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Os juros do Brasil podem estar roubando seu investimento

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Uma das maiores dores do empreendedor é a captação de investimentos, sejam eles quais forem. Que tal entender mais o porquê desse cenário ser tão comum no Brasil?

Fundar uma startup é trabalho desafiador em qualquer lugar do mundo. Além de todas as dificuldades inerentes – será que há mercado para a ideia? Será que esse mercado é como imaginamos? Como vamos vender? Conseguiremos contratar as pessoas certas para nos ajudar? – ainda precisamos encontrar meios para financiar todo o desenvolvimento do projeto.

É justamente nesse momento que as coisas começam a ficar mais difíceis no Brasil. Temos poucos agentes financiadores disponíveis e os que existem, em sua grande maioria, contam com escassas linhas especiais para empresas que estão começando ou em fase de crescimento. Na maioria das vezes, é muito difícil encontrar agentes dispostos a correr o risco com o empreendedor. E nos raros momentos que isso acontece, nos deparamos com taxas de juros exorbitantes que muitas vezes tornam impeditivos esses empréstimos. Por quê?

Taxas de juros altas têm um grande impacto para startups e scaleups de duas formas diferentes, porém muito impactantes:

A primeira está relacionada com a baixa disponibilidade de fontes alternativas à bancos (angels, venture capitals and private equities);

A segunda está relacionada ao impacto que juros exorbitantes têm no desenvolvimento das ideias de startups em negócios.

Vamos criar uma startup ou scale-up hipotética que demanda um investimento de R$ 1.000.000,00. Com base nesse investimento, vamos criar dois contextos para explanar os impactos da alta taxa de juros.

  • Baixa disponibilidade de fontes alternativas (captação de recursos)

O principal objetivo para os investidores apostarem em startups ou scale-ups é o retorno que imaginam que a empresa investida vai gerar ao longo do tempo. O raciocínio é simples: se o investidor colocar seu dinheiro em renda fixa – tesouro, por exemplo – ele espera, quase garante, uma porcentagem de retorno com um risco quase nulo; para correr o risco de investir em uma empresa, o investidor espera que seja gerado um retorno adicional ao retorno da renda fixa, ou seja, taxa de juros de renda fixa + x% de retorno pelo risco corrido.

Quando comparamos o Brasil com os EUA, por exemplo, veja o impacto da taxa de juros alta na análise do investimento em qualquer empresa:

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Ao analisarmos os resultados, fica óbvio que o ambiente nos EUA, com uma taxa de juros muito mais favorável, basicamente empurra os investidores a buscarem alternativas de investimentos em empresas, que, por sua vez, têm acesso ao mercado de capitais muito mais facilmente.

Mas o impacto não para por aí. Imagine que você conseguiu captar o dinheiro no mercado brasileiro. Agora é hora de executar o plano. Vamos para esse segundo contexto:

  • Impacto que juros altos têm no desenvolvimento de startups e scale-ups no Brasil:

Como falei no início do texto, chegou a hora de comprovar que a sua ideia estava certa e que todos os pontos de interrogação que você levantou devem ser comprovados.

Qual o impacto da taxa de juros alta no desenvolvimento de sua startup ou scale-up?

Ideias novas, equipe nova, mercado novo, canais de distribuição novos… certamente todos esses fatores e mais outros tantos demandarão diversos ajustes na sua ideia original. Os prazos irão sofrer algum atraso, na grande maioria dos casos. E isso deveria ser uma coisa normal em empresas que estão se estabelecendo, mas em locais com taxas de juros elevadas esse impacto pode ser fatal.

No mesmo cenário dessa empresa que demandou um investimento de R$ 1.000.000,00, vamos imaginar que ela teria um custo médio de R$ 53.000,00 mensais. Dadas as circunstâncias vivenciadas pela startup ou scale-up, o projeto atrasou 6 meses. Qual seria o impacto da alta taxa de juros no Brasil para o fôlego dessa startup no Brasil e nos EUA? Vejamos abaixo:

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Ao comparar o impacto do atraso de um projeto no Brasil e nos EUA, temos a diferença brutal que a taxa de juros gera para a criação de startups e implementação de planos de negócios em scale-ups. Enquanto uma startup nos EUA teria seis meses de fôlego para entender o mercado e se adaptar, a mesma startup no Brasil teria apenas dois meses de adaptação. Isso pode levar a decisões precipitadas, como a necessidade de lançar algo incompleto e não finalizado. As chances de sucesso, nesse caso, são muito menores e o impacto pode ser de encerramento da empresa e/ou  enterro de uma boa ideia.

O Brasil tem um potencial altíssimo de criação de novas empresas, novos mercados e novos produtos. Exemplos de sucesso não faltam. E tudo isso é realizado mesmo em um ambiente totalmente adverso para os empreendedores.

Claramente deveria existir um leque maior de mecanismos que incentivassem o investimento em startups e scale-ups, para aumentar o apetite dos investidores.

Poderiam ser isenções de tributação para investimentos na criação de empresas ou até mesmotaxas de juros dos grandes bancos de fomento para startups e scale-ups. Poderíamos também melhorar o acesso de empresas a investimentos de fora do Brasil com algum tipo de proteção, para disseminar a inovação e a criação de mais empresas no mercado.

Quando começaram, empresas como Facebook, Google, Uber, Easy Taxi, iFood tinham apenas uma ideia. Hoje geram vários milhares de emprego no mundo. Será que não é a hora de incentivar ainda mais novos investidores no Brasil? Eu acho que sim.

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, Crunchflow, COO
Fábio Knijnik é CCO e co-fundador da Crunchflow, um software-as-service (SaaS) de planejamento de equipes de trabalho. Administrador de empresas formado pela PUCRS e Black Belt na metodologia Six Sigma. Ocupou cargos de gestão nas empresas Sadia e LeitBom (pós-aquisição do GP Investimentos) e Knijnik Engenharia Integrada.

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