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Seleção de Ideias exige Pragmatismo

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“Uma ideia só é considerada uma inovação se virar uma nota fiscal!”

Já vimos em outros artigos que as ideias podem vir de diversas origens: das dinâmicas internas de criação, de colaboradores, de fornecedores e clientes, de feiras e concorrentes, de redes sociais e de muitas outras fontes. A questão a ser discutida hoje é sobre quais destas ideias devem ser selecionadas na organização para receber, se aprovadas, investimentos e recursos necessários para virarem o quanto antes, produtos, soluções e serviços a serem comercializados pela empresa (lembremo-nos: “uma ideia só é considerada uma inovação se virar uma nota fiscal!”).

Segundo esta premissa, poderíamos então seguir uma linha simples de raciocínio e sugerir que avaliássemos e selecionássemos todas as ideias segundo um critério decrescente de potencial de mercado: as ideias mais promissoras receberiam a “luz verde”; as ideias com menor chance mercadológica seriam agraciadas com investimentos em uma segunda fase ou seriam até banidas. O problema é que só considerar o potencial de mercado não garante o sucesso, principalmente, em função de dois aspectos: primeiro, o fator custo e risco da implementação desta ideia (ou seja, pode ser muito caro ou muito difícil transformar uma ideia em produto) e, segundo, a ideia precisa estar dentro de uma rota estratégica e tecnológica da empresa (como os recursos são limitados, é importante definir alguns segmentos de mercado e algumas linhas de especialização tecnológica a seguir).

Para entender melhor as colocações acima, poderíamos usar como exemplo uma empresa de ração animal, de porte médio e de relativo sucesso no mercado. Durante intensos fóruns criativos na empresa, alguém deu uma ideia de desenvolver uma linha de cereais matinais e barras de cereais para humanos. As argumentações a favor são muitas: já se têm a experiência de desenvolver e comprar insumos alimentares e processá-los para consumo animal; o mercado seria gigantesco; e os canais de distribuição – por exemplo, os supermercados – já estariam desenvolvidos e abertos.

O fato é que os riscos no desenvolvimento destes produtos são enormes, uma vez que necessitam de certificações específicas e os possíveis impactos no consumo humano são incalculáveis; o mercado está dominado por grandes empresas já estabelecidas, requerendo enormes custos de propaganda e marketing para introduzir com sucesso este produto. Em suma, se trata sem dúvida de uma ideia de grande potencial de vendas, mas de custos e riscos de implantação altíssimos.

Logo, um bom processo de seleção de ideias, pressupõe uma ótima sistemática de planejamento estratégico que defina segmentos de mercado e famílias de produtos e de linhas tecnológicas a serem perseguidas. Com base neste pano de fundo, as ideias que se encaixam nestas premissas, ainda precisam ser confrontadas com o grau de investimento necessário para sua implementação, juntamente com a intensidade de risco tecnológico de sucesso e tempo de introdução no mercado. Enquanto gerar ideias é um processo totalmente aberto e receptivo (ou seja, livre de censuras e “pré-conceitos”), a metodologia mais restritiva de escolha de ideias que devam fazer parte dos produtos da empresa, segue conceitos e critérios mais objetivos de priorização.  

Ronald Dauscha é Diretor Corporativo de Tecnologia e Inovação do Grupo Siemens no Brasil.

Veja também:

A Cultura de Inovação nas Empreas

Inovação de Resultados

A Inovação se tornou Democrática

 

, Siemens, Diretor de Estratégia & Inovação
Ronald Dauscha é Diretor Corporativo de Estratégia e Inovação do Grupo Siemens no Brasil. Na companhia há 25 anos, ocupou cargos como a direção de P&D e de Gestão de Inovação e Tecnologia, além de atuar nas áreas de vendas, produção e serviços da empresa no Brasil, Alemanha e Itália. Também foi CEO de uma das empresas da holding, a SHC Brasil (Siemens Home and Office Communication Devices). É ex-presidente e diretor da ANPEI (Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras) e já participou de vários conselhos e diretorias de órgãos como Finep, Contec/Fiesp, Instituto Eldorado, Instituto Certi, CGEE e Abinee. Hoje também atua na FAPESP fazendo parte da Coordenação Adjunta dos projetos PIPE e PITE.

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