Reposicionar para ressignificar: o que aprendemos com a nova marca do Day1

Endeavor Brasil
Endeavor Brasil

A Endeavor é a organização líder no apoio a empreendedores de alto impacto ao redor do mundo. Presente em mais de 30 países, e com 8 escritórios em diversas regiões do Brasil.

Chega um momento na história de toda empresa que a marca precisa ser ressignificada para acompanhar a visão de futuro. Com o Day1, nosso evento de inspiração, o processo foi assim. Nesse artigo, contamos os bastidores do reposicionamento – e o que os empreendedores podem aprender sobre ele.

Nos últimos anos, nós observamos o surgimento de empresas que fazem do branding parte importante do seu DNA. Nesses negócios, a personalidade, o tom de voz, o posicionamento e o modo de expressão são coerentes não só com a identidade verbal e visual, mas principalmente, com os objetivos do negócio e o propósito da organização. Em determinado momento, quando o crescimento é acelerado e a empresa ganha escala, considerada, então, uma scale-up, a pergunta mais importante que o empreendedor deve se fazer é:

Como a marca pode potencializar minha empresa?

Será que ela está limitando nosso crescimento? Será que está comunicando tudo o que precisamos comunicar?

Em alguns casos específicos, a mudança da organização também reflete a da marca. Você pode observar que, nesses momentos descritos abaixo, a reflexão sobre o branding da sua empresa torna-se mais necessária.

Uma marca sempre é aquilo que as pessoas dizem sobre ela, e não apenas o que ela diz sobre si mesma. Por isso, a resposta se encontra na percepção dos diferentes públicos que orbitam a sua marca: dos conselheiros aos consumidores, passando pelo time, pelos sócios e também pelos investidores.

Mas, se depois dessa fotografia, o empreendedor tem consciência da distância entre a percepção geral da sua empresa e aquela desejável, como construir a ponte que vai te levar de um lado para o outro?

Em outras palavras, como reposicionar uma marca para atender aos objetivos estratégicos?

Nós passamos por esse processo ao lado da Interbrand para ressignificar o Day1 como plataforma de histórias de inspiração para empreendedores. Em oito anos, já foram mais de 70 histórias contadas por grandes nomes do empreendedorismo sobre o Dia 1, aquele dia que muda toda a história. Todo esse conteúdo é transmitido ao vivo pela internet, além de reunir mais de mil pessoas presencialmente em lugares icônicos de São Paulo como Auditório do Ibirapuera, Sala São Paulo e MIS. E, após o evento, o conteúdo se transforma em um acervo no nosso canal do YouTube que já conta com vídeos que ultrapassam 1 milhão de visualizações.

As vivências desse projeto são aprendizados ricos para qualquer empreendedor que esteja vivendo desafios de branding. Essa é uma forma de conhecer os bastidores de um reposicionamento de marca e entender qual o momento certo de aplicá-lo para a sua empresa.

Day1: de um evento a uma plataforma

Daniella Bianchi, diretora-geral da Interbrand São Paulo e mentora Endeavor, conta que “o time de Comunicação da Endeavor chegou até nós com um desafio claro: o Day1 precisava ser mais do que um evento anual de histórias. Era preciso transformá-lo em uma plataforma de troca e inspiração. A grande referência, até então, era o TED e seu conteúdo multiplataforma que o torna vivo o ano inteiro.”.

Entrevistas internas e externas, análise de benchmarks e tendências e entendimento da Endeavor marcaram a primeira fase do projeto

“Com esse briefing em mãos, mergulhamos no universo da Endeavor para entender o que significava o Day1. Essa é a fase de investigação e análise de um projeto de Branding, o momento de fazer entrevistas com stakeholders. Conversamos com palestrantes de eventos anteriores, time envolvido, liderança da organização, espectadores, empreendedores…”, explica o diretor de Estratégia e Avaliação de Marcas da Interbrand, André Matias.

Nesse momento, é preciso coletar as percepções de vários públicos diferentes.

O insight é um entendimento claro e profundo de uma necessidade ou aspiração do público.

Além das entrevistas, o time envolvido no projeto assistiu à vários vídeos de Day1, pesquisando também concorrentes e benchmarks de outras plataformas e eventos, para entender as tendências no Brasil e lá fora. Em paralelo, também se aprofundaram na estratégia da Endeavor como organização, já que um é filhote do outro. Se nós como organização estamos indo por um caminho, com uma estratégia de futuro determinada, como o Day1 se encaixa nesse plano?

