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Talentos femininos transformam o empreendedorismo

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Grandes mudanças no cenário empreendedor brasileiro devem-se à presença feminina no mercado.

À luz de alguns dados, pode-se perceber uma nova e marcante presença na cena empreendedora, que está mudando as características desse mercado. Uma pesquisa realizada pela Endeavor em 2011, a primeira no mundo sobre empreendedores inovadores que considerou diferenças entre gêneros, mostra que empresas inovadoras e de alto crescimento lideradas por mulheres têm mais facilidade em atrair e reter talentos, item considerado o maior entrave de qualquer empreendedor.

“É preciso que as instituições de fomento aprendam a lidar com o jeito diferente de fazer negócios das mulheres. Afinal, um levantamento recente do Global Entrepreneurship Monitor mostrou que 51% dos empreendedores brasileiros são do sexo feminino”, diz Amisha Miller, gerente de pesquisa da Endeavor.

Outro dado relevante apontado pela pesquisa indica que as mulheres agregam mais inovação do que os homens ao setor de serviços, área que representa cerca de 60% do PIB do Brasil. “O IBGE mostra que o setor de serviços é o maior gerador de empregos formais do país. Em uma área em que as mulheres mais inovam, é natural esperar que elas tenham um potencial maior de crescer rapidamente”, observa Amisha.

A experiência de Lucy Onodera, diretora geral da Onodera, rede de clínicas de estética corporal e facial, sustenta a afirmação. Motivada pelo exemplo de sua mãe, que começou a empreender 30 anos atrás, “quando eram pouquíssimas as mulheres em posições de liderança”, ela se envolveu aos 19 anos com os negócios da família e hoje, aos 31, entende que as mulheres têm uma sensibilidade maior para lidar com o cliente, entendê-lo e até “paparicá-lo, às vezes, quando necessário”. E, por mais que Lucy alegue reservas quanto à diferenciação de gêneros, atualmente, 80% de sua rede é administrada por mulheres.

O mesmo acontece na Kapa+ Ecoembalagens, empresa de embalagens ecológicas fundada por Karla Haidar, onde todos os cargos de chefia são ocupados por mulheres. “Apenas o contador e o motorista são homens”, compartilha a empreendedora. “Temos uma facilidade maior para organizar muitas coisas ao mesmo tempo, algo que muitos homens não têm. Talvez por causa de todo o histórico de funções que a gente acumulou”, completa, ao ser questionada sobre a característica mais positiva de suas gestoras.

Para ela, a maior dificuldade está em equilibrar o modelo tradicional de estrutura familiar com a dedicação no trabalho. “Elas são as chefes em casa também, então acabam acumulando as funções ‘do homem’ no trabalho e ‘da mulher’ no lar. O desafio está em passar por tudo isso sem perder a essência, a feminilidade”. E pondera: “Esta não é uma disputa com os homens pelas oportunidades, é uma conquista de espaço”.

Na visão de Maristela Mafei, sócio-fundadora do Grupo Máquina, a grande transformação se deve à mudança de atitude das mulheres das novas gerações, que se preparam cada vez mais para o mercado. “Elas estão mais aptas a se qualificar, em número mais significativo fazendo MBA, recorrem mais aos programas de bolsas de estudo e pesquisa do governo e da iniciativa privada, buscam mais oportunidades de empreender. Estamos assistindo a uma mudança cultural muito grande”, ressalta.

Ela aponta essa característica como uma tendência cada vez mais marcante das novas gerações. “Eu sou da geração 1.0 de empreendedoras. Na época em que eu abri a Máquina, estava na minha quarta empresa. Já tinha empresas, marido, filhos e casa para tocar. Hoje, noto as meninas executivas e empreendedoras da geração 3.0 muito mais criteriosas para fazerem escolhas para si mesmas”, completa.

Uma transformação pontual, segundo Maristela, é a maior valorização da área de comunicação nas empresas, um setor predominantemente ocupado por mulheres. “Até um passado recente, principalmente dentro das grandes corporações, a comunicação não era vista como corebusiness, mas como apoio secundário a outras áreas. (…) Talvez a valorização da área com o passar dos anos tenha a ver justamente com o fato de estarem ocupadas por mulheres, quem sabe”, defende a comunicadora.

Além disso, no que diz respeito ao mercado de trabalho em geral, a avaliação de Maristela é de que, hoje, quando se abre uma vaga de CEO ou de vice-presidente, já é possível ver ao menos uma mulher disputando para dois ou três homens. “Cerca de cinco anos atrás não se via isso”, garante.

Existem, no entanto, tendências que revelam outro cenário. De acordo com um estudo realizado pela agência norte-americana Maternal Instinct, embora elas representem 80% do mercado consumidor, apenas 3% dos cargos criativos são ocupados por mulheres. Uma das razões apontadas para isso é a dificuldade das empresas em proporcionar o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. Enquanto isso acontecer, desdobra a pesquisa, as mulheres continuarão sendo levadas a fazer esse tipo de escolha, e o mundo permanecerá desprovido de seus talentos particulares.

 

Por Carolina Pezzoni e Vinícius Victorino, da equipe de Comunicação da Endeavor Brasil.

 

 

 

 

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