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Startup Chile: o que podemos aprender no Brasil

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Startup Chile: o que podemos aprender no Brasil

Um dos fundadores do Startup Chile conta como o programa ajudou o país a ser uma superpotência empreendedora e sugere como o Brasil poderia aprender com a experiência

O ecossistema empreendedor global está em constante expansão. Enquanto o Vale do Silício continua sendo o principal centro das startups de tecnologia global, governos ao redor do mundo começaram a reconhecer o valor da inovação, dos empregos e das receitas que novos empreendedores trazem com seus negócios. Diversos países, inclusive o Brasil, vêm criando estratégias para diminuir as barreiras regulatórias, aumentar os investimentos e oferecer ferramentas para que as startups locais possam se tornar grandes empresas, que, tomara, ajudarão a impulsionar a economia de seus países.

Um dos maiores exemplos de iniciativas públicas desse perfil é o Startup Chile, que, desde 2010, investe em startups locais e internacionais a fundo perdido e que tem transformado a economia e o ecossistema empreendedor chileno. Com o sucesso e a fama do Startup Chile, não é surpresa ver diversos países criando programas similares, como o Startup Peru, Startup Dinamarca e inclusive o Startup Brasil, iniciado em 2013 pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação brasileiro, que se comprometeu a investir cerca de R$ 200 milhões em novas empresas.

Quais são os diferenciais que fazem do Chile um exemplo para os demais países?

A porta de entrada do Startup Chile é dar apoio a empresas muito novas, que às vezes só têm um time de sócios experientes e uma boa ideia. Durante a aceleração, os empreendedores apoiados recebem mentorias, podem se instalar em espaços de co-working e têm acesso a uma rede de contatos espalhados pelo país. Mesmo assim, como é natural, muitas das startups param no meio do caminho, não dão certo e vão à falência. Mas, ao mesmo tempo, muitas delas se desenvolvem e, também como esperado, buscam novos investimentos para continuar crescendo. Esses investimentos, no entanto, não eram comuns no Chile. Por isso, o governo acabou de criar uma nova rodada de investimentos para essas empresas, chamada de Startup Chile SCALE, que investe até US$ 40 mil e, no caso dos empreendedores estrangeiros, dá mais um ano de visto para continuarem tocando seus negócios. Esses novos investimentos são uma das formas mais efetivas de oferecer recursos e uma chance das empresas participantes enxergarem possibilidades de longo prazo no país.

O Startup Chile tem ajudado empreendedores de forma semelhante a outros programas, mas um dos diferenciais é que todos os negócios apoiados se localizam na capital, Santiago. Nesse contexto, densidade é um ponto chave. O programa já apoiou mais de 1.000 empreendedores, bem mais que 10 ou 50, como é comum em outros países. O Brasil, que é bem maior que o Chile, apoia quase 200 empresas, mas elas estão espalhadas por todo o país. A espinha dorsal de um ecossistema de startups, ao menos no caso do Startup Chile, está no “efeito cluster”, onde muitas empresas com alto potencial de crescimento, todas próximas entre si, ajudam a impulsionar e motivar todo o ecossistema.

Ainda que o Startup Chile seja aberto para os chilenos, a maioria dos empreendedores apoiados são de outros 65 países, que trazem consigo as inovações de fora. Isso contribui para outro diferencial do país: o Chile é uma economia aberta e estável. Diferentemente de outros países da América Latina, a economia do Chile não muito é muito protecionista, empreendedores estrangeiros são sempre bem-vindos e os chilenos são incentivados a expandir seus negócios para além das fronteiras. Além disso, a economia chilena é considerada uma das mais estáveis e prósperas da região em termos de competitividade, renda per capita, internacionalização, liberdade econômica e baixa percepção da corrupção.

De acordo com o Governo Chileno, mais de 250 mil novos negócios foram abertos no país graças à redução da burocracia local e uma nova lei que permitiu aos empreendedores registrarem suas empresas online e em apenas um dia – foi o segundo país no mundo, depois da Nova Zelândia, a oferecer um sistema assim. Toda essa atividade em torno do desenvolvimento econômico resultou em uma série de empresas muito inovadoras e que agora estão radicadas no país, ajudando a solidificar a posição de liderança do Chile no ecossistema empreendedor da América Latina.

Para dar exemplos práticos, 110 empresas do programa levantaram mais de US$ 50 milhões além dos investimentos do Start-Up Chile, e outras oito startups foram compradas por grandes empresas.

Entre os casos de sucesso do programa estão:

  • Cabify, um aplicativo de táxis executivos, que acaba de receber US$ 8 milhões em investimentos para expandir sua atuação por toda a América Latina;
  • SaferTaxi é outra startup que está tentando revolucionar a indústria de taxi na região e levantou US$ 4,2 milhões em investimentos;
  • Solunova foi inspirada pelo acidente de 2010 nas minas de Copiapó e criou um serviço de dados que oferece dados informações sobre os mineiros e as condições de trabalho que enfrentam;
  • Junar, uma plataforma aberta e na nuvem, que permite governos disponibilizarem seus dados online para os cidadãos de forma rápida e fácil, recebeu US$ 1,2 milhões em capital de risco de fundos chilenos.

À medida que o Startup Chile impacta positivamente a economia e o ecossistema empreendedor chileno, só cresce a importância do país como um todo no cenário da inovação global. O Brasil possui desafios institucionais maiores que os do Chile para superar, principalmente quando é necessário envolver governos municipais, estaduais e o federal em iniciativas do tipo. Mesmo assim, somos uma das maiores economias e marcas globais da América Latina.

A abundância brasileira de recursos naturais e atratividade como destino de negócios são vantagens que o Chile não tinha quando começou seu programa, e que podem ser usadas para motivar empreendedores a se instalarem no país. Esperamos que o Startup Brasil crie as mesmas oportunidades vistas no Chile, e estamos ansiosos para que o país se torne rapidamente uma referência em inovação e oportunidades empreendedoras.

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, YouNoodle, CEO
Torsten é co-fundador e CEO do YouNoodle, uma empresas com sede São Francisco (EUA) que trabalha para ajudar outras organizações, investidores e governos a se engajarem com startups e empreendedores ao redor do mundo em competições de empreendedorismo. Alguns dos clientes da YouNoodle incluem os governos do Chile, Peru, Malásia e Coreia do Sul, além de empresas como Amazon, Cisco e Intel.
Antes, Torsten foi CEO da Venture Cup, a maior competição de empreendedorismo da Dinamarca, e foi juiz em competições de Stanford, MIT e do Imperial College em Londres, entre outras. Tosrten é apaixonado pela revolução global das startups e vive o mundo online desde que começou sua primeira empresa ao 16 anos.

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    “liberdade econômica e baixa percepção da corrupção.” Não seria alta/elevada percepção da corrupção?

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