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Universidade e empreendedorismo: fertilização aleatória – Parte I

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Universidade e empreendedorismo fertilização aleatória - Parte I

A pesquisa gera startups na região onde se localiza a universidade?

Os responsáveis por políticas públicas em todo o mundo são fascinados pelas façanhas de centros de pesquisa como Stanford, no Vale do Silício; MIT, na rota 128 de Boston; Triângulo de Pesquisa, na Carolina do Norte. Quem não deseja clonar modelos que geraram Google, Apple, Microsoft? Após perder milhares de empregos na última crise, Nova Iorque resolveu criar o seu “Silicon Alley”, ou “Beco do Silício”, uma emulação do famoso Vale. A primeira providência foi atrair universidades de tecnologia através de um concurso. Venceu o consórcio formado por Cornell e a israelense Technion que está se instalando em uma área de 45 mil m² que a prefeitura doou junto com um cheque de 100 milhões de dólares. Um empreendedor americano ofereceu 350 milhões de dólares. Em 15 anos, serão aportados mais 2 bilhões de dólares. Na mesma trilha, Londres transformou o East London, antiga área de crimes e pobreza, na “Silicon Roundabout”, a“Rotatória do Silício”, um hub mundial de startups de alta tecnologia. Em Israel, que se transformou no segundo núcleo mundial de geração de startups, um ditado é repetido: “enquanto você dormia, Israel passou das laranjas para o software, de Jaffa para Java”.

Na pequena Santa Rita do Sapucaí (MG), de 35 mil habitantes e que décadas atrás vivia de café e leite, Dona Sinhá Moreira semeou uma escola técnica de eletrônica e hoje 140 empresas de alta tecnologia gravitam em torno do excelente INATEL, gerando 10 mil empregos. No Recife, a UFP ancora o incrível Porto Digital.

Alguém teria a ousadia de dizer que tais experiências são meras exceções? Pois é esse o resultado das pesquisas dos americanos Bell-Masterson e Motoyama, da Fundação Kauffman. Segundo eles, imitar tais práticas pode dar em nada. São mais comuns casos como o da Universidade Johns Hopkins, famosa por sua pesquisa de classe mundial, mas que não gera empresas no seu entorno. Eles advertem que isso não quer dizer que as pesquisas são desnecessárias para o crescimento econômico, mas apenas que, em média, os seus efeitos não repercutem localmente. Para a criação de empresas de alta tecnologia em uma região, segundo eles, mais importante do que a pesquisa é o estoque de graduados. A universidade é fundamental para aportar tecnologia, mas há que se lembrar que a inovação se dá na empresa, fecundada pelo risco, e vem à luz somente quando há lucro.

Incubadoras universitárias

Outro estudo da mesma Fundação Kauffman é impiedoso com o xodó das políticas públicas e das universidades: as incubadoras de empresas. Ele mostra que não há evidência de que as empresas incubadas tenham melhor desempenho do que as não incubadas. No entanto, tais críticas às incubadoras não são tão surpreendentes. Empreendedores existem há milênios e aprendem através das redes de relações que tecem. Extraem energia e conhecimento por meio da sua capacidade de interagir com os pares e com a sociedade, onde estão os problemas que eles irão resolver e o dinheiro que irá remunerá-los. Essas relações forjam, não sem dificuldades, a competência empreendedora. Não faz sentido enclausurá-los. Empreendedores não se desenvolvem sendo protegidos, mas criando e experimentando livremente, correndo riscos e transformando os erros, frequentes e inevitáveis, em degraus.

A professora de empreendedorismo de Stanford, Tina Seelig, repete o mantra aos seus alunos: “fail fast and frequently”. Incubadoras, tanto no nome como na prática, devem ser substituídas pela expressão “rede de empreendedores”, que não é uma metáfora, mas o berço real de startups. O alvo das políticas públicas deve ser o empreendedor e não a empresa. O criador e não a criatura.

Eu fui consultor do projeto TENDA, grande rede de supermercados de SP, cujo desafio é de, no médio prazo, fortalecer seus 350 mil nano empreendedores-clientes, para que eles tenham maior poder de compra. Uma relação ganha-ganha. No lugar de cursos, foi adotada a rede como fonte de aprendizagem dos empreendedores. Augusto de Franco nos ensina que a escola é a rede. As tendências são no sentido de se buscar soluções também fora da empresa, por meio de redes de clientes, fornecedores, concorrentes e interessados, utilizando estratégias como crowdfunding, crowdworking, open innovation, netweaving, cocriation, crowdsourcing e outras.

, Starta, Fundador
Criador dos maiores programas de ensino de empreendedorismo do Brasil. Na área universitária, a sua metodologia Oficina do Empreendedor  é adotada em cerca de 400 instituições de ensino. Na Educação Básica, (educação de 4 a 17 anos) a metodologia Pedagogia Empreendedora está presente em redes públicas de ensino em 140 municípios brasileiros, envolvendo cerca de 10.000 professores e 400 mil alunos. É também utilizada em outros países. Palestrante em cerca de 800 eventos no Brasil e keynote Speaker em mais de 50 eventos internacionais. É autor de 12 livros, entre eles o best-seller “O segredo de Luísa”, com mais de 300 mil cópias vendidas. É o autor brasileiro mais referenciado nos trabalhos acadêmicos no Brasil. É membro fundador do  World Entrepreneurship Fórum, criado na França, convidado como uma das 80 personalidades mundiais na área de empreendedorismo.  Membro fundador da Red EmprendeSur, Emprendedorismo y Innovación en America Latina.

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