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“Tinha que ser brasileiro”: legados da Brazil Conference 2017

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Brazil Conference 2017

O brasileiro é legitimamente inventivo. Sempre foi, de Santos Dumont até os empreendedores modernos, como os que participaram da Brazil Conference 2017. O evento, organizado por estudantes brasileiros nos campi de Harvard e MIT, mostra que precisamos promover um diálogo real sobre o nosso país. 

Vá ao “Egito”

“O que você vai fazer lá fora? Fique no Brasil! As faculdades americanas estão cheias de garotos coreanos que estudam 14 horas por dia. Você vai se frustrar.” Esse foi o conselho que recebi de uma professora ao expressar meu interesse em um diploma no exterior.

Em 2007, na escola onde estudei em Manaus (AM), buscar uma graduação nos Estados Unidos era incomum e, por alguns, visto como uma espécie de traição à pátria. “Então você acha que nossas faculdades não são boas os suficiente?”

Mas eu, inquieto, gostava da antiga história que meu pai contava. Tales de Mileto, que era mentor de Pitágoras, havia encorajado o aluno a ir ao Egito. O Egito era, na época, o centro de conhecimento acadêmico, onde o grego teria acumulado conhecimentos em astronomia, filosofia e muitas outras ciências.

Hoje, um grupo cada vez maior de alunos brasileiros vai buscar diplomas nos novos “Egitos”. Eles vão para Cambridge, Oxford, Stanford, Yale, MIT, Harvard. Logo começaram a surgir as associações criadas por estes alunos em cada um desses centros universitários para representar o Brasil. Nos últimos anos essas associações se coligaram para organizar encontros cada vez maiores e de maior projeção como a BrazUSC, BRASA Leadership SUMMIT e, mais recentemente, a Brazil Conference.

Diálogo que Conecta

O evento, em sua terceira edição, foi organizado por estudantes brasileiros nos campi de Harvard e MIT. O lineup dá um banho na maioria das grandes conferências. Mais importante: o evento promove um diálogo aberto entre muitos dos nossos líderes intelectuais com opiniões absolutamente antagônicas.

Tivemos Sérgio Moro sendo entrevistado após a ex-presidente Dilma Rousseff compartilhar com o público a sua perspectiva política. Marina Silva abriu o evento falando de sustentabilidade. Gilmar Mendes, Alessandro Molon e José Eduardo Cardozo defenderam três agendas distintas de reformas políticas. Suplicy e Olavo de Carvalho expuseram, lado a lado, suas diferentíssimas visões sobre reforma social. ACM Neto discutia com o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad sobre inovação em gestão pública. Wagner Moura e José Beltrame discutiram violência urbana no Brasil e igualdade racial e de gêneros. Vi Larry Summers, antigo reitor de Harvard, entrevistar Armínio Fraga e perguntar sem cerimônias a incômoda questão: “So Armínio…what went wrong?”

Vi nossa força empreendedora representada em peso. Luiza Helena Trajano, com um carisma de parar a Bolsa de Valores, falou dos problemas estruturais no Brasil.
Nizan Guanaes encantou o público ao falar sobre como posicionar a nossa “marca” como país para o exterior. “A Lava Jato é um “asset”. Quantos países em desenvolvimento levantaram o tapete para fazer a limpa em sua máquina pública?” (Parafraseado).

Deltan Dallagnol, procurador-chefe da operação Lava Jato falou no painel apresentado por Flávio Augusto (Wise Up). Os empreendedores de tecnologia compartilharam lições de suas empreitadas: tivemos Stelleo Tolda (Mercado Libre), Henrique Dubugras (Pagar.me), Victor Lazarte (TFG) e João Mendes (Hotel Urbano) com quem participei do painel de inovação. No encerramento vi Warren Buffet entrar de surpresa na entrevista com Jorge Paulo Lemann para contar que rico é quem tem tempo. Ele mostrava a agendinha preta com muitas páginas em branco.

Como se isso não fosse improvável o suficiente, vi essa assembleia sentada no chão em volta de Gilberto Gil e Yamandu Costa pra ouvir uma palhinha voz e violão em uma das salas do MIT. O evento é pequeno (apenas 600 pessoas) e os ingressos foram escassos, mas o impacto é grande.

So Armínio…what went wrong?

Muita coisas, e uma delas foi certamente a falta de diálogo. A Brazil Conference foi uma das poucas ocasiões nas quais tive a sensação de estar imerso em diálogo real sobre o Brasil. Estamos demasiadamente acostumados a simplesmente coletar opiniões alinhadas com nossas crenças já pré-determinadas.

Nossas conversas são menos racionais do que racionalizadoras e têm se resumido a debates de Facebook com frases prontas. Quando ficamos presos demais em nossa própria casca, começamos a achar que sair do Brasil é antipatriótico. Corremos o risco de esquecer que o empreendedor brasileiro é membro de uma rede global cada vez mais inescapável; que não precisamos nos limitar a uma geração de copycats americanos.

O brasileiro é legitimamente inventivo. Ele sempre foi, de Santos Dumont até os empreendedores modernos que estavam ali reunidos para decolar de outras maneiras.

A Hack Brazil – competição de negócios que reuniu projetos de todo o país, confirmou essa noção do talento feito no Brasil. Entre as mais de 320 equipes participantes, a Bubu Digital e a Diagnóstico Público foram os projetos vencedores. A Bubu Digital, desenvolvida por três estudantes de João Pessoa, é uma chupeta eletrônica equipada com sensores que coletam e transmitem dados sobre a saúde das crianças para reduzir a mortalidade infantil. A Diagnóstico Público é uma empresa de big data que coleta e analisa dados para dar mais transparência à gestão pública e apoiar o combate à corrupção.

É revigorante enxergar um caminho para um Brasil diferente do demodê “país do samba e futebol”. Taci Pereira, copresidente da Brazil Conference, terminou o evento dando um novo significado à frase que eu e você já ouvimos muitas vezes. “Tinha que ser brasileiro”, a gente pensa quando encontra alguma gambiarra, improviso ou falta de planejamento. Por meio de eventos com a Brazil Conference, apoiados por essa onda de fazedores de Lemann a Trajano, que podemos reorientar nosso estima coletivo para quando nos depararmos com um empreendimento genial, inovação ou exemplo de superação, possamos dizer a mesma frase mas agora com novo significado: “Tinha que ser brasileiro!”

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, Ingresse, Ceo & Cofundador
Manauense, CEO e co-fundador da Ingrese Gabriel estudou Economia Comportamental na Universidade de Stanford. É fascinado por técnicas de negociação e mediação de conflitos, membro do companhia teatral Stanford Improvisers (SIMPS), lidera workshops para grupos de trabalho que visam melhorar a comunicação e estimular a criatividade de seus membros.

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