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Todo empreendedor é um Pai

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17 - CRIS

Se empreender é uma paternidade, serei avô quando minha filha for empreendedora?

No artigo que escrevi no dia 1º de abril, citei um comentário que normalmente faço quando falo sobre empreendedorismo para jovens: “Empreender é igual a ultrapassagem e casamento: na dúvida, não vá.”

Na verdade, costumo acrescentar mais um comparativo: “Empreender também é igual a ter filho: na dúvida, não vá.” E quando estou falando, imediatamente já deixo claro que é uma comparação salvo as devidas proporções, uma vez que na minha opinião nada se compara a paternidade. Entre a minha filha Luisa e a minha empresa ou qualquer outra coisa no mundo, não penso duas vezes e fico com a minha pequena.

Porém, cada dia mais vejo uma semelhança entre os desafios de ser pai e de ser empreendedor. E se você também vive esses dois papéis vai se identificar com o que estou falando.

Eu e a minha filha, Luisa

Eu e a minha filha, Luisa

Quem disse que será fácil?

Existem, sim, pessoas que alertam sobre a dificuldade de empreender no Brasil, mas normalmente ouvimos muito mais os casos de sucesso, que por sinal são minoria, até porque quem fracassa normalmente não quer tocar muito no assunto.

Empreender no Brasil é difícil demais da conta. Sempre que tenho oportunidade de conversar com Empreendedores Endeavor, descubro uma dificuldade diferente, em que cada indústria/setor tem particularidades que você nem imagina.

Se eu digo que empreender dá muito mais trabalho do que eu podia imaginar, posso dizer também que me trouxe muito mais alegria do que eu poderia prever. Confesso que quando abri a Confiance em 2002, eu não imaginava que pudesse chegar aonde cheguei. Que o meu sonho pudesse influenciar tanta gente, seja os Confiantes (nossos colaboradores), clientes, parceiros ou você que conhece nosso trabalho por meio da Endeavor.

O mesmo se aplica à paternidade. Confesso que a Luisa, principalmente no primeiro ano, deu dez vezes mais trabalho do que eu imaginava. Por outro lado, a felicidade que ela me proporciona é cem vezes maior! É indescritível, não consigo nem colocar em palavras o que sinto por ela, mas dizer que é fácil, isso não posso dizer.

Um dos exemplos que mais representam essa dificuldade é a amamentação. Sempre achei uma das práticas mais lindas da maternidade. Toda vez que eu via uma mãe amamentando parecia a coisa mais simples e prática do mundo.

Mas, então, pergunto: quantas vezes você já ouviu falar sobre “seios rachados” na amamentação? Uma coisa que você considerava mágica até então passa a ser bastante dolorosa. Isso aconteceu com a Sarah, minha esposa, que foi muito guerreira e aguentou firme, muitas vezes com lágrimas nos olhos, amamentando até a Luisa completar 1 ano e 6 meses. Ao ver o sofrimento da Sarah eu me perguntava: “Porque ninguém me alertou sobre isso?” A sorte é que eu, sem querer, comprei um bico de silicone que ajudou muito. Hoje indico isso para toda gestante, precisando ou não.

E as noites sem dormir? Pode ser que você até tenha sido alertado antes, mas nos primeiros três meses é muito pior do que sequer poderia imaginar. Acordar de três em três horas e esperar 20 minutos para o bebê arrotar é muito difícil, principalmente porque sua vida não para. No auge do cansaço, eu lembro de uma frase do Fernando, meu amigo: “A única coisa que posso dizer é que vai passar.”

O mais engraçado é que, se é realmente o seu sonho, você vai estar na pior, mas estará super feliz. Para representar o que sinto, lembro sempre da cena do filme Quem Quer Ser um Milionário, quando o personagem Jamal Malik, ainda criança, fica preso no banheiro e só sai quando o banheiro vira, deixando-o completamente sujo. Ainda assim, ele corre todo feliz ao encontro do seu herói… Durante vários momentos da minha vida empreendedora e de pai eu senti isso: estava na merda, mas estava feliz.

