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Seu negócio realmente precisa de um aplicativo? Pense de novo

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Será que os aplicativos são a melhor saída para o seu negócio?

Apesar de serem parte importante da nossa rotina, aplicativos não são a resposta definitiva para todas as estratégias digitais de negócio. Saiba quais alternativas podem ser mais adequadas ao seu caso

“There is an app for that. There is an app for anything”. Esse era o mote de uma das campanhas da Apple lá por 2008, quando a companhia lançou o seu iPhone 3G e inaugurou a sua plataforma de distribuição de aplicativos — a App Store. Quase dez anos depois, centenas de novos negócios começaram e acabaram, grande parte deles usando um app como interface entre marcas e usuários. Nos tornamos super heavy users: elegemos nossos apps favoritos, aqueles que preenchem os vazios de nossas agendas ou garantem que não fiquemos por fora de nada que faça sentido em nossas rotinas.

O resultado? A percepção de que aplicativos necessariamente fazem parte da resposta para todo e qualquer estratégia digital de negócio. O que muitos empreendedores e empresas falham em perceber é que utilizar aplicativos em estratégias de produtos digitais traz, também, grandes desafios e complicadores. Apps precisam ser comunicados, encontrados, baixados, mantidos nos dispositivos dos usuários e, principalmente, fazer sentido em suas vidas. Pouco adianta ter uma aplicação com uma bela experiência de produto, bem amarrada, com funcionalidades mil, se essa experiência não estiver inserido na rotina das pessoas.

Quantos apps você já baixou, usou uma vez e nunca mais voltou para fazer alguma coisa? E se não for para usar, para que então guardar? Alguns estudos realizados por institutos como o Pew Research Institute, por exemplo, indicam que boa parte dos americanos só utilizam mesmo entre 6 a 10 apps de toda sua lista de aplicações no smartphone. E mesmo com uma rotina rica em notificações, um set completo de informações ou atividades que consigam compreender o comportamento do usuário, competir com Facebook, e-mail, Whatsapp, Snapchat, Uber, games, ou tantos outros exemplos, é um grande desafio.

Trata-se de algo que requer estratégias de ativação e de manutenção de relacionamento, além de uma cultura aquecida de evolução do produto, que garanta a eliminação dos bugs e a busca por uma alta qualificação nas lojas de apps, por exemplo. Por mais que dezenas de frameworks nos auxiliem a tomar decisões e escalar produtos de forma responsável, esse desafio não pode ser subestimado.

Por último, é importante ressaltar que smartphones possuem uma limitação relevante: espaço para armazenar dados. Quem troca mensagens, salva arquivos, músicas, grava vídeos e recordações em imagens a todo instante, sabe como é importante resguardar um espaço na memória do seu dispositivo. Mesmo que a relação com nossos gadgets nos faça criar uma rotina de backups, espaço em disco é uma necessidade quase premium. Manter um app instalado, nesse caso, é uma decisão relevante.

No relacionamento entre marcas e usuários, nem sempre faz sentido que os primeiros exijam que os últimos baixem aplicações para fazer uso de algum recurso ou serviço. Esse tipo de produto digital faz mais sentido quando se pretende desenvolver um relacionamento constante com os usuários, criar um vínculo que se transforme em hábito. Ou seja:

Quando falamos em produtos digitais, nem tudo precisa ou pode ser resolvido com um aplicativo.

A boa notícia é que, atualmente, grande parte dos recursos dessas interfaces podem ser explorados sem que usuários precisem baixar e manter aplicações instaladas em seus dispositivos.

Physical Web

Há algum tempo o Google disponibiliza uma de suas iniciativas que tem como objetivo facilitar interações entre o mundo físico e o digital. Chamada de Physical Web, a plataforma permite interações rápidas e contínuas entre localizações e objetos físicos. Por meio de URLs transmitidas por objetos em um ambiente, utilizando um tipo específico de Bluetooth (o BLE Bluetooth Low Energy), dispositivos podem facilmente oferecer experiências ricas e integradas.

Na prática, essa tecnologia facilita o processo de digitalização de experiências dentro de ambientes, como pedir sua cerveja no bar sem precisar implorar pela atenção do garçom, pagar o ticket do estacionamento de qualquer lugar do shopping sem necessitar encarecer o custo com tecnologia, ou fazer o checkout no hotel sem passar por filas. Além de alternativas a aplicativos, servem como um exemplo como a mobilidade e os ambientes inteligentes podem ser explorados com menos camadas de atrito para os usuários.

