“Os empreendedores de alto impacto são cabeças de chave da transformação”

Camilla Junqueira

Nesse episódio do Playbook, podcast da Astella, os mentores Daniel Chalfon e Edson Rigonatti conversam com a diretora-geral da Endeavor, Camilla Junqueira.

Dê o play no podcast abaixo e entenda nesse bate-papo o que muda — e o que nunca vai mudar — na estratégia de atuação da Endeavor!

Sou publicitária de formação, mas lembro que, desde os 13 anos, trabalhei com empreendedores. Minha mãe e a esposa do meu pai já empreenderam e, nessa experiência com elas, fui entendendo o que era esse universo. Depois de formada, trabalhei em agências de publicidade, sempre como Atendimento, durante alguns anos. Mas, com o tempo, fui desacreditando do modelo e perdendo o senso de propósito.

Foi a prática da Ioga, que comecei aos 18 anos, que me levou a tomar uma decisão: viajar para a Índia.

Por lá, tive o primeiro contato com uma ONG, me envolvendo na alfabetização de crianças que viviam em situação de vulnerabilidade social. Depois desse período, fui morar em um Ashram, uma espécie de monastério. O que era para ser uma experiência de quatro meses transformou-se em uma vivência de um ano e meio

Lembro até hoje que, na ida para a Índia, li O Banqueiro dos Pobres, no caminho. Lá também tive a chance de conhecer o Muhammad Yunus. Esse contato mudou minha forma de enxergar o mundo.

De volta ao Brasil, parti em busca de oportunidades para trabalhar com impacto social. Foi assim que conheci a Marcela Coelho que, em 2013, liderava a Semana Global do Empreendedorismo.

Nesse momento, começa minha história com a Endeavor.

Entrei para tocar um projeto especial de aceleração de empreendedores da base da pirâmide. Mas acabei me encantando pelo empreendedorismo de impacto.

Qual foi seu primeiro choque nessa transição?

A grande beleza da Endeavor — e o que mais me surpreendia — era olhar para o lado e perceber que só existiam pessoas melhores que eu. A barra sempre foi muito alta. As pessoas eram extremamente conectadas com os empreendedores que, na época, já eram os melhores do Brasil. Essa rotina te força a ser uma versão melhor de si mesma todos os dias.

Me aproximar dos empreendedores tinha um efeito parecido. Naquele programa, conheci o Thomaz Srougi, Empreendedor Endeavor do dr.consulta, quando ele estava ainda na primeira clínica. Conviver com esses empreendedores, ouvir o sonho deles, descobrir o que querem construir e ver que aquilo ainda não é verdade, mas que eles têm toda condição de fazer, é muito inspirador.

Essa energia dos empreendedores e do time me alimenta até hoje.

Nesse novo ciclo da Endeavor, o que muda?

Como ONG, nós nos movimentamos de acordo com a necessidade do ecossistema. Ele mudou muito nos últimos 18 anos, por isso nossa atuação também.

Lá no começo, em 2000, o empreendedorismo não existia no dicionário. De lá para cá, vivemos um ciclo de expansão para disseminar o empreendedorismo de alto impacto, mostrando para o país quem são esses empreendedores que crescem a taxas altíssimas todo ano. Esse trabalho nos levou a alcançar 7 milhões de pessoas no portal só no último ano, um passo importante para darmos na consolidação desses exemplos.

Quando começamos a pensar sobre o novo ciclo dos próximos quatro anos, no final de 2017, percebemos como o empreendedorismo está fervilhando hoje. Que bom! Com isso construído, nós nos perguntamos: qual é o papel da Endeavor daqui em diante?

Entendemos que nossa essência não mudou: continuamos apoiando diretamente empreendedores que são protagonistas da transformação. Eles criam um ciclo virtuoso, abrem outros negócios, inspiram seus funcionários a sair e também criar novas empresas, investem em outras gerações…

Essa sempre foi nossa crença do que é o empreendedor de alto impacto.

Os empreendedores de alto impacto são cabeças de chave da transformação do ecossistema.

Mas nós entendemos também nessa reflexão que temos uma oportunidade de apoiar mais empreendedores. Hoje, mais de 200 empresas passam pelos nossos programas de aceleração todo ano, dando volume e escala ao trabalho de apoio que já é realizado com os Empreendedores Endeavor, cerca de 60 empresas ativas que recebem apoio direto.

Além disso, entendemos que é nosso papel educar o ecossistema. Aproximar o empreendedor da grande empresa e vice-versa.

Então, como fazemos isso para além do nosso universo?

A Endeavor só se torna relevante para um ecossistema empreendedor que está mudando, se ela mudar junto.

Precisamos, antes de tudo, trazer tecnologia e aumentar a eficiência do trabalho que fazemos de combinar o mentor certo para o empreendedor que precisa de apoio. Essa é a essência do nosso trabalho — e sempre será.

Por outro lado, vamos também apertar o botão turbo no trabalho de Políticas Públicas que iniciamos nos últimos anos. No final do ano passado, fizemos uma pesquisa em parceria com a consultoria BCG que mapeou os principais desafios dos empreendedores no ambiente de negócios brasileiro.

O resultado desse estudo nos levou a 4 bandeiras que necessitam de mudanças sistêmicas:

  1. Abertura, regularização e fechamento de empresas: maior agilidade nos prazos e aprovações
  2. Simplificação tributária: regras mais claras e eficiência nos processos
  3. Acesso a Capital: facilidade de concessão de empréstimos nos bancos públicos e agências de fomento
  4. Inovação e Propriedade Intelectual: diminuição do tempo de aprovação de uma nova patente que chega a 10 anos.

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Com as Eleições logo adiante, nosso trabalho agora é levar essa Agenda aos presidenciáveis, garantindo que o tema será pauta dos debates e do trabalho de quem for eleito. Para isso, mobilizamos tanto nossa rede de mentores, empreendedores e embaixadores, quanto a sociedade civil.

O que muda no mindset dessa nova geração de empreendedores?

Nós buscamos os empreendedores que serão os grandes cases do futuro. E para eles, a tecnologia está cada vez mais na essência do negócio. Isso não tem volta.

Hoje, os negócios mudaram completamente. Mesmo que você tenha um produto muito bom, em dois anos ele pode não ser o melhor. Estará obsoleto. Esse novo mundo exige de nós outras habilidades como conhecimento sobre a experiência do usuário, sobre produto, uso de dados… e não apenas a capacidade de gerar muita eficiência, como era antes.

Nós enxergamos nesses novos empreendedores uma cabeça que está muito lá na frente, uma capacidade de se reinventar constantemente — que não era a máxima de antes. Hoje todo empreendedor, por mais consolidado que pareça, não está em uma situação estável. Ele sabe que o negócio pode acabar amanhã. E não tem apego ao que existe hoje, está em constante transformação. Esse espírito empreendedor, que sempre existiu na história, nunca esteve tão forte quanto agora.

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Essas são empresas que crescem muito rápido e, por isso, têm uma série de dores muito específicas. São as chamadas scale-ups, empresas que vivem um ritmo muito diferente das outras. Quando começamos a falar delas, criamos uma comunidade de empreendedores que se identificam, que trocam entre si e que começam a se perguntar — para além do crescimento — qual é o papel deles na transformação do país?

Essa é nossa principal provocação para o próximo ciclo da Endeavor: despertar no empreendedor o poder multiplicador que ele tem para transformar o ecossistema.

E que venham os próximos 4 anos!

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Essa produção foi gravada no estúdio AudioArena e é uma realização de: