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Só uma pessoa é tão admirável quanto o apresentador Silvio Santos: o empreendedor Silvio Santos

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Aos 14 anos, Silvio Santos já se virava como ambulante nas ruas do Rio de Janeiro. Aos 32, assumia o Baú da Felicidade. Conheça aqui a trajetória deste espetacular empreendedor brasileiro.

Carisma inigualável, familiaridade extraordinária com o povo e imenso talento para os negócios: são raras, raríssimas as ocasiões em que essas qualidades andam lado a lado. Na verdade, talvez não seja exagero dizer que somente em um caso recente isso tenha ocorrido com tamanho sucesso: naquele do apresentador de TV mais famoso do país, e de uma das personalidades mais queridas de todos os brasileiros – Silvio Santos.

Afinal, pode perguntar para qualquer pessoa que você conhece: e o dia em que o Brasil perder o Silvio Santos? Gostando ou não dele, a pessoa muito provavelmente vai fechar a expressão, estremecer de leve, encolher os ombros e dizer, com ar agourento: “Puxa, vai ser complicado…”

Pudera. Silvio Santos não é apenas amado, é praticamente “imorrível”; trata-se um dos poucos casos em que alguém alcança o status de lenda ainda em vida. E isso por conta de uma história sensacional, que se confunde com a do próprio país já há décadas. Desde os anos 70, milhões e milhões de brasileiros encerram o domingo ao lado dele. E isso no canal de TV por ele criado e que, durante muito tempo, rivalizou com a maior emissora nacional, detentora de uma infra-estrutura muito mais completa.

Ocorre, entretanto, que esta é apenas uma das faces de Silvio Santos. O dono da risada mais imitada do país é também um empreendedor do mais alto quilate, um criador de empresas bem sucedidas nos mais diversos ramos. Montou um império que reúne emissoras de TV, empresas de cosméticos e financeiras, e até um hotel.

Tudo isso compõe uma trajetória absolutamente inspiradora para qualquer gestor, não importando o tamanho da organização. Uma história que, ainda que de forma resumida, resolvemos compartilhar com você.

Rio de Janeiro: Bairro da Lapa, 1930…

Vinha ao mundo, em 12 de dezembro, o filho de dois imigrantes judeus oriundos do antigo Império Otomano (o pai, Alberto, nasceu em uma cidade que hoje pertence à Grécia; e a mãe, Rebecca, de uma cidade hoje na Turquia), batizado Senor Abravanel.

A família era numerosa: o pequeno Senor tinha cinco irmãos. Desde cedo foi fascinado por cinema e, acompanhado por Leon, o mais novo, sempre dava um jeito de ir de graça às sessões da Cinelândia.

Jovem ambulante de voz trovejante

Foi por essa época, aí com 14 anos, que Silvio Santos, então Senor, teve o primeiro ímpeto empreendedor: durante as perambulações pelo centro do Rio, deparou-se com um sujeito vendendo capinhas para proteção de título de eleitor.

Resolveu fazer o mesmo, sempre acompanhado pelo irmão. Mas a repressão policial aos ambulantes era dura, e os dois só conseguiam vender suas capinhas por 45 minutos, durante o almoço dos oficiais.

Embora por um tempo curto, a voz já potente do garoto chamou a atenção. Então, veio o convite para fazer um teste na rádio Guanabara – ele passou em primeiro lugar, à frente até de um sujeito que também estava dando seus primeiros passos: Chico Anysio.

Mas o trabalho de ambulante rendia mais, e ele logo saiu da rádio para voltar a vender nas ruas.

Visão precoce para oportunidades

Depois de ser convocado para o exército e começar uma carreira militar (serviu na Escola de Paraquedistas, onde até chegou a realizar alguns saltos), a carreira de camelô ficou um pouco deslocada. Então, enquanto não estava fardado, Silvio Santos arranjou um emprego como locutor em uma rádio de Niterói, para dar uma força na renda.

Tendo que pegar, todos os dias, a barca para atravessar a Baía de Guanabara, Silvio teve uma ideia: montar um serviço de autofalante no transporte. Tocava músicas e, entre uma canção e outra, ele vendia alguns produtos.

Deu tão certo que logo todas as barcas contavam com o serviço. Algumas até aprimoraram, e instalaram um bar e um bingo – por iniciativa, claro, do jovem Silvio Santos.

Rumo a São Paulo e ao grandioso destino: o Grupo Silvio Santos

Aos 20 anos, o jovem e desenvolto radialista resolveu arriscar a vida em São Paulo. Uma vez na capital, Silvio Santos virava-se apresentando espetáculos e sorteios em caravanas de artistas. Foi por essa época que se tornou amigo do também radialista Manuel da Nóbrega (pai do apresentador da “Praça é Nossa”, Carlos Alberto), que tinha dificuldades para administrar uma empresa de venda de brinquedos a prazo. O nome? “Baú da Felicidade”.

Tratava-se de um sistema de carnês em que o cliente pagava as prestações de uma caixa de brinquedos ao longo do ano, e recebia os produtos na época do Natal. Nóbrega havia vendido muitos carnês, mas estava com dificuldade para entregar as mercadorias. Então, pediu a ajuda de Silvio para resolver a situação antes de fechar a empresa.