Na paternidade ou no empreendedorismo, não será fácil, mas se é o seu sonho, vai que vale a pena.

 

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A hora certa

Qual é a hora certa para empreender no Brasil ou para ter filhos?

Em relação à ter filhos, o meu querido pai sempre me disse:

“Não espere o mundo ideal para ter filhos, o mundo só se torna realmente ideal depois que eles chegam. Não ter um apartamento próprio não pode ser o motivo para adiar a paternidade, coloque o filho no mundo que as coisas vão dar certo.”

É claro que o mínimo de estabilidade é importante, não somente a financeira, mas também, e principalmente, a de relacionamento entre os pais que, na minha opinião, é o ponto principal quando falamos de encontrar a hora certa.

A realidade é bem parecida se você está pensando em empreender. Se esperar a estabilidade econômica brasileira ou achar que precisa de mais conhecimento, a hora de empreender nunca vai chegar.

É importante também ter o mínimo de estabilidade e conhecer a área em que você vai empreender, mas se você esperar o mundo ideal, assim como na paternidade, vai morrer esperando.

E para aqueles que acham que já está muito tarde para empreender, vale lembrar de dois empreendedores que mudaram o mundo começando depois dos 50 anos: Ray Kroc, do Mc Donalds, e John Pemberton, da Coca-Cola. Preciso de mais algum exemplo?

Tome cuidado para não esperar demais e ficar no caminho sem volta! Se você tem o sonho de empreender ou de ser pai, não morra com esse sonho. Eu seria muito frustrado se não tivesse tentado, ousando dizer até que seria infeliz. Porque os sonhos existem para nós corrermos atrás deles, como disse o maestro João Carlos Martins: “Corri atrás dos sonhos, agora eles correm atrás de mim.”

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A única certeza é que não temos certeza de nada

Qual a garantia que eu tinha em 2002 de que a minha empresa fosse durar 15 anos? Ou talvez 5? Ou talvez 1 ano?

A jornada empreendedora tem de tudo, menos a garantia de que vai dar certo. Mas é em função dessa incerteza, que eu sempre digo:

Faça de tudo que estiver ao seu alcance, busque o conhecimento e trabalhe muito, porque, se no final a jornada não der certo, pelo menos você vai deitar com a sensação de que fez tudo que podia para realizar o que sonhou.

Além das coisas que dependem de nós, ainda temos que lidar com aquelas que são incontroláveis ou tão inesperadas que fogem do nosso alcance. Estou lendo o livro Capitalismo Consciente, escrito por John Mackey, um dos fundadores da Whole Foods, empresa que foi recentemente adquirida pela Amazon, e ele traz um excelente exemplo disso. Em 1981, a empresa dele quase foi destruída por uma enchente, que tinha força para encerrar a história da Whole Foods ali mesmo naquele ano. Isso sem o apoio de todos os stakeholders — clientes, fornecedores e funcionários — que, juntos, não deixaram a empresa quebrar.

Imprevistos podem acontecer, por isso, essa sensação de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance tem que ser sempre presente em nossas vidas.

O mesmo se aplica à minha filha. Quem garante que ela vai ser uma pessoa boa? Faço de tudo para ser, mas garantia 100% eu não tenho. Até porque, além da preocupação com ela se tornar uma pessoa boa, tenho também a preocupação com acontecimentos que fogem do meu controle e também do controle dela, como a violência, por exemplo.

E é por todos esses fatores que faço tudo que está ao meu alcance para estar sempre do lado dela. Às vezes é difícil, o equilíbrio entre trabalho e família não é fácil, mas eu não abro mão de estar sempre que possível com a minha filha e passar para ela tudo que aprendi.

Faça o que estiver ao seu alcance, porque a incerteza é certa, então se der errado, você saberá que o seu sono será tranquilo.

