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Onde está o empreendedorismo nas propostas eleitorais? Um papo com Fernando Haddad

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Articulação e “pente fino” na burocracia: conheça as ideias e práticas de Fernando Haddad para aproximar gestão pública e empreendedores

Depois de Ricardo Young e João Doria Jr, foi a vez de Fernando Haddad, candidato do PT à reeleição, expor suas visões e ideias sobre as relações entre gestão pública e empreendedorismo. O evento ocorreu no Campus São Paulo, e o postulante foi sabatinado por Juliano Seabra, Diretor-Geral da Endeavor, André Barrence, diretor do espaço que acolheu o debate e pela empreendedora Karen Kanaan.

O atual prefeito começou listando o que considera as principais realizações de sua gestão neste campo. Mencionando as dificuldades financeiras enfrentadas pelo município, afirmou que, “em 2015, a cidade ia quebrar, e falar sobre empreendedorismo em uma cidade quebrada não faria sentido”.

Relatou, então, a negociação da dívida com a União que permitiu que São Paulo “passasse do estado de insolvência para o estado de solvência”. Como resultado, afirmou, a cidade obteve grau de investimento, o que deu forças à gestão. “Não existe setor privado forte com setor público fraco”.

  • Reorganização urbanística e desburocratização

Haddad também salientou as reformulações do Plano Diretor e do Zoneamento, empreendidas pela sua gestão. “Estava tudo anacrônico. Revimos o plano diretor e o zoneamento, descobrimos que a divisão entre interesse público e interesse partidário estava toda embaralhada, o que trazia enorme prejuízo para a agenda da cidade”. A seguir, o candidato mencionou um decreto recém-publicado que, de acordo com ele, vai reduzir o período de abertura de empresas:

“A partir de hoje, assim que o Serpro, Serviço Federal de Processamento de Dados, liberar o sistema de informática, abriremos empresas em cinco dias”.

Haddad também falou sobre o fomento ao empreendedorismo em áreas diversas, sobretudo na cultura. “Nós destravamos projetos importantes, como o Circuito SPCine. A cidade também reprimia o artista de rua, que é um empreendedor em potencial, e cuidamos disso. São Paulo não tinha uma visão de turismo avançada, expulsava pessoas durante o carnaval. E, no último, recebemos 40 mil visitantes”.

  • Tecnologia e inovação

Para Fernando Haddad, a tecnologia permitiu que São Paulo se tornasse uma “cidade mais transparente”. O candidato detalhou o que considera avanços relacionados à tecnologia possibilitados por sua gestão: a Zona Azul digital, que é “referência pro mundo”; as praças de wi-fi; os Fab Labs e, por fim, as inovações implantadas nos CEUs que, de acordo com ele, aproximarão os jovens do empreendedorismo.

Haddad também falou sobre a criação de um polo de tecnologia na Vila Leopoldina: “Vamos levar o Ceagesp para Perus, para transformá-lo no centro logístico de São Paulo. Vamos liberar a Vila Leopoldina para montar lá um polo tecnológico, em ligação com a USP. Queremos que a nossa principal universidade pública transfira conhecimento”.

  • Distância entre poder público e empreendedorismo

Ao responder uma das perguntas da plateia, o candidato refletiu sobre o aparente “divórcio” entre Governo e empreendedores. Para Haddad, a corrupção ajuda a explicar este afastamento: “A corrupção marcou a história da cidade em relação ao empreendedorismo. Antes da criação da Controladoria e da Procuradoria Geral do Município, era escândalo atrás de escândalo”.

Ele relatou o processo que chama de “revirar a tralha” para superar esse desafio. “Em três meses, identificamos as máfias e recuperamos quase todo o dinheiro desviado”. Na opinião do candidato, o trabalho vem transformando as relações entre Governo e empreendedorismo: “o ambiente de negócios mudou muito pra melhor. Duvido que algum empreendedor diga o contrário, em relação à lisura”.

Haddad afirma que a atuação do Prefeito, neste momento, é fundamental: “no início da tarefa de faxina, tem que ser o prefeito. Tem que pegar papel e caneta e passar ponto a ponto pra ver o que não está avançando”.

  • Incentivo a startups e à inovação dentro da gestão pública

Uma das perguntas da plateia fez referência às propostas de incentivo a startups que atuem junto à administração pública na solução de problemas municipais. O candidato mencionou o Mobilab, laboratório de mobilidade urbana implantado pela Prefeitura que vem utilizando tecnologia para melhorar o sistema. “No próximo mandato, vou estender o princípio do Mobilab para a administração toda. Na saúde, por exemplo, com prontuários eletrônicos em Unidades Básicas de Saúde”.

  • Descentralização do governo e Prodam

Haddad afirmou ser contrário à descentralização da administração municipal, ao apresentar seu entendimento a respeito do tema afirmou: “deve-se ter um sistema unificado de abertura de empresas, que deve ser 100% digital e impessoal”. De acordo com o candidato, o que deve ser descentralizada é a execução orçamentária, que ficaria a cargo dos subprefeitos. Haddad defende que estes sejam escolhidos por meio de eleições, “da mesma forma que ocorre em Paris, na Cidade do México e em Cleveland”, para que sejam “empoderados”.

