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O Sonho Grande de salvar vidas emitindo radiação: Rafael Madke, Grupo RPH

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Inspire-se com o Sonho Grande de Rafael Madke, da RPH, e como ele pode revolucionar a saúde brasileira.

Pergunte na farmácia de seu bairro se a pessoa de jaleco branco atrás do balcão participa de triathlons. Depois pergunte se ela sabe gerir um negócio. Pois é, Rafael Madke não é seu típico farmacêutico. Além de triatleta e empreendedor, inovou em uma área pouco conhecida no Brasil: a medicina nuclear.

O que é medicina nuclear, você pergunta? Considere um grupo de 10 mulheres com tumor de mama. Pela legislação brasileira, todas elas entram em protocolo de quimioterapia, só que, em média, apenas 5 respondem ao tratamento. Isso acontece porque o tumor da Maria é diferente do tumor da Ana, que é diferente do tumor da Carolina. E se a gente entendesse exatamente o que cada tumor desse precisa para ser tratado e aumentar as chances de sobrevivência das pacientes?

E se a gente te contasse que isso pode ser feito? O Grupo RPH, fundado por Rafael Madke, produz medicamentos radioativos que, injetados na veia do paciente, facilitam uma imagem completa do órgão doente para dizer exatamente o que funciona melhor para curar aquele órgão. Ou seja: se sabemos, antes do tratamento, que o tumor não responde à quimioterapia, não encaminhamos a paciente para a quimioterapia. Resultado? Redução de custo para o sistema público de saúde (cada quimioterapia pode custar até R$100mil), cuidado personalizado para a paciente, com menos efeitos colaterais, e tratamento mais eficaz para sua doença.

Quer conhecer melhor quem está por trás desse impacto? Assista ao Sonho Grande e leia a história de Rafael Madke, Empreendedor Endeavor e fundador do Grupo RPH.

Da faculdade ao primeiro negócio

Quando ainda estava na faculdade, em Porto Alegre, Rafael teve que fazer experimentos de injetar material radioativo em ratinhos. Desse estudo, surgiu uma paixão pouco comum: o gaúcho descobriu um segmento de sua indústria chamado radiofarmácia, responsável pela produção e manipulação de medicamentos com elemento radioativo. Na época, apenas 5 profissionais atuavam com essa especialidade no Brasil, todos fora do Rio Grande do Sul. Ele poderia ser o 6º do país e primeiro em seu estado.

Pesquisando um pouco mais, começou a entender o mercado e ver como ele era bem estabelecido nos EUA e na Europa. Acabou fazendo seu trabalho de conclusão de curso nessa área e, logo depois, foi indicado para trabalhar cuidando do laboratório que preparava os radiofármacos, e então montando o serviço de medicina nuclear de um hospital.

Só que o prazer de Rafael estava mais em criar e gerir essa área dentro do hospital do que apenas mexer com os medicamentos. Foi quando seu lado empreendedor começou a dar as caras.

A cada nova unidade de negócio e processo que ia implementando, mais gente do setor de saúde prestava atenção. Rafael começou a ser chamado por hospitais de vários estados para prestar consultoria, até que começou a ter dificuldades de conciliar todas as suas demandas e seu próprio emprego. “E se eu sair, abrir uma empresa de consultoria, contratar mais profissionais da área e passar a prestar serviços para esse e outros hospitais?”, ele pediu opinião ao antigo chefe. Ótima ideia, ele endossou – e assim nasceu a Radiofármacos, primeiro negócio de Rafael, em meados dos anos 90.

A grande oportunidade

O mercado de medicamentos radiofármacos, na época, era dominado por multinacionais: alta qualidade, preço alto também. Uma decisão do governo, no entanto, fez com que elas fugissem. O setor público começou a abastecer o mercado com produtos subsidiados, muito mais baratos, e as estrangeiras se retiraram. Na outra ponta, Rafael, no preparo dos medicamentos, percebia a queda de qualidade. Em paralelo, a PUC-RS estava criando o Tecnopuc, um enorme espaço de interação das empresas de tecnologia com a academia.

A lanterninha empreendedora acendeu: Rafael poderia produzir os medicamentos da gringa, mas sem todas as barreiras que existiam para eles mesmos produzirem em solo brasileiro. Como? Importando a tecnologia deles para uma fábrica própria. Onde? No mais novo parque tecnológico da cidade.

Mas ninguém disse que seria fácil. Primeiro que, para uma startup montar uma indústria farmacêutica, só de ar condicionado os custos ficam em torno de um milhão de reais. Depois, que Rafael não sabia nem por onde começar.

Bom, quando você sabe que não sabe, você procura saber. Rafael se capacitou em gestão como podia e fez um curso do Sebrae onde aprendeu a construir seu plano de negócios. Saiu de lá com três páginas escritas e apresentou para seu ex-chefe. “Ele nem leu, mas acreditou em mim e entrou como investidor anjo”, diz.

Investimento em mãos, começaram a produção. No primeiro momento, copiaram a formulação do medicamento de uma concorrente, que havia acabado de perder aquela patente. Conseguiram comercializar o genérico do produto com preço a pelo menos ¼ do original. O segredo foi simplesmente subtrair do valor as margens abusivas, e um frasco que custava originalmente R$1.000,00 passou a ser vendido pela RPH por R$230,00. Com isso, a RPH ganhou 80% do mercado da concorrente.

Dessa forma, conquistaram seu espaço e usaram esse medicamento como case para começar a formar um pipeline de inovação, observando o que estava acontecendo no mundo: “Batíamos na porta dos laboratórios gringos e dizíamos que queríamos trazer a tecnologia deles pro Brasil – nunca por importação de produto, mas pelo pagamento de royalties”. As multinacionais começaram a ver, então, na RPH, um parceiro que serviria de porta de entrada para um mercado que era bastante atraente, mas muito burocrático e custoso.

Eis que a RPH começou a ganhar força: contratos iam sendo fechados, fundos de investimento iam batendo na porta e as viagens e os happy hours com clientes iam tomando conta da rotina do Rafael. Só que ele esqueceu que tinha uma empresa de pequeno porte, com só 10 funcionários e faturamento de R$50mil por mês. Esqueceu também que tinha outras vidas para viver – a da família, dos amigos, da saúde…

“Preciso retomar o equilíbrio”

Rafael encontrou, no esporte, uma forma de recuperar o controle sobre sua rotina. Ele abdicou de alguns negócios em que estava, do maço de cigarros que fumava todo dia, e mergulhou no mundo do triathlon.

A competitividade desse ambiente o encantou. Claro, nos negócios é a mesma coisa. “No esporte, toda hora seu cérebro tá dizendo: ‘para, isso aqui é horrível, você está se destruindo, não tem por que fazer isso’. Como empreendedor, você abre o jornal todo dia de manhã e vê que os impostos aumentaram, depois é o concorrente que tira seu cliente, o funcionário que pede demissão… a semelhança é gritante”.

Mas também por conta do esporte, ele começou a ver desafios com mais clareza e maior possibilidade. “É questão de traçar uma meta e montar uma estratégia”. E sim, ele vive o que diz – em menos de dois anos, Rafael mudou completamente de vida.

Do sobrepeso e forte hábito de fumante, se tornou um homem de ferro: participa da modalidade de longa distância do triathlon, o IronMan.

A prova que compreende 3,8km de natação, 180km de ciclismo e 42km de corrida, sem intervalos. Por incrível que pareça, Rafael diz que sua produtividade só aumentou depois da mudança de hábitos. Agora, ele tem tempo para pensar. E se ele tem tempo para pensar, a RPH tem tempo para impactar mais vidas.

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, Endeavor Brasil, Time de Conteúdo

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