Liderança pelo Exemplo

Existem vários estilos de liderança, e a que eu mais acredito é a liderança pelo exemplo. O que aprendi até hoje foi que, tanto os colaboradores quanto os filhos não fazem o que você fala — eles fazem o que você faz. Por isso, é muito importante, tanto em casa quanto no trabalho, nós mostrarmos por meio de ações, e não apenas palavras, os valores que a família e a empresa têm.

E se você tem dúvida sobre o que é um valor dentro de uma família ou empresa, posso simplificar dizendo que é algo que você nunca pode deixar de ter, algo inegociável.

A soma desses valores deve ir de encontro ao nosso propósito.

Na Confiance o nosso propósito é: Acabar com a cicatriz da cirurgia aberta. Na minha família, o nosso propósito é: Ser feliz.

Eu respeito as empresas e as pessoas que têm o propósito de ganhar dinheiro, mas acho que esse propósito não tem vida longa, e uma hora ele muda. É claro que eu trabalho muito para ter um bom padrão de vida, mas o dinheiro nunca será mais importante que a felicidade da minha família.

A experiência de educar um filho tem sido muito desafiadora para mim, e imagino que é para todos os pais — apesar de ser uma criança, cada uma tem o seu temperamento e sua forma de pensar, o que torna a educação ainda mais difícil. Além disso, os pais dos amigos também podem pensar diferente, então as influências boas e ruins vêm o tempo todo de todos os lados.

A dificuldade de educar é a mesma de gerir pessoas dentro de uma empresa. Eita coisa difícil, sô!

Cada um tem a sua forma de pensar, de agir, de reagir. E administrar esses diferentes perfis não é fácil. O crescimento sustentável só é possível se você conseguir lidar com essa diversidade, criando um time realmente unido em prol do propósito da empresa.

Acredite, os seus colaboradores são o bem mais valioso da sua empresa.

É fundamental que eles sonhem o seu sonho, como diria o profeta Raul Seixas:

“Sonho que se sonha só é só um sonho que se sonho só, mas sonho que se sonha junto é realidade.”

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Quando eu pergunto para a Luisa o que ela quer ser quando crescer, ela responde: empreendedora. E é muito comum ela querer “trabalhar” comigo. Algumas vezes, ela diz: “Papai, quero trabalhar com você. Para ser uma grande empreendedora, é preciso trabalhar e estudar muuito né?” Lembrem-se, ela tem só 3 anos, e isso é feito por iniciativa própria, ou melhor, por meio do exemplo que dou para ela.

O mais legal é que já vejo a Luisa pensando como os pais, porque vira e mexe ela me pergunta: “Você está feliz, papai?”. Naquele momento, se existia algum sentimento de tristeza no meu coração, ele vai embora na mesma hora porque percebo que o meu objetivo está sendo cumprido e que ela, aos poucos, também está descobrindo qual é o dela.

Suas decisões não afetam mais só você

No momento em que você está na sala do parto e recebe aquele bebê tão pequenininho no colo, o coração se enche de um amor e um medo tão grandes porque você passa a ter certeza: agora você também é responsável pela vida de outra pessoa. Tudo o que acontecer a partir daquele momento, os riscos, os hábitos e a rotina que tiver e as decisões que tomar, vai influenciar diretamente o bem-estar e o futuro do seu filho.

Essa é uma responsabilidade que ninguém no mundo pode aliviar. E com o negócio acontece o mesmo. Mesmo que você tenha sua esposa para dividir os problemas — ou um sócio para compartilhar os desafios — a responsabilidade final é sua, mesmo que não seja só sua. O empreendedorismo, assim como a paternidade, pode parecer solitário às vezes, e exige de nós um amadurecimento para começar a olhar cada mínima decisão — do corte de pessoas ao controle de qualidade dos seus produtos. Como elas afetam a vida da sua família, da família dos funcionários, clientes, sócios e parceiros.

E o que vale para a preocupação, vale também para a emoção de ver as coisas dando certo. Você nunca vai fazer nada sozinho, mas olhar as suas conquistas e saber que tudo aquilo começou com você não tem preço.