A partir desse levantamento, marcamos um Workshop com as pessoas-chave envolvidas no Day1. Esse é o momento de apresentar as descobertas da fase de diagnóstico e discutir alguns caminhos já pensados de reposicionamento. Nele, nós exploramos três coisas:

  1. Público: para quem é feito o Day1?
  2. Futuro: o que é o Day1 hoje e para onde queremos levá-lo?
  3. Prática: como o posicionamento teórico do Day1 se desdobraria no comportamento das pessoas, no evento, na forma de patrocínio e em tudo que fazemos ao redor dele?

Nesse ponto do processo, “nós montamos uma lousa em branco com duas colunas: o que é o Day1 hoje e o que gostaríamos que fosse no futuro. André conta que, “de todos os workshops que fizemos, esse foi aquele com maior volume de post-its da história! Todo mundo tinha uma visão e um sonho grande para o evento ter ainda mais impacto.

E era nossa lição de casa compilar, sintetizar e traduzir essa visão em uma plataforma de marca.”

Nela, definimos:

Público: quem são as pessoas que queremos impactar?

Posicionamento: que espaço o Day1 ocupa no mercado?

Personalidade: quais são as características que explicam o posicionamento?

Promessa: como eu resumo a entrega dessa marca de forma inspiradora? Essa é uma frase inspiradora e potente que vai guiar tudo que vier a seguir.

Com ela, entendemos que o Day1 é mais que um evento, ele é também:

Tudo isso nasceu dessa reflexão coletiva sobre o que o evento representava para além das histórias contadas pontualmente.

Em resumo,

Um simples exemplo pode mudar a jornada de um empreendedor.

Dessa forma, a estratégia criou as bases para a experiência, ou seja, o modo como cada público iria perceber a marca a partir dali. Estamos falando aqui de identidade verbal e visual.

Identidade visual: como se expressa visualmente? Envolve um guia de logo, cores, ícones, estilo fotográfico e ilustrações.

Identidade verbal: como a marca fala e escreve? Envolve tom de voz, mensagens-chave e território de palavras.

Escolhido o caminho da identidade verbal e visual, o time da Interbrand traduziu as ideias em materiais e canais que já poderiam ser aplicados no evento seguinte, que aconteceu em maio desse ano.

Colocar o palestrante como protagonista da fala, trabalhar com o significado da palavra “exemplo”, explorar as possibilidades do dia 1 foram algumas das mudanças verbais da marca.

Interbrand case Day1

Já o novo logo usou as aspas como inspiração para o D e as cores mais vibrantes marcaram essa virada visual do evento.

Interbrand Case Day1 novo logo

Daniella explica também que “esse guia foi entregue na forma de um Território de Marca, o conhecido brandbook, com sugestões de aplicação e o registro do porquê tudo aquilo foi pensado e construído. Em seguida, fazemos workshops com diversos stakeholders daquela marca, dos criativos que trabalham em agências parceiras ao time de Vendas, para disseminar essa identidade em tudo que a marca faz.”

Em alguns casos, essa transição é mais brusca e exige um planejamento anterior. André explica que já atendeu marcas que passaram um ano trabalhando a comunicação interna para preparar os funcionários para a mudança que viria a seguir. Assim, a virada de chave seria mais suave internamente e com mais impacto para o público final.

O mais interessante no trabalho de reposicionamento de marca é observar como cada elemento é intencional. Nenhuma linha, ou palavra, é utilizada em vão. E é essa consistência que passa a ser percebida pelo público construindo camadas de entendimento sobre o que a sua marca é, pensa e faz.

Os projetos mais interessantes transformam o Território de Marca em um guia para a estratégia do negócio, inspirando outras áreas para além da Comunicação. É por isso que o trabalho de engajamento das lideranças, como embaixadores da marca, é fundamental. Assim, o brandbook não é engavetado na mesa do Marketing e ganha vida por todos os pontos de contato da sua empresa, inspirando da assinatura de e-mail ao UX do aplicativo.

E você, ficou curioso para ver na prática a mudança de posicionamento do Day1? No dia 29 de outubro acontece a edição especial da Semana Global do Empreendedorismo. Cada detalhe do evento foi pensado para ser veículo da causa que tanto acreditamos: a de que um exemplo pode mudar a trajetória de alguém.