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Uma possível mentoria empreendedora com o fundador do Google

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E se hoje fosse o seu dia de sorte e o Larry Page, fundador do Google, decidisse te fazer uma visita?

Inspirado pelo livro O que a Google faria? escrito por Jeff Jarvis, o mentor João Francisco criou um diálogo imaginário entre Larry Page e um empreendedor como você. Na conversa, você conhece os principais aprendizados do livro — e como pode aplicá-lo na resolução de problemas, a partir do pensamento Google.

E se Larry Page passasse hoje para visitar seu escritório?

Claro que seria interessante saber como ele fez fortuna, não é? Mas, tenho a certeza de que você gostaria mesmo é de tomar emprestado, por algumas horas, o seu mindset.

E eu duvido que Larry fosse ficar incomodado com isso. Claro que não! Até porque o segredo da Google sempre foi mesmo o de compartilhar conhecimentos, ser uma rede e, o mais importante de tudo, conectar pessoas.

Bem, ele entraria pela porta, sentaria e, depois de se apresentar a você, perguntaria:

- Sobre o que você quer conversar?

E, vamos dizer que você respondesse:

- Larry, fique muito à vontade. Eu gostaria mesmo é da sua visão… Diga-me aquilo que você entende ser mais importante para um empreendedor como eu, nesse estágio em que me encontro.

E ele, objetivo como é, já começaria dizendo:

- Bem, a primeira coisa que eu gostaria que você refletisse é sobre as suas próprias crenças.

Veja, tanto a minha empresa como a Apple, a Disney e a Amazon nasceram em garagens, sem recursos. Mas o sonho nos dirigia. E isso é exatamente o que você precisa para começar o seu próprio negócio. Você precisa acreditar no seu sonho e avançar com determinação mesmo que ainda não conte com todos os recursos necessários.

Gente interessada em boas ideias, como investidor anjo, seed ou private, virão depois e aportarão os recursos que você precisa.

Mas atenção: se você ainda não consegue definir o seu objetivo numa única frase, pare! Você ainda não tem clareza sobre ele.

Isso pode parecer senso comum, mas é fundamental que você acredite mesmo no que você é e no que você faz.

Tem mais uma coisa, e agora é uma alerta mesmo: Você está pensando que todas as pessoas estarão à seu favor? Não!

Eu lembro que bem no início, quando nós da Google começamos a projetar um motor de buscas, muitos diziam pra gente:

“Garotos, vocês vão fracassar, já existem cinco empresas nesta área.”

E nós respondíamos: “Sim, sabemos que existem o Yahoo, Altavista, dentre outros. Mas nós estamos fazendo algo diferente.”

É claro que sabíamos que a concorrência seria hostil conosco. Mas, o que nós fizemos e que aconselho você a fazer é:

Encontre um diferencial entre você e os outros, e mais: transforme a sua ideia naquilo que os clientes vão preferir.

Você percebeu que eu não disse para você oferecer somente o que o cliente quer, não é?

Pois é, é isso mesmo. E sabe o que o cliente espera de você? Que você o surpreenda! E você só faz isso oferecendo aquilo que talvez ele ainda não conhece.

E isso terá um efeito colateral positivo para você, porque será o começo da criação da sua imagem de marca…

Agora, olhando para o relógio, Larry diria gentilmente a você:

Eu preciso cuidar do meu horário porque tenho outro compromisso nesta tarde e depois viajarei até a Stanford, onde amanhã vou falar sobre o nosso sonho de organizar toda a informação do mundo e sobre o carro autômato.

Eu já sei que irão dizer, mais uma vez, que somos sonhadores utópicos! E rindo para você, diria: somos mesmo ambiciosos e isto é o que nos define também. Nossos concorrentes dizem que é arrogância. Mas, eles só nos desafiam a nos superarmos cada vez mais!

Bem, ainda é cedo e temos algum tempo, vamos continuar…

Eu gostaria agora que você pensasse em mais uma coisa importante: é se o seu negócio é dirigido para o mercado de massa ou de nicho. Veja: vender para as massas atualmente é uma tática em extinção. A grande sacada é atender nichos por 3 razões básicas:

1 - Os clientes querem conversar com quem fornece para eles, e a mídia de massa é um monólogo… Só eles falam;
2 - Os clientes querem pertencer e ter você como um meio que os leve a ter sucesso;
3 - Atendendo estes dois requisitos, você irá compreender seus consumidores e poderá inovar quase instantaneamente, frente a grandes empresas concorrentes. Você irá perceber que grandes empresas se movimentam com muita lentidão. E aqui está um dos valores de ser pequeno. É um grande diferencial para você.