Questionado a respeito de dificuldades impostas por um modelo encabeçado pela Companhia de Processamento de Dados de São Paulo (Prodam), o candidato concedeu:

“A Prodam funciona como um mainframe. Existem sistemas corporativos que não podem sair dela. O sistema de execução orçamentária não tem como sair”.

E apontou o que considera uma solução viável: “Agora, tem uma série de coisas que têm que sair da Prodam, porque não têm nada a ver”.  A seguir, Haddad refletiu sobre o papel do Estado no novo contexto econômico, marcado pela colaboração. “Veja o caso do transporte individual por aplicativo. Nossa regulamentação é boa. Hoje, temos quatro empresas credenciadas e duas em processo de credenciamento. O papel do Estado é evitar a concentração de mercado. Ampliar serviços e garantir que a concorrência se mantenha”.

  • Mais espaços para coworking e startups na cidade

Indagado sobre o papel da Prefeitura na criação de mais espaços para o empreendedorismo, Fernando Haddad mencionou um projeto para a Chácara do Jóquei. “Vamos criar um lugar estratégico de startups, próximo à universidade”. Falou também sobre futuras iniciativas para o Jóquei da Cidade Jardim e para a região central da cidade.

  • O papel articulador e facilitador da Prefeitura

Presente ao debate, o Senador Eduardo Suplicy questionou a respeito de fomento à cultura empreendedora em espaços mais distantes do centro. Em sua resposta, o candidato mencionou a Agência de Desenvolvimento de SP (Adesampa), a qual tem um escritório em cada subprefeitura.

Lá, afirmou ele, a população encontra “programas de microcrédito da Caixa Econômica Federal” e outros dispositivos facilitadores. E completou: “A Prefeitura não deve assumir trabalho de gente boa, que já sabe fazer, como Sebrae e Caixa. Vamos aproximar esses órgãos do empreendedor. Não vamos inventar a roda. Vamos fazer o carro andar com as rodas que já existem. Nosso papel é de articulação”.

  • Ruptura de “feudos” no poder público

A respeito da resistência à renovação por parte de “núcleos” na administração municipal, Haddad alega que “em alguns pontos, a cidade avançou. São Paulo tinha alvará de elevador, de estande. E isso saiu”. Ele atribui os avanços ao trabalho de “pente fino para varrer a legislação” de portarias e outros expedientes que dificultavam os negócios.

“Eu me reúno com empreendedores para passar em revista essa tralha que emperra o empreendedorismo, é um trabalho enorme”. Afirma que já removeu “30, 40% do entulho”, e que até o final do ano vai resolver o resto. “É promessa de Prefeito, não de candidato”.

  • Empreendedorismo feminino

Questionado sobre como pretende fomentar o empreendedorismo entre as mulheres, Haddad mencionou um “programa em parceria com o Google que premia, dá visibilidade às empreendedoras” (Prêmio Mulheres Tech em Sampa). Também enfatizou a importância no papel das Secretarias neste processo. “Precisamos [das secretarias] para realizar essa aproximação. Eu entendo que é necessário ter políticas universais de incentivo ao empreendedorismo, mas sem o prejuízo de alguns editais com foco e olhares diferenciados. Tem que equilibrar o jogo”.

  • Redução de impostos

Quanto ao sempre polêmico assunto da redução de impostos, o atual Prefeito se disse “partidário de políticas com foco”. Como exemplo, citou as reduções de taxas para incentivo ao turismo na região de Parelheiros. “Nós temos uma [cidade de] Brotas em São Paulo, que é Parelheiros. Então, baixamos os tributos para o sistema turístico de lá. Sou a favor de usar o sistema tributário como sistema indutor e promotor de políticas que busquem o equilíbrio do território”.

  • Profissionais de fora do sistema político

Sobre sua experiência ao compor a equipe com “não políticos”, Haddad afirmou gostar de conviver com a diferença. “A diferença é o segredo da inovação. O embate de ideias cria ambientes cada vez mais interessantes. Sou muito fã da galera que trabalha com inovação no setor privado”. No entanto, atribuiu a saída precoce destes profissionais ao que chama de “calor interno” natural da gestão pública.

“O poder público é bem diferente da iniciativa privada. O desgaste que se sofre é mil vezes maior do que na empresa. Todo santo dia, no poder público, você está submetido ao escrutínio da imprensa. Muitos que saíram não aguentaram”. E, questionado a respeito do que faria em um eventual segundo mandato, foi direto ao ponto: “Chamarei todos. O problema é encontrar quem aguente”. Por fim, Fernando Haddad foi convidado a completar a seguinte frase: “empreender é…”. E o resultado foi: “Empreender é vital”.

Nota: Celso Russomano e Marta Suplicy foram convidados, mas ainda não confirmaram presença. Luiza Erundina foi convidada e declinou.

A Endeavor é a organização líder no apoio a empreendedores de alto impacto ao redor do mundo. Presente em mais de 20 países, e com 8 escritórios em diversas regiões do Brasil.

Acreditamos que a força do exemplo é o caminho para multiplicar empreendedores que transformam o Brasil e por isso trazemos aprendizados práticos e histórias de superação de grandes nomes do empreendedorismo para que se disseminem e ajudem empreendedores a transformarem seus sonhos grandes e negócios de alto impacto.

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