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Rio+20: O Papel do Empreendedor

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Quais os novos caminhos rumo à diminuição de poluentes e distâncias socioeconômicas e como o empreendedorismo pode contribuir por um mundo mais justo?

Vinte anos depois da Eco-92, a Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, começa nesta quarta-feira (13/06) com muitas expectativas e dúvidas. O certo é que, de 1992 a 2012, a expressão sustentabilidade passou a ser muito mais presente no dia a dia das empresas.

Qual será o futuro dos empreendedores na missão de reduzir a pobreza e a emissão de poluentes no planeta onde vivemos? Para discutir sobre o tema, o Portal Endeavor entrevistou a especialista Ana Ester Rossetto, colunista do site e sócia fundadora da KCA Consulting.

O que foi efetivamente feito após a Eco-92 e qual sua expectativa pessoal vinte anos depois?

Ana Ester: Depois de 20 anos de muito debate, estamos evoluindo a antiga ideia de sustentabilidade que ainda foca esforços apenas na minimização dos impactos negativos. A nova fronteira da inovação para sustentabilidade está na criação de produtos com uma pegada positiva e a integração de toda a cadeia produtiva para eliminação do conceito de lixo. Acredito que o modelo de economia circular deixa para trás a visão de que a humanidade pode ser apenas “menos ruim”.

Como o empreendedorismo pode contribuir no combate à pobreza e a diminuição de distâncias socioeconômicas?

Ana Ester: Focar na diversidade, encontrar a inspiração para a inovação nos negócios a partir das peculiaridades locais, nas múltiplas necessidades dos indivíduos, na identidade e na vocação de cada comunidade. A nova escola de negócios já está se inspirando na diversidade local como fonte de inovação para gerar múltiplas soluções para um mesmo problema, e usa o poder das empresas para endereçar necessidades reais a nível global. Os empreendedores que estão na vanguarda estão se questionando sobre o propósito dos seus empreendimentos e das oportunidades em criar soluções para problemas antigos como a questão do acesso a serviços básicos, como água, eletricidade e saneamento, por comunidades de baixa renda. Para estes, no EPEA* já dispomos de oportunidades para empreender, como, por exemplo, biossistemas integrados que transformam resíduos orgânicos em energia, água limpa e nutrientes que podem produzir alimentos, saúde e riqueza para todos.

A sustentabilidade antes era uma forma de marketing e hoje é encarada como um compromisso?

Ana Ester: Hoje é, na verdade, uma questão de competitividade. Não há menor dúvida que as empresas que estão liderando a nova economia são aquelas que olham para a sustentabilidade com olhos de oportunidade, superando o paradigma atual e incorporando uma nova lógica. Existem vários exemplos, no exterior e também no Brasil, de aplicação dos conceitos da “economia circular” e “cradle to cradle” que trouxeram ganhos expressivos de fatias de mercado e novos negócios com benefícios tangíveis para a restauração do planeta e desenvolvimento social. E segundo a consultoria McKinsey, o potencial de retorno para investimento nestes conceitos é gigantesco.

Existem exemplos de negócios que alinham comprometimento sustentável e lucratividade?

Ana Ester: Está nascendo uma nova indústria de 'supra-ciclagem' dos materiais que vai definir uma nova e poderosa orientação para as cadeias produtivas, na qual um novo modelo produtivo mais inteligente pode crescer sem as limitações do modelo linear “extrair – fabricar – descartar” atual.

Na agricultura, por exemplo, hoje perdemos 6 mil vezes mais solo fértil do que somos capazes de recuperar. Contamos com tecnologias que chamamos na EPEA de reciclagem de bionutrientes, para recuperar o fosfato, por exemplo, que é essencial para produção agrícola. Nos eixos de novas fontes de energia renovável é bom frisar que, na verdade, não temos um problema de consumo de energia, temos na verdade o desafio de escolher as fontes de energia, e desenvolver os sistemas e tecnologias para coletar essas fontes infinitas, que são as renováveis.

E o papel do empreendedor de alto impacto e do novo empreendedor nesta discussão?

Ana Ester: Negócios que restaurem os recursos naturais e perpetuem a qualidade dos recursos não renováveis. Como por exemplo: recuperar o fosfato,fertilizante fundamental para produção agrícola, transformando o tratamento de resíduos orgânicos das cidades em estações para fornecimento de nutrientes para produção de alimentos, um modelo apoiado pela FAO Water. Outro exemplo é utilizar o CO2 como matéria prima de produtos de alto valor agregado para construção civil e para produção de alimentos, fármacos, etc. O CO2 deixa de ser visto como problema e passa a ser visto como recurso valioso. Negócios que explorem todo o potencial das fontes renováveis de energia, e as novas infraestruturas e sistemas inteligentes de distribuição e produção descentralizada. Produtos e materiais com desenho mais inteligente, por exemplo.

 

* Conheça mais sobre Ana Ester Rossetto e o EPEA, uma agência científica alemã que há 25 anos se dedica a aproximar a ciência da inovação industrial.

 

Por Vinícius Victorino, da equipe de Cultura Empreendedora – Endeavor Brasil.

 

 

 

 

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