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Escalando um time tech: aprendizados do CTO da Arquivei

Endeavor Brasil
Endeavor Brasil

A Endeavor é a rede formada pelas empreendedoras e empreendedores à frente das scale-ups que mais crescem no mundo e que são grandes exemplos para o país.

Liderar uma scale-up traz desafios inéditos, particulares de um modelo de negócios que cresce aceleradamente. Estruturar, montar e escalar um time tech, um dos core business das scale-ups, é um dos maiores desafios.

Normalmente o time tech de uma scale-up é dividido em três áreas principais: 

O objetivo do time tech é descobrir o produto a ser construído e entregá-lo com qualidade ao mercado. Sua missão é manter o produto com funcionalidade, escalabilidade, confiabilidade, segurança e alto desempenho.

Sendo assim, o time tech é responsável pela arquitetura, engenharia, qualidade, operação e segurança do site e da plataforma e gestão dos releases e delivery.“

Não importa o quão boa sua equipe de engenharia seja, se ela não recebe algo que valha a pena construir. Eu acho que a maioria dos líderes de produto também deseja criar produtos inspiradores e de sucesso. Mas a maioria dos produtos não é inspiradora e a vida é muito curta para produtos ruins.

Marty Cagan.

Desafios por momento de negócio


Os desafios de escalar um time tech mudam de acordo com a jornada da empresa, indo do product market fit até a fase de alto crescimento. 

Na tabela a seguir, destacamos a nossa visão dos desafios que as scale-ups podem enfrentar. – Não existe um padrão comum, varia de acordo com o modelo de negócio e composição da empresa. 

Alguns desafios são transversais, como a atração de talentos. Na primeira fase, é difícil porque a empresa não tem marca forte. Depois, no go to market, precisa buscar pessoas sêniors. No growth, o talento sênior precisa se tornar líder. De qualquer forma, isso vai ser uma preocupação sempre na vida de quem empreender.

Bruno Oliveira, Empreendedor Endeavor e CTO Arquivei

Para entender melhor como endereçar esses desafios de tecnologia na jornada de uma scale-up, conversamos com Bruno Oliveira, Empreendedor Endeavor e CTO Arquivei, formado em computação e empreendedor há 15 anos. 

Conheça a história da Arquivei

Confira os principais insights do bate-papo.

Quais foram os principais desafios depois da fase de product market fit?

Você precisa começar a estruturar o time de verdade, definir papéis e responsabilidades. No começo você assume várias funções. Depois do product-market-fit, é preciso pensar em questões como Governança e Cultura, sem deixar de lado a inovação. São mais pessoas no time, mais pessoas para se comunicar, alinhar e garantir alinhamento. Tem muito hand-over e hand-off. Por isso é extremamente importante deixar clara a visão, valores e quais hipóteses a empresa está tentando validar.

Acredito que na fase de  go-to-market, o desafio é formação de lideranças. No meu caso, resolvi formar líderes internos, o que me ajudou muito na parte de cultura.

O que mais tirou o seu sono até hoje como empreendedor e CTO?

Formação e contratação de talentos tem horas que faz isso acontecer. Uma frase que resume bem é: o que te trouxe até aqui não te leva até lá. E tem horas que é preciso renovar o time. Tem coisas que você só resolve fazendo mudanças.

Escala também tira o sono. É preciso aprender a deixar o time se virar sozinho. Confiar de verdade no time. Às vezes acreditamos que confiamos no time, mas acabamos fazendo micro-gerenciamento e nos tornando gargalo.

Desenvolver pessoas no time tech ou contratar? Como vocês preparam as lideranças?

No começo, eu tinha muita mentalidade de só formar as pessoas. Eu encontrava muitos talentos na faculdade e ajudava no desenvolvimento deles. Porém, depois que fomos crescendo, os desafios que enfrentamos vão ficando maiores do que nós. Começamos a emperrar na implementação de possíveis soluções. Iniciamos então a busca por gente de fora para trazer um frescor para o time. Uma nova visão de como fazer as coisas. 

Mas uma coisa que eu aprendi muito como CTO e empreendedor é que precisamos criar um ambiente onde as pessoas possam cuidar das pessoas. Eu como CTO não dava conta de gerenciar um time maior. Mas conseguia dar atenção às lideranças e alguns talentos, para que estes conseguissem dar atenção às outras pessoas. Para que as pessoas consigam mostrar que se importam, atuando no dia a dia dos outros. Para que o discurso “pessoas boas é que fazem uma boa empresa” não fique só no discurso. 

Outra coisa que me ajuda a formar meus líderes de tecnologia é levá-los para as mentorias da Endeavor. Eles aprendem muito saindo do dia a dia do trabalho e aprendem coisas que eu teria deixado passar.

Como é a estrutura do time tech da Arquivei?

Eu gosto de fazer metáforas. 

Temos times de diferentes estruturas. Temos squads de produto, temos times de sustentação de infra, temos um time de projetos  que trabalha como um professional services para grandes clientes ou em projetos estratégicos e um time de plataforma de dados, já que o nosso trabalho na Arquivei é processar dados. Como isso funciona ?

Pense em um restaurante. Cada time tem sua função específica, mas todos trabalham juntos para conseguir completar um serviço. 

Se o time de engenharia da Arquivei fosse uma pizzaria:

– As squads de produto seriam o time de pizzaiolos, junto a garçons e o chef. 

– O time de plataforma de dados é o pessoal que faz o tal do mise en place. Ou seja, para garantir agilidade e consistência na hora de fazer as pizzas, temos um time responsável por processar todos os insumos e deixar tudo picadinho, no jeito. Dessa forma, quem quer que seja que for cozinhar, consegue fazer um trabalho melhor, mais rápido e mais consistente. 

– Temos também uma estrutura menor e mais flexível, para atender eventos, ou aquela mesa muito grande, que além de pizza, precisa que façam um filé com fritas. Esse é o nosso time de projetos, que nos ajuda a entregar o melhor serviço possível, com integrações, portais personalizados e projetos que nos ajudam a entender e expandir serviços dentro dos nossos clientes.

– E temos também o time que garante o abastecimento disso tudo. Geladeira na capacidade ideal, lenha para o forno, e tudo o que os times que estão na cozinha precisam para trabalhar bem. Esse é o nosso time de SRE – infraestrutura.

Um VP de Engenharia* responde ao CTO ou vice-versa?

Não sei se existe um correto. Já vi estruturas bem diferentes. No nosso caso, o VP de Engenharia estaria ao lado do CTO. Ele responde ao CTO, mas cuida do time, da gestão do crescimento das pessoas, da cultura e contratação. A  responsabilidade de um CTO é tão grande que ele precisa cuidar da estratégia, contexto, novas tecnologias e contar com alguém para cuidar “só” das pessoas é essencial.

*VP de Engenharia: responsável por co-desenvolver a estratégia técnica com o CTO, cuidando, principalmente, da gestão das pessoas do time.

Um CTO consegue programar?

Eu já conversei sobre isso muito com alguns CTOs de empresas da Endeavor. Quanto maior a empresa vai ficando, mais longe do código o CTO vai ficando. Mas não podemos ficar muito distantes da tecnologia. Precisamos falar a mesma língua que os desenvolvedores. Entender os problemas que eles passam. Aprender as mudanças e evoluções do mercado. Entender o que está acontecendo. Então caso não seja possível escrever código (muitas vezes você vira até atraso pro time), de um jeito de não ficar longe. Estude, faça scripts e códigos não essenciais, teste as coisas novas que estão sempre surgindo.

Como a Endeavor ajudou a endereçar esses desafios?

Teve uma série de mentorias, desde o Promessas (Programa Scale-up Endeavor) até a preparação para o painel internacional de aprovação, que nos ajudaram a entender nossos principais desafios. Acho que entender o problema é um dos maiores desafios. E no fim acabamos até tendo algumas dicas de como atravessar esses desafios. 

Além disso, os grupos de troca entre empreendedores e empreendedoras são sessões de terapia para mim. Ainda mais os grupos entre CTOs. 

Tem dois Empreendedores Endeavor que admiro muito, que são o Bruno Ghisi da RD e o Alan Gomes da Incognia que já me ajudaram muito com conversas sobre formação de time, escala, verticalização e visão de tecnologia. 

Ter acesso a pessoas sensacionais e que estão muito dispostas a ajudar, ajuda a encurtar muitos caminhos. Até quando damos a mentoria, aprendemos muito. Eu espero poder ajudar outros empreendedores, assim como eu tive muita ajuda.

Para finalizar: sugestão de livros

Team Topologies: Organizing Business and Technology Teams for Fast Flow

An Elegant Puzzle: Systems of Engineering Management