Você já se perguntou por que
nosso conteúdo é gratuito?
Somos uma ONG de fomento ao empreendedorismo de alto impacto que capacita
4 MILHÕES
DE EMPREENDEDORES
A CADA ANO
Faça a sua doação e contribua para continuarmos
este trabalho em 2016!

O Super-Homem não vai salvar a sua startup

LoadingFavorito
super-homem

A todo momento estamos a espera de alguém que vai chegar, com a sua capa ou varinha mágica, e solucionar todos os nossos problemas. Temos um segredo para te contar: o super homem não vai te salvar.

Algumas pessoas acham que a parte mais difícil de começar um negócio é dar o primeiro passo, mas, na verdade, isso é provavelmente a parte mais fácil! Depois de enfrentar esse primeiro desafio, os anos que se seguem são preenchidos com as mais brutais e importantes experiências de aprendizagem imagináveis.

Há duas semanas, eu voltei com a minha equipe para Boulder, no Colorado, onde lançamos a Aunt Bertha’s Human Services Search Platform, uma plataforma de busca para serviços sociais como alimentação, moradia e postos de saúde. Isso foi exatamente dois anos e dois meses depois do evento do Unreasonable Institute, o famoso “Instituto Irracional” que conecta empreendedores interessados em causas sociais.

Eu passei seis semanas lá e me lembro nitidamente do meu discurso final no “clímax irracional”, o momento que fecha o evento. Eu estava com o nariz tão entupido antes do discurso que, enquanto esperava a minha vez atrás das cortinas, tive que assoar o nariz várias vezes para não vomitar toda vez que ouvia os aplausos. Será que ficar nervoso entope o nariz? Sim (aviso: eu não sou médico)!

Ontem à noite, eu comecei a pensar sobre as maiores lições que eu aprendi desde o meu tempo no Unreasonable Institute e, depois de muito debate interno, consegui reduzi-las a três, que explico a seguir:

  • O Super-Homem não vai vir

Se você ainda não viu o documentário “Waiting for Superman” (Esperando pelo Super-Homem), vá vê-lo. Ele mostra os esforços do educador Geoffrey Canada para reformar o sistema das escolas públicas em Nova York. Para mim, a parte mais inspiradora do filme é quando Canada fala sobre o Super-Homem: “o Super-Homem não é real… não vai chegar ninguém com poder suficiente para nos salvar”.

E o mesmo vale para as startups. “Assim que eu terminar meu produto e colocá-lo em funcionamento eu vou ser notado, minha empresa vai ‘viralizar’ e aí tudo vai ficar mais fácil”, é o que dizemos a nós mesmos. Ou “assim que eu conseguir uns investidores anjo tudo vai dar certo”.

Leia também:  Venture Capital: o que é e como conseguir

Depois da experiência no evento Inverstor Days (dias do investidor) do Unreasonable Institute, em 2012, eu conheci três dos nossos quatro primeiros investidores anjo. Eles investiram na gente alguns meses depois disso e continuam a ser grandes mentores. No entanto, depois que conseguimos levantar esses primeiros 100 mil dólares, os problemas não sumiram

Um investimento não constrói um negócio sólido do nada.

Ninguém vai vir te salvar. Cabe a você e somente a você, o fundador, descobrir como fazer a sua startup funcionar.

  • Descubra novas camadas de paciência

Em um discurso proferido no Festival de Ideias de Aspen, em 2014, David Brooks, colunista e autor, citou um teólogo dos anos 1950, chamado Paul Tillich, para descrever a profundidade que as pessoas encontram no sofrimento.

Brooks afirma que “a dor envolvida na perda de alguém ou até mesmo em compor uma grande sinfonia ou escrever um livro te leva, te arrasta pelo chão do que você achou que era o fundo da sua alma… e revela uma cavidade mais abaixo; e uma outra cavidade abaixo dessa. E, assim, ela continua cavando. As pessoas encontram no sofrimento profundezas dentro de si que nunca tinham imaginado.”