Repito: identifique nichos e converse com eles!

Outra coisa: você precisa pensar de modo distribuído. Grande parte das empresas ainda pensa de modo centralizado e acredita que os clientes precisam vir até elas por meio de catálogos, lojas, etc.

Mas nós, da Google, não! Pensamos de modo distribuído. E é isso que quero recomendar a você: não basta tocar a sirene com uma propaganda na grande mídia e esperar que as pessoas já saiam correndo para comprar. Olhe para os avanços do e-commerce…

Se você tem como se comunicar com seu consumidor pela web, portanto direto, pode ajudá-lo a conquistar o que ele quer, e assim você se posiciona como um meio para ele.

Agora vai aqui uma dica poderosa: pense em algum modo de fornecer gratuidade.

Veja o nosso exemplo: nós da Google, não cobramos por informação fornecida. Isso porque achamos que os nossos clientes não gostariam. Recompensamos a quem nos procura com uma caixa de buscas e preferimos ajudá-los a chegarem onde querem ir.

É aí que a Google quer estar. É bem diferente daqueles que querem que o consumidor vá até eles.

Assim, pensamos de modo distribuído e tem mais: somos parceiros!

Nossas opções comerciais nas páginas da web fazem nossos clientes faturarem milhões de dólares e é só aí que construímos nossa própria receita.

Mas, nem tudo é perfeito. Deixa eu te falar de uma brincadeira comum no Vale do Silício. É comum dizerem lá que nós lançamos produtos em beta, ou seja, “inacabados”.

Brincam com isso. Mas, tenho que reconhecer que há muito de verdade nisso. O Google News foi um exemplo. Foi lançado, mas ficou em testes durante 3 anos.

Quem não sabe que a Microsoft também lança seus produtos no mercado “quase” acabados? Todos nós sabemos que eles lançam seus produtos e com o passar do tempo, vão aprimorando, pelo hábito de “conversarem” com seus clientes.

Você se lembra de que falei há pouco que você precisa “conversar”? Pois é, agora você já conhece o poder disso!

É por isso mesmo que nós na Google não nos preocupamos em lançar produtos inacabados.

Pode parecer uma irresponsabilidade, mas não é, e sabe por quê? Porque há um pré-requisito que você terá que respeitar:

Você precisa de um produto mínimo viável, e quem aprova mesmo o seu MVP é o seu consumidor. Com o que a internet nos possibilita, você pode acompanhá-los de perto e mais, pode aprender com os seus próprios erros, e isso irá aprimorar seus produtos e serviços indefinidamente. E, claro, deverá inovar continuamente.

Agora você já sabe a razão de estarmos todos em modo beta para sempre. Logo, você também não precisa pedir perdão por isso.

Bem, seguindo, gostaria que você pensasse bastante sobre essa afirmação que vou fazer:

Onde você entrega valor e onde está sua renda podem não estar no mesmo lugar. O dinheiro pode vir de uma porta lateral.

Sei que compliquei, mas deixe-me explicar melhor:

Poucas coisas fazem as pessoas agirem tão impulsivamente quanto com a palavra “grátis”.

Elas acabam levando duas mercadorias, que às vezes nem precisavam, só porque o terceiro saiu de graça.

É que os cientistas estimam que a maioria das nossas decisões sejam emocionais. A Amazon, há um tempo, decidiu oferecer frete grátis caso a compra ultrapassasse um determinado valor.

Por exemplo: comprando 20 reais, o frete custaria 5 e comprando 40 reais, o frete seria de graça.

Essa estratégia fez com que as vendas da Amazon aumentassem em todo o mundo. Menos na França, que continuou cobrando pela entrega, embora fosse um valor muito baixo.

A verdade é que nós, como consumidores, temos medo de fazer escolhas erradas e não gostamos também de sentir que perdemos.
Por isso, a “gratuidade” é tão poderosa! Ela nos faz vencedores!