Acontece que o faro de Silvio Santos funcionou mais uma vez. Ele viu uma grande oportunidade, e assumiu o controle total do Baú. Era o início do que, em 1962, viria a se tornar o Grupo Silvio Santos.

Próximo passo: a TV

Com o negócio de vento em popa, Silvio Santos resolveu dar mais um importante passo: em 1961, com trinta anos, estreou seu programa de TV, chamado “Vamos brincar de forca”. Tendo Senor adotado de vez o nome artístico, a atração depois foi rebatizada como “Programa Silvio Santos”: nela, o apresentador aproveitava para fazer propaganda de seu Baú.

A empresa já não distribuía só brinquedos e eletrodomésticos, mas uma enorme gama de produtos – e fazia muito sucesso. A ponto de Silvio Santos ter de criar uma série de empresas para suprir as demandas do Baú: a Baú Construtora, a concessionária Vimave e a Marca Filmes são alguns exemplos.

O tão sonhado canal próprio

Atuando ao mesmo tempo apresentador e empresário bem sucedido, Silvio Santos começou, nos anos 70, a sonhar com a própria emissora. Um sonho que se realizou em 1975, quando ficou em primeiro lugar na concorrência para o Canal 11, do RJ. Com mais de 13 mil funcionários e investimento inicial de 10 milhões de dólares, começava a operar a TVs.

Seis anos depois, Silvio ganhou a concessão de mais quatro emissoras que, juntas, foram rebatizadas como Sistema Brasileiro de Televisão, o SBT. Assim, o empresário conseguiria vender seus produtos e serviços a custos quase ínfimos.

A tentação da política

Nos anos 80, a popularidade de Silvio Santos era tamanha que não foram poucos os convites para que entrasse na política. A ponto de quase sair candidato à presidência em 1989 – chegou a fazer campanha no SBT, mas o projeto não foi à frente; a candidatura foi barrada devido a ser ele o proprietário de uma concessionária de TV.

Daí em diante, Silvio Santos se dedicou a consolidar e expandir o SBT, o que fez com sucesso. Nos anos 2000, porém, voltou a se aventurar em novas áreas. E acertou de novo: em 2006 lançou a Jequiti Cosméticos e, em 2007, abriu as portas do Sofitel Jequitimar Guarujá, um luxuoso hotel no litoral paulistano.

Tempos de crise

Depois de décadas e décadas de céu de brigadeiro, porém, as nuvens agourentas se acumularam. No começo da década de 2010, o Grupo Silvio Santos passou por maus bocados: foi descoberto um rombo de R$ 4,3 bilhões no Banco PanAmericano, o que levou o empresário a cogitar vender todo o seu império e ir morar nos Estados Unidos.

O projeto acabou não vingando. Silvio empenhou várias de suas empresas, quitou a dívida e apostou todas as suas fichas na Jequiti. Mais uma vez o faro se provou certeiro: a marca vem crescendo cerca de 20% ao ano, o dobro da taxa registrada pelo setor de cosméticos.

Passados quatro anos da crise, o Grupo continua firme, com ótimas perspectivas. E embora Silvio Santos já acumule 84 anos dessa história espetacular, continua ativo não apenas na gestão dos negócios, mas também na apresentação de seus programas. Ou seja, tudo indica que o Brasil ainda poderá curtir, por um bom tempo, este inigualável exemplo de carisma e empreendedorismo.

Mais informações

No vídeo abaixo, você acompanha trechos da palestra que Silvio Santos deu em comemoração aos 30 anos do SBT, com dicas de empreendedorismo:

E esta matéria da InfoMoney traz mais informações sobre o empreendedor Silvio Santos.

 

A Endeavor é a organização líder no apoio a empreendedores de alto impacto ao redor do mundo. Presente em mais de 20 países, e com 8 escritórios em diversas regiões do Brasil.

Acreditamos que a força do exemplo é o caminho para multiplicar empreendedores que transformam o Brasil e por isso trazemos aprendizados práticos e histórias de superação de grandes nomes do empreendedorismo para que se disseminem e ajudem empreendedores a transformarem seus sonhos grandes e negócios de alto impacto.

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3 Comentários

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  1. juliana santos lemos camargo - says:

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    Parabéns a Endeavor, para nós que somos novos empresários vê uma matéria dessa e muito importante, nós deixa mais valente.

  2. Rogério Toni Loureiro - says:

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    Na matéria há um erro. Ele chegou a ser candidato mas a sua candidatura foi suspensa por que o seu partido (não me lembro qual era) estava irregular e não por que ele era proprietário de uma emissora de TV. Foi uma armação escancarada de evitar sua candidatura pelos políticos brasileiros.

  3. maria marlene cardoso alves - says:

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    Grande Exemplo de empreendedor, que uniu a inteligência e a força de vontade, aliançados a essa perseverança nata dos Brasileiros que não desistem com facilidade. Usando as habilidades e dons naturais com muita coragem para driblar uma concorrência gigantesca e se firmar atingindo seus objetivos. Essa garra só tem quem está disposto a vencer, cortejando todos os obstáculos.

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