Operando no mercado de impressão fiscal, o negócio foi muito bem até os anos 2000. Então, os gestores perceberam um risco no horizonte: a impressora fiscal poderia se tornar obsoleta no futuro próximo.

Começaram a diversificar o negócio, com hardware e software. Foi um processo longo, que exigiu investimentos vultosos. No entanto, depois perceberam que a impressora fiscal continuou sendo um bom negócio. Segundo o mentor, o grande aprendizado é:

“Se você está realmente embarcado no seu negócio, se tem um projeto maior para ele, se tem certeza de que o negócio vai valer mais daqui a dois anos, é normal que não queira vender. É a tendência”.

  • Seu projeto de vida deve entrar na avaliação

Marcel afirma também que o aspecto pessoal importa, e muito. “Na hora em que você recebe uma proposta, é fundamental considerar o seu momento de vida. Você tem um projeto de vida? Pretende morar fora do país? Está cansado(a) ou aguenta mais tempo do tranco? Quer mais tempo para a família, ou para um hobby?”

Tudo isso deve ser avaliado. No caso dele, o lado pessoal influenciou a decisão de deixar a presidência da Bematech “Por um lado, sentia-me cansado e queria dar mais atenção à família; por outro, considerei que a empresa já estava estrategicamente encaminhada”.

  • Recebeu uma proposta tentadora? Peça um tempinho para pensar

Agora, vamos assumir que você tenha recebido uma proposta que muitos considerariam irrecusável. Antes de dizer “sim!”, vale conhecer o caso da empresa argentina de tecnologia Globant, cujos empreendedores deram uma bela demonstração de resistência às ofertas de compra que receberam. O fato aconteceu em 2014, quando a Globant abriu o capital na Bolsa de Nova York. O IPO era “sonho antigo”, afirma o cofundador Guibert Englebienne.

Leia mais: Como três mil sócios me ajudaram a sonhar maior – Gilbert Englebienne, Globant

Um mês depois, veio uma oferta de compra bem sedutora. Englebienne disse que os valores mexeram com todos: “Para nós, foi tentador. Todo o foco passa a ser em tomar o dinheiro da mesa e sair correndo”. No entanto, eles tiveram sangue-frio e pediram um tempo para responder e uma conversa com um professor da Universidade Harvard, naquele mesmo dia, mudou o jogo.

“Vocês não vão parar de crescer”, ele afirmou, “A demanda só vai aumentar. Por mim, eu não venderia.”

No final, Englebienne e os sócios decidiram não vender. “A Globant é um estilo de vida”, conclui.

  • Mas a minha empresa é como uma filha para mim!

Nesse caso, o conselho de Marcel Malczewski é que o apego emocional deve ser tratado de forma racional. Por mais paradoxal que soe. O distanciamento crítico e analítico é fator-chave de sucesso, aqui. E você deve considerar também que, normalmente, a questão emocional tem um custo. “Perde-se dinheiro quando não se avalia racionalmente uma proposta”, conta Malczewski.

  • Para terminar, o velho e incômodo “depende”

Em conclusão, a melhor resposta para a pergunta “vender ou não minha empresa?” ainda é, infelizmente, “depende”. Segundo o especialista, depende se você tem um plano consistente e claro, com garantias de que conseguirá executá-lo e de que ele levará sua empresa a outro patamar, com um valor diferente do atual. Se for esse o seu caso, o conselho final do mentor seria para que você aguarde um pouco mais.

Agora, se a projeção do negócio para dois ou três anos não indica mudanças significativas, Malczewski recomenda seguir adiante com a venda. Esperamos que essas dicas tenham ajudado e que, se você encontrar com o crânio de Yorick por aí, suas dúvidas não sejam tão cruéis.

Este artigo é uma parceria de produção entre Endeavor e Sebrae

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