Tentar resolver grandes problemas exige um nível de paciência que eu não poderia ter imaginado até começar uma empresa.

Sua paciência será testada: você vai ver um contrato certo, um que pode colocá-lo no mapa, se arrastar por 10 meses a mais do que você tinha pensado, até você ficar esgotado só de pensar no assunto. Você vai ver concorrentes espalhando boatos sobre você. E você pode até ver um membro da equipe perder a fé em você, o que é o mais difícil de engolir.

Eu acho que o que Brooks estava querendo dizer é que, debaixo de tudo isso, você vai achar paciência. Você vai achar fé. E é essa paciência e essa fé que vão fazer com que você veja coisas maravilhosas, mesmo que por pouco tempo.

Leia também: Responsabilidade Social: e se ela for seu core?

Você vai ver um professor importante te agradecer sinceramente pelo que você construiu. Você vai ver uma assistente social que ajuda os desabrigados te dar um abraço, no seu estande, em um evento de divulgação, agradecendo pelo que você construiu. Você vai experimentar a verdadeira alegria de observar boquiaberto como alguém da sua equipe tem uma ideia brilhante (como gestor, não há sensação melhor no mundo!). Não importa se você vai ter sucesso ou não.

Aproveite, mas não fique preso à fase “eu sou o máximo” de uma startup. Você com certeza já ouviu “Deus te abençoe”, e “muito obrigado pelo que você está fazendo”, ou “o mundo precisa de mais gente igual a você”. Você vai ouvir isso bastante e isso pode até fazer com que você seja chamado para uma conferência muito bacana ou um programa de bolsas incrível. Mas a verdade é que ninguém se importa.

  • Não seja um maria vai com as outras

Nos últimos quatro anos, eu perdi várias noites acordado até tarde, só programando. E, de vez em quando, eu via meu filme preferido: Friday Night Lights ou Tudo pela Vitória.

Tem um diálogo que quase sempre me fazia levantar a cabeça focada do computador. Mike Winchell, o jogador-estrela no filme, pergunta ao seu técnico: “Você já se sentiu amaldiçoado? Como se você sentisse dentro do seu coração que, não importa o que aconteça, você vai perder… Eu me sinto assim o tempo todo. Mesmo quando as coisas estão indo bem. Até quando a gente está ganhando, o sentimento está lá. E quando a gente está perdendo, também está lá.”

E o técnico, Gary Gaines, responde: “demorou muito para eu perceber que não tem muita diferença entre ganhar ou perder, a única diferença é o jeito que o mundo lá fora te trata. Mas dentro de você, é sempre tudo a mesma coisa. Sério. Para falar a verdade, eu acho que as nossas únicas maldições são as autoimpostas, sabe? Todo mundo está cavando a própria cova”.

Dois anos e dois meses atrás, eu estava preocupado em dar um bom discurso na esperança de que seria descoberto naquele palco no Colorado. Eu estava esperando pelo Super-Homem.

Passamos tanto tempo como empresários tentando impressionar as pessoas, sejam elas clientes, investidores ou a mídia, enfim, as pessoas em algum tipo de posição de poder. Ficamos esperando a aprovação deles. O aceno de cabeça. O tapinha nas costas. Mas, no fim do dia, os tapinhas nas costas e acenos daqueles em uma posição de suposto poder não importam.

O que importa é o abraço da assistente social em uma conferência que usa o seu software a cada dia para ajudar os desabrigados. O que importa é o momento em que alguém da sua equipe descobre algo grande e você pode ver a emoção nos olhos deles quando eles falam sobre isso.

O conteúdo original você encontra aqui.

O Unreasonable Institute é um programa de 5 semanas para empreendedores que estão solucionando os maiores problemas do mundo. São doze empreendedores de todas as partes do mundo que vão para o Colorado, nos EUA, onde eles são conectados com mentores e investidores e têm acesso aos recursos necessários para escalar seu impacto.

Deixe seu comentário

Parceiros
Criação e desenvolvimento: