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Os segredos que os investidores não contam ao avaliar uma empresa

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segrego investidor

Investidores buscam uma empresa que vai muito além do lucro. Conheça os pontos que investidores analisam antes de apostar em um negócio.

Frequentemente me perguntam sobre os segredos que os investidores não contam para ninguém ao avaliar uma empresa que pede investimento. Bom, o primeiro filtro é eliminar de cara aquelas que não estão dentro da tese de investimento. Essas teses são normalmente definidas em função de algumas variáveis que podem ser: conhecimento técnico e prévio do investidor ou de sua equipe, tendências setoriais, oportunidades que surgirão a partir de políticas públicas, demografia, entre outras.

Em outras palavras, o investidor tem que ser muito disciplinado para seguir a sua tese, considerando que ela gera benefícios incrementais a cada novo investimento além de fazer com que a sua equipe não perca tempo precioso analisando muitas oportunidades que, embora possam ser boas, não teriam aderência com a sua tese.

A partir desse primeiro filtro, parte-se para o segundo. Nessa parte a análise está associada à expectativa e perfil do investidor, relação com o risco que se está disposto a assumir, maturação, busca ou não por dividendos x crescimento, tempo de permanência no mesmo e quanto o investidor pode ou pretende se envolver na gestão.

Leia também: 3 dicas para apresentar sua ideia a investidores

Há investidores, por exemplo, que não estarão buscando dividendos, mas sim uma valorização de seu investimento para uma futura saída do negócio em que investiu. Nesse caso, o investidor adotará um outro filtro, disparado pela pergunta: Como será a minha saída desse investimento? Quais serão as potenciais portas de saída?

Quando esse é o perfil do investidor, independentemente da empresa ser ou não interessante e viável, caso ela não tenha boas portas de saída, dificilmente receberá um investimento desse tipo de investidor, normalmente representado por fundos de participação, como o private equities, venture capitals ou até vários investidores anjo.

Mas, calma, ainda não é hora de se pensar em valor. Há ainda mais um importante filtro, também associado ao perfil do investidor que depende: quanto o empreendedor ou sua equipe se envolverão na gestão. Há investidores que buscam atuações o menos invasivas possíveis, onde buscam atuar via Conselho de Administração e na indicação do Diretor Financeiro. Em outra direção, temos aqueles que entram na gestão, transformando completamente as operações, trocando pessoas e gestores.

No primeiro caso, do envolvimento menos invasivo, uma avaliação da equipe de gestão e/ou do empreendedor serão fundamentais para verificar se os mesmos estão alinhados com os valores do investidor e se terão competência gerencial para entregar o plano de negócio proposto por ambas as partes. Da mesma forma, há que se verificar se a empresa e equipe possuem leveza, rapidez e flexibilidade suficientes caso haja a necessidade de se “pivotar” o negócio ou que o mesmo exija mudanças rápidas. Na grande maioria das vezes, a equipe de implementação será tão ou mais importante que a própria idéia ou negócio, principalmente quanto mais nova a empresa for.

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Ainda antes de se pensar em uma avaliação econômico-financeira formal, o investidor ainda estará interessado em verificar como serão as regras de relação entre os sócios, aquele famoso acordo de acionistas, no que se refere a aprovações de matérias, vetos, governança, mecanismos que facilitem a sua liquidez e proteção patrimonial.

Não é preciso dizer que nessa fase verifica-se também se os futuros sócios têm bons históricos ou não de respeito a acordos anteriores, facilidade de relacionamento, entre outros “soft skills” que, inúmeras vezes, são desprezados até por investidores mais sofisticados. Já vi investimentos extremamente bons perderem mais da metade de seu valor por conta de sócios “trouble makers” ou com histórico de instabilidade emocional.

Finalmente, e só aí, deve-se partir para uma avaliação de econômico financeira e tentar alinhar expectativas em relação ao valor. Eventuais discordâncias sobre esse assunto serão mais fáceis de serem resolvidas quanto maior o envolvimento dos sócios originais do negócio com os investidores futuros. Assim, eventuais divergências poderão ser ajustadas em função do desempenho futuro do negócio que será parte do comprometimento de todos.

E por que às vezes, mesmo com todas essas etapas cumpridas, investidores desistem de determinados investimentos?

Existem vários motivos associados a esses todos que já falamos ou outros associados a melhores oportunidades que podem surgir, mas fundamentalmente porque isso não é uma ciência exata. Por mais que tenhamos ferramentas que tragam essa decisão o mais próximo possível da racionalidade, às vezes (e já vi muito isso acontecer), pequenas variáveis que aparentemente não tem a menor importância, como um comentário mal interpretado ou uma percepção rigorosamente subjetiva e emocional, poderão acabar com negociações sem a menor explicação racional.

, BR Opportunities, Fundador
Carlos Alberto Miranda é sócio-fundador da BR Opportunities, gestora de Private Equity com foco em empresas de rápido e alto crescimento. É Mestre em Administração de Empresas pelo IBMEC RJ. Participou do programa de Gestão e Estratégia para Executivos da Kellog School of Management da Northwestern University, Chicago - USA. Carlos trabalhou durante 21 anos na Ernst & Young, sempre nas áreas de Corporate Finance e Gestão Estratégica. 

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