E nisto quero que você me desculpe pela falta de modéstia, mas nós da Google, somos muito bons.

Muita gente nos dizia para cobrarmos um valor pequeno a cada informação fornecida. Imagine você o faturamento que resultaria disso?
Mas compreendemos que a gratuidade é parte integrante do nosso modelo de negócio. Ou seja, decidimos ganhar dinheiro por uma porta lateral.

A lógica é simples. Oferecemos gratuitamente os nossos serviços de busca mais eficientes do planeta e da forma mais simples, e aqui está um dos nossos grandes diferenciais em relação a mídia de massa: nós nos organizamos para exibir a este interessado apenas aqueles anúncios relacionados à sua busca.

Eu aconselho você a pensar nessa relação entre receita e gratuidade para o seu negócio. Vale a pena!

Eu teria muito mais coisas a sugerir a você, mas acho que precisamos deixar para outro dia.

Só não quero sair daqui sem falar sobre a economia da escassez e da abundância, que acho fundamental para você.

Veja, estamos entrando numa economia de pós-escassez e nós da Google estamos empenhados em cada vez mais desafiar as regras fundamentais da economia, que são as da oferta e procura.

Você deve se estar se perguntando o porquê, não é? Mas, no passado, ter uma cadeia de hotéis e controlar o mercado para que a oferta fosse escassa era uma barreira de entrada para a concorrência.

Este modelo competitivo e restritivo majorava os preços e era recorrente em muitos setores.

Mas a partir da internet nunca será mais o mesmo. Há mudanças!

Este paradigma vem sendo derrotado.

Por exemplo, a Airbnb não possui um hotel sequer, mas aluga casas, quartos e apartamentos em todo o mundo.

Olhe agora para a instituição hoteleira. Ela terá que se submeter ao poder da rede. Na rede não existe mais hierarquia porque quem decide mesmo é o consumidor.

Isso cria uma economia compartilhada, de abundância e subverte a lógica oligopolista tradicional.

Veja outro exemplo: o do Uber.

A ideia do Uberpool é a de oferecer um carro compartilhado com pessoas que se interessem por trajetos semelhantes.

O consumidor marca no aplicativo a sua opção por carro compartilhado. Com isso o Uberpool encontrará outras pessoas interessadas em compartilhar aquela viagem (e também a conta).

Bem, isso também começa a quebrar o paradigma de um mercado regulado de táxis que é baseado na escassez econômica.

E Larry se despediria generosamente assim:

Bem, quero encerrar por aqui, agradecer pelo café e a sua gentil recepção.

- Espero ter provocado você. É que, nós na Google, temos certo desprezo pelo impossível. Penso mesmo que não haverá mais limites para o nosso imaginário em negócios, daqui para frente.

Ah, eu ia me esquecendo de uma coisa que é o espírito de tudo o que fazemos: sabe o que nós mais acreditamos mesmo na Google?

É que os consumidores respondem sempre ao seu maior desejo que é o de, um dia alcançarem o poder de Deus. O nosso sonho, então, é o de empoderá-los cada vez mais!

Como organização, temos também tentado definir precisamente o que significa ser uma força do bem, de sempre fazer o correto, o ético.
Parece que simplesmente não ser do mal tem sido a melhor maneira de resumir esta questão para nós. Pense sempre nisso como empresa e como pessoa.

Quero deixar o meu abraço a você e os desejos de muito sucesso!

Até um dia qualquer.

Conteúdo originalmente postado em Impact Player.

Para se aprofundar, conheça:

Como o Google nos ensinou a definir objetivos

50 planilhas e templates para ganhar tempo no seu negócio

, Mentor Endeavor
Experiente em cargos de direção executiva e empreendedorismo, atua há anos como gestor de mudanças com foco em resultados, no sentido de orientar empresas, fortemente, para novos mercados. É empreendedor, sócio da Convergence há mais de 10 anos e criador do blog Impactplayer, orientado em preparar empreendedores e executivos para se destacarem no mercado.

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2 Comentários

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  1. Cleberson Honda - says:

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    Muito bom conteúdo Joao! Parabéns!

    1. João Francisco dos santos - says:

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      Obrigado Cleberson. Va em frente!

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