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Startups: ideias e motivação não bastam!

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Elas necessitam, antes de tudo, de uma boa dose de estratégia, visão de mercado, planejamento tático, disciplina financeira e relacionamento.

O termo startup significa uma empresa que está começando, em fase de desenvolvimento, mas com projetos, produtos ou modelos de negócios promissores, baseados em atividades de inovação – como pesquisa e desenvolvimento, normalmente associados a um risco não desprezível. De acordo com esta definição, fica claro que uma startup não é, por exemplo, um empreendimento franqueado; tem que haver inovação, insegurança e potencial de crescimento.

Embora detentoras de uma ideias com alta chance de desenvolvimento no mercado e baseada normalmente em sócios motivados e altamente empreendedores (que geralmente também operacionalizam as soluções), estas empresas normalmente carecem de duas coisas muito importantes neste estágio de maturidade: capital e gestão de negócios. Os primeiros recursos limitados com certeza vieram do próprio bolso, ou dos pais, amigos e idealistas; e o dia a dia dos negócios é na base da reação, sem sistematização e com enorme esforço pessoal.

Estas organizações insipientes necessitam, antes de tudo, de uma boa dose de estratégia, visão de mercado, planejamento tático, disciplina financeira e relacionamento com possíveis agentes financiadores externos. Muitas vezes, os sócios originais, com grande competência tecnológica nos aspectos intrínsecos de seus produtos e soluções, não têm esses recursos definidos. Será preciso desenvolver esta característica neles, o que não é fácil (é melhor aproveitar o que há de melhor em cada um!), ou então incorporar mais um ou mais sócios com alguns destes perfis mais desenvolvidos ou complementá-los com um ou mais profissionais de mercado. De nada vale uma boa ideia inovadora, se não soubermos prever e vender, se não for possível produzir e distribuir na quantidade demandada, e se não existirem recursos na hora certa para todas estas atividades, incluindo as atividades inovadoras.

Uma vez estruturada a equipe da empresa, com um saudável balanço de pessoas com perfil técnico, financeiro, mercadológico, de marketing, de vendas, de produção, de pós-venda e de logística (lembrando que estas funções podem ser agrupadas em alguns indivíduos), o próximo passo é revisitar algumas perguntas essenciais para o sucesso do negócio. 

Muitos iniciam seu empreendimento sem tomar este cuidado, desperdiçando a boa ideia, o seu tempo e os recursos investidos. As principais questões a serem respondidas são: “Que tipo de problema estamos resolvendo com nossa proposta?”, “Como este tipo de problema é resolvido hoje em dia?”, “Como nossa empresa pretende resolver de forma diferencial e inovadora este problema?”, “Com que infraestrutura, equipe e recursos financeiros pretendemos fornecer e manter sempre atualizados nossos produtos e soluções?” e “Como queremos ver nossa evolução nos próximos anos?”. Se alguma destas respostas não estiver bem equacionada e clara, sugiro recomeçar até que todos se sintam totalmente confiantes e seguros nestes posicionamentos.

Se tivermos bem claro este foco, do que somos, do que oferecemos, como vamos operar e de como queremos nos desenvolver ao longo da existência da empresa, aliado ao um corpo diretivo com uma veia tanto técnica, como de negócios, posso garantir que o espírito empreendedor dos sócios fará o resto do trabalho. Como dizia Einstein: “1% inspiração e 99% transpiração”. 

 

Ronald Dauscha é Diretor Corporativo de Tecnologia e Inovação do Grupo Siemens no Brasil.
 

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, Siemens, Diretor de Estratégia & Inovação
Ronald Dauscha é Diretor Corporativo de Estratégia e Inovação do Grupo Siemens no Brasil. Na companhia há 25 anos, ocupou cargos como a direção de P&D e de Gestão de Inovação e Tecnologia, além de atuar nas áreas de vendas, produção e serviços da empresa no Brasil, Alemanha e Itália. Também foi CEO de uma das empresas da holding, a SHC Brasil (Siemens Home and Office Communication Devices). É ex-presidente e diretor da ANPEI (Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras) e já participou de vários conselhos e diretorias de órgãos como Finep, Contec/Fiesp, Instituto Eldorado, Instituto Certi, CGEE e Abinee. Hoje também atua na FAPESP fazendo parte da Coordenação Adjunta dos projetos PIPE e PITE.

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