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Como scale-ups podem combater as mudanças climáticas

Luis Adaime
Luis Adaime

Fundador e CEO da Moss, uma climate tech que nasceu para combater a mudança climática.

Imagine o seguinte: todas áreas que hoje são litorâneas, como Rio de Janeiro e Nova Iorque, estão debaixo d’água. Neste mesmo cenário, a zona tropical do mundo, que inclui o Brasil, África e Sudeste Asiático, seria inabitável com temperaturas que atingem os 65 graus na sombra. Para fechar esse enredo pra lá de catastrófico, a produção de comida do mundo teria uma queda de 50% ou mais, matando de fome a metade mais pobre da população global, ou aproximadamente 5 bilhões de pessoas.

Parece um roteiro de filme. Mas, infelizmente, é o prognóstico para a humanidade considerando as intensas mudanças climáticas pelas quais estamos passando nas últimas décadas. 

Desde que surgimos no planeta, nunca tivemos um  risco de sermos extintos  tão alto – e em pouquíssimo tempo. 

Estamos emitindo mais que o dobro de gases de efeito estufa que em 2008. Se continuarmos neste ritmo, cientistas afirmam que a média da temperatura global deve aumentar de 2,5 a 3 graus até 2070. 

As maiores mentes do mundo já se ligaram neste desafio há algum tempo e grandes empreendedores como Bill Gates, Richard Branson e Elon Musk têm focado em financiar pesquisas que buscam soluções para as mudanças climáticas. 

Essas lideranças fazem parte de uma escola de pensamento futurista ou tecnologista, que acredita que conseguiremos reduzir nossas emissões a zero por meio de mudanças tecnológicas – como trocar carros com motor a combustão de combustíveis fósseis por carros elétricos, e gerar energia renovável ao invés de usarmos térmicas a carvão ou diesel. 

Também acreditam na geração de máquinas de captura de carbono (“Carbon capture machines” ou CCMs em inglês), que absorvem gases de efeito estufa do ar ou de processos industriais, os solidificam e estocam a quilômetros de profundidade. Algumas dessas soluções  já passaram da fase de escala, como a Tesla e a criação de parques de geração de energia renovável, e já estão atingindo custos marginais próximos ou abaixo da economia baseada em combustíveis fósseis. 

Outras, como as máquinas de captura de carbono, ainda são caríssimas pela baixa escala: têm custo marginal de mil dólares por tonelada de carbono, comparado com cinco a dez dólares por tonelada de créditos de carbono de conservação.

Porém, não devemos perder as esperanças da rapidez da escalabilidade dessas soluções – a energia solar, por exemplo, era dez vezes mais cara que a energia térmica há dez anos e agora é bem mais barata, caindo de forma exponencial à medida que a indústria foi ganhando escala e investimentos massivos.

Há uma segunda escola de pensamento, da qual a Moss faz parte, que acredita que as emissões cairão por mudanças tecnológicas, mas infelizmente não na velocidade que precisamos. Neste caso, temos que complementar o mercado e agregar agilidade por meio do crédito de carbono, que é um certificado digital que comprova que uma empresa ou projeto ambiental sequestrou ou evitou a emissão de uma tonelada de carbono

Créditos de carbono: como scale-ups podem evitar as mudanças climáticas

As emissões de carbono são uma externalidade negativa da economia baseada em combustíveis fósseis – um “efeito colateral” não previsto. Só é possível precificá-las com créditos de carbono. 

Uma petroleira emite milhões de toneladas de carbono ao ano. Horrível. Mas, a não ser que a empresa esteja no mercado de carbono, ela não paga por essa poluição. O custo da pior qualidade do ar e das mudanças climáticas é diluído entre os 8 bilhões de pessoas na Terra.

O mercado de carbono expandiu bastante nos últimos três anos. Ainda mais  que as mudanças climáticas têm ficado cada vez mais óbvias para o mundo. Além disso, essa expansão pode ser explicada pela substituição dos baby boomers pelos millennials – pessoas nascidas depois de 1980 -, que passaram a exigir que as empresas  compensem suas emissões de carbono. 

Também temos  um benefício extremamente importante: a disrupção da tecnologia para acelerar o desenvolvimento do mercado de carbono. Os processos de certificação, auditoria e monitoramento de áreas e projetos de carbono ainda são quase que inteiramente feitos à mão por empresas de consultoria ambiental. Os processos do setor mudaram pouquíssimo desde a criação do mercado de carbono nos anos 1990. Pela falta de avanço tecnológico, o setor se tornou um gargalo para a expansão da certificação de carbono globalmente e tem levado a aumentos expressivos do preço dos créditos.

O mercado de carbono precisa passar por uma disrupção tecnológica. E não é uma indústria pequena: ela representou US $1,2 bilhão em 2021, e uma pesquisa da McKinsey espera que se multiplique por 100 vezes até 2050. O setor de serviços ambientais, como consultorias, auditorias e ecoturismo, representa bilhões de dólares anuais. Neste setor, scale-ups já estão trazendo maior eficiência com a digitalização de processos que antes eram checados manualmente – como usar imagens satélites e algoritmos de análise de densidade de vegetação em vez de inventários florestais, que ainda são levantados por engenheiros florestais em campo que medem troncos com fita métrica e auferem a densidade por amostragem.

O mundo compensa somente 20% de suas emissões totais, ou seja, a cada ano, dos 55 gigatons que emitimos de gases de efeito estufa, nós compensamos somente 11. Para que o mundo se torne carbono neutro e os incentivos para a queda acentuada das emissões sejam criados, precisamos aumentar a compensação de carbono para 25 gigatons e baixar as emissões para 25 gigatons. Ou seja, precisamos dobrar o volume de compensação pelo menos até 2030 para evitarmos um cenário drástico de cataclisma climático em 50 anos.

A compensação via créditos florestais, evitando desmatamento, fazem com que recursos fincanceiros fluam de empresas poluidoras e consumidores de produtos que emitem gases de efeito estufa a projetos de conservação florestal. Essa compensação é de grande importância para o mundo, pois o desmatamento é a causa de 20% das emissões globais. 

É nesse contexto que as empresas precisam proteger nossas matas – e assim zerar o desmatamento. Dessa forma, reduziremos imediatamente 1/5 das emissões globais, e também a chance de mudanças climáticas mais agudas e preservaremos biodiversidade e recursos hídricos chaves do nosso mundo.

O que vem por aí

Se conseguirmos trazer disrupção tecnológica, mais eficiência ao setor ambiental global e fazer com que a solução de compensação das emissões de produtos e serviços não seja feita à mão, e sim a partir de APIs e softwares (SAAS), scale-ups poderão incorporar a compensação facilmente às suas atividades e as chances de conseguirmos evitar o cenário desastroso descrito no início aumentarão drasticamente. 

Está (ainda) em nossas mãos trabalharmos, juntas e juntos, para que o planeta siga sendo habitável para as futuras gerações.


A Endeavor é carbono neutro! Em parceria com a Moss.Earth, scale-up acelerada no Scale-Up Endeavor, nós neutralizamos todo o carbono emitido pela nossa operação em 2021.

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