Ver a minha filha fazendo as coisas que faço e ver os Confiantes sonhando o meu sonho traz uma sensação de realização difícil de descrever, afinal o empreendedor e o Pai têm o poder de mudar a vida das pessoas. E quando mudamos para melhor, marcamos essas pessoas para sempre — o nome disso é: Fazer história.

E aí, vamos deixar o nosso nome na história de alguém?

O amor é cego

Todo empreendedor acredita que o seu produto é o melhor para o seu cliente e que, se as vendas ainda não decolaram, é porque o mercado ainda não entendeu a proposta. E quando o empreendedor é questionado sobre o produto, isso é uma ofensa: “Como alguém pode questionar algo que fiz com tanto carinho?” Esse amor é capaz de cegá-lo a ponto de não enxergar que seu produto pode não atender à real necessidade de seu cliente, e muitas vezes isso pode causar a morte da sua empresa.

Perguntar para um grupo de empreendedores se eles têm um produto ruim é a mesma coisa que perguntar: “Quem tem filho feio?”. Estou usando essa frase porque ela é clássica, mas quando falo feio não quero dizer de aparência e sim de educação ou bons modos. Dificilmente reconhecemos que estamos dando uma educação errada para os nossos filhos. Fazemos isso sem querer, muitas vezes por excesso de amor, o que acaba nos cegando e impedindo-nos de falar um simples “não” , mesmo sabendo que o não é fundamental para criar limites.

Na empresa, também precisamos falar “não”. Principalmente quando queremos focar. Como diz Steve Jobs:

“Algumas pessoas acham que foco significa dizer sim para a coisa em que você irá se focar. Mas não é nada disso. Significa dizer não às centenas de outras boas ideias que existem. Você precisa selecionar cuidadosamente.”

Permita-se dizer não sempre que necessário.

Foco e educação: a arte de dizer não

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Depois de tudo que escrevi, você deve estar se perguntando: “Ser pai e empreendedor são coisas incompatíveis, certo?” Afinal, citei tantas dificuldades, os papéis consomem tanto tempo… Porém, quando essas duas coisas fazem parte do seu sonho de vida, elas se tornam uma conexão mágica. Quando você olha para o seu filho, você pensa: “Não vou te decepcionar… Deixa comigo. Papai está aqui.”, e isso o transforma no Super-Homem. Você ganha uma força que não dá para escrever.

No fim, mantenho o meu recado: só embarque nessas jornadas, principalmente na de pai, se você estiver muito certo do que quer. Repito, será muito mais difícil do que você pode imaginar, mas se faz parte do seu sonho, não desista, tente até o fim, porque é bão demais da conta.

Aproveito esse dia especial para agradecer o meu Pai por tudo que ele me ensinou e pelo exemplo que foi para mim. Se estou onde estou profissionalmente e principalmente se sou um bom pai para a Luisa é graças aos exemplos que o meu Pai sempre me deu. Muito obrigado por tudo, Pai, você sempre será o meu herói.

Parabéns para todos os pais e também para todos os empreendedores, porque salvo as devidas proporções, vocês também são Pais!

, Confiance Medical, Fundador
Cristiano Brega é fundador e CEO da Confiance Medical Produtos Médicos Ltda, fabricante de equipamentos de vídeo-cirurgia, ganhadora do Prêmio de Melhor Empresa Graduada de 2014 pela Anprotec. Ganhou, junto com os seus sócios, o Prêmio Empreendedor de Sucesso de 2014 pela Revista Pequenas Empresas e Grandes Negócios. Cristiano estudou Administração de Empresas na Universidade Federal de Juiz de Fora e MBA em Finanças pelo IBMEC/RJ. Empreendedor Endeavor desde 2014, tem o sonho grande de acabar com a cicatriz da cirurgia aberta. Casado e pai da Luisa, é apaixonado pela família e pelo seu trabalho.

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1 Comentário

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  1. Tiago Souza - says:

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    Que conteúdo maravilhoso, me ajudou muito. Parabéns.

    Desentupidora Forte
    http://sdforte.com.br/

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