Progressive Web Apps

A web pode ser uma ótima alternativa a aplicativos, o problema é que, atualmente, grande parte das suas experiências mobile ainda são lentas, pouco otimizadas, sem imersão. Iniciativas como o Instant Articles do Facebook, Moments do Twitter, Accelerated Mobile Pages do Google são exemplos de soluções que tentam contornar o problema e oferecer uma experiência mais contínua aos usuários.

Discussões sobre aplicativos web X aplicativos nativos ou sites responsivos que funcionem tão bem quanto aplicativos não são nenhuma novidade. O que poderia, talvez, ser chamado de novidade são os Progressive Web Apps, sites que conforme o engamento dos usuários vão ganhando relevância podendo fazer uso de recursos do device que até pouco tempo somente aplicativos conseguiam explorar.

Como o próprio Google define, PWA’s oferecem aos usuários experiências mais rápidas, que permitem interações com animações mais suaves, carregadas de forma quase que instantânea, oferecendo uma experiência mais imersiva e confiável.  Esses sites, ou aplicativos progressivos, não requerem que os usuários façam o download através da Play Store ou da Apple Store, eliminando outras barreiras como ter de efetuar atualizações para ter alguma funcionalidade. Até mesmo o uso do velho e bom link pode ser explorado.

Redes Sociais, Chatbots e Internet das Coisas

Outro tema super relevante nessa discussão é a utilização das próprias redes sociais como interface. O Facebook, por exemplo, com seus chatbots — ou até mesmo formatos de publicidade ricos, como o canvas – permite que tarefas e necessidades dos usuários sejam endereçadas sem fazer com que o usuário saia desses ambientes. Esses recursos, em boa parte dos casos, exigem investimentos muito menores, com soluções mais simplificadas e de maior velocidade de implementação.

Além disso, algo que vai ser uma realidade em breve, até mesmo no Brasil, é a necessidade de e empreendedores darem conta de todo um ecossistema de dispositivos inteligentes, o que vai necessitar diferentes interfaces e protocolos de informação — a tal Internet das Coisas. Trata-se de uma dinâmica que não deve fazer uso da tradicional lógica de apps, mas sim de protocolos abertos, com menos atritos, especialmente em ambientes que não sejam a casa do usuário — nesse contexto, é provável que apps sejam, de fato, a melhor alternativa já que têm a ver com uso contínuo.

Ao infinito e além

Paul Adams, VP de produtos na Intercom — empresa que explora soluções para otimizar a comunicação entre marcas e pessoas — é um dos tantos evangelistas sobre como o conceito de apps precisa ser resignificado. Segundo ele, a lógica de utilizar apps como destinos não faz muito sentido no futuro da indústria.

“Em um mundo com diferentes telas e dispositivos, o conteúdo precisa ser quebrado em unidades atômicas de forma que possa se trabalhar de forma agnóstica quanto ao tamanho de telas e plataformas de tecnologia”, afirma. Ele cita o exemplo do Facebook que já não é um site ou um app, mas um ecossistema integrado de objetos (pessoas, fotos, vídeos, comentários, negócios, marcas), agregados de diferentes formas ao longo da timeline dos usuários, distribuídos para uma infinidade de dispositivos.

Enfim, a grande provocação é que a tecnologia, com sua internet das coisas, wearables, sensores, inteligência artificial, centenas de telas, outros modelos de interação, entre outras traquitanas, nos empurra para um contexto que vai nos permitir passar da fase da “cabeça enfiada na tela de seu smartphone”.

Vamos continuar tendo, durante muito tempo, provavelmente, apps para qualquer tipo de coisa. Ao mesmo tempo, é fundamental o questionamento de que nem sempre essa vai ser a melhor solução para negócios — algo ainda mais relevante quando se fala daqueles que estão sendo criados agora. É preciso explorar as fronteiras deste universo, descobrir qual conjunto de soluções mais se encaixa em seu momento estratégico e o que vai estabelecer a melhor conexão com seus usuários. Aliás, deve ter algum app que ajude a pensar nisso.

, Huge Brasil, Diretor de Estratégia e Criação
Luciano Pouzada é Diretor de Estratégia e Criação da Huge no Brasil, uma agência digital global que oferece serviços de UX, design, estratégia, marketing e tecnologia para algumas das maiores e mais conhecidas marcas do mundo. Seu foco é aliar com sucesso as necessidades dos usuários com metas de mercado, criando experiências digitais revolucionárias para os seus clientes. Fundada em 1999, a Huge pertence ao Interpublic Group, atua no país desde 2011 e também possui escritórios nos EUA, na Europa, América Latina e Ásia.

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1 Comentário

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  1. Ricardo juliao - says:

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    Luciano Parabéns pelo artigo, show de bola!
    Guerra Da Sedução Destruindo a Friend Zone

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