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Reinventar o negócio passa por reinventar a si mesmo: como transformei minha indústria em serviço

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Reinventar o negócio passa por reinventar a si mesmo: o encontro da produção com o design

Há 2 anos, percebi que o antigo modelo, do qual eu entendia tão bem,  não iria me levar na extensão do meu sonho. Virar a chave para uma nova oportunidade envolveu preparar a empresa e a mim mesma. 

Para pensar fora da caixa é preciso ter profundo conhecimento do que se passa dentro da caixa.

No mundo da indústria têxtil e de confecção não é diferente. As atenções devem estar voltadas para onde as ideias nascem e também como elas serão transformadas em produtos que atendam às necessidades do mercado. É garantir que as coisas funcionem em harmonia. Estudei sobre produção, gestão da qualidade para ganho de eficiência fabril, aprendi em 10 anos a gerir uma indústria que confeccionava uniformes para grandes marcas.

Há 2 anos, percebi que esse modelo que dominei não iria me levar na extensão do meu sonho. Era hora de mudar. Olhar para o que eu tinha diante de mim e reinventar.

Era o momento de desenhar um novo modelo de negócios do zero. Da indústria para o serviço. Do olhar taylorista da produção para a visão imaginativa da criação. Desconstruir para construir, uma nova empresa, um novo jeito de fazer. Deixar de ser Star Think, passar a ser ÚNICA Design.

A mentoria que fez despertar

A semente da mudança foi plantada em uma mentoria. Um dia, conversando com o Ricardo Ferreira, fundador da Richard’s, ele trouxe uma provocação:

“Olha Milena, vocês são pura criatividade e inovação na criação das roupas! Mas por que ainda insistem na produção? Focar na melhor expertise pode trazer uma mudança de percepção de valor importante para companhia.”

Eu sempre acreditei nisso, se você faz aquilo em que é verdadeiramente bom, e foca no que mais gosta, consegue potencializar essas competências para fazer ainda melhor. O meu core não estava na produção, por isso comecei a estudar sobre o mercado de terceirização, para entender as possibilidades que eu tinha.

Minha realização está na criação de coleções, roupas bonitas, que de alguma forma elevam a autoestima de quem usa os uniformes, na moda, na tecnologia e na criatividade. Eu sabia que era exatamente nisso que queria apostar minhas fichas.

Mas como resolver a cabeça da Milena empreendedora que nasceu modelando o negócio para a produção?

Já imaginou ter uma empresa lucrativa e trabalhar fazendo algo que você sempre sonhou? Acredito que muitas pessoas responderiam de forma positiva à essa pergunta. Permita-me outra pergunta. Teria coragem de mudar todo o modelo de negócio dessa empresa e abrir mão do certo pelo duvidoso? Dessa vez acredito que muitas pessoas não responderiam de forma tão positiva. A Star Think Uniforms estava dando certo com rentabilidade planejada.

Mas, como você se desapropria de uma coisa que você julga ser sua? Que nasceu da sua cabeça, cresceu com você e até então parece funcionar?

Para você realmente mudar o modelo de negócio, precisa desapegar das coisas que foram fundamentadas no momento da criação da empresa. Esse desapego é fundamental. E ele começa com você.

Os fundamentos do novo projeto começam dentro de nós

Antes de partir para a mudança, transformamos primeiro nossa própria mentalidade. Começar a pensar com uma cabeça diferente daquela que fez a sua empresa existir. E essa não é tarefa fácil. Você pensa, pensa, pensa e quando menos vê, está pensando do mesmo jeito de novo. Chega a ser uma limitação do próprio cérebro. No meu caso, por exemplo, foram 10 anos pensando com a mentalidade de indústria. Virar a chavinha para serviço não iria acontecer de um dia para o outro. Era preciso ter persistência, paciência e querer de verdade mudar.

Eu sabia que todas as necessidades dessa nova empresa nasceram dentro de mim, eram tão minhas quanto a primeira ideia que fez nascer a Star dez anos atrás. Eu conseguia até visualizar o modelo na minha cabeça, ele estava conectado comigo, com o meu propósito. Mas foi só em 2017 que se consolidou.

Antes disso, passei 2015 e 2016 estudando maneiras de fazer essa transição. Fui para o mercado conhecer os novos formatos de linha de produção, fazer benchmarks, conversar com empresários de serviços, entender o funcionamento dos negócios de comunicação e publicidade. Fui conversar também com os meus fabricantes para descobrir de que forma eu poderia ser importante para eles. Tive que mergulhar fundo para encontrar o meu próprio oceano azul.

Em paralelo, também passei por uma aceitação pessoal. A cobrança que você se faz como empreendedora é alta porque tudo o que você quer é colocar o pé no acelerador. Mas, se eu estou em modo de transição, não vou conseguir pensar 100% nem no hoje, nem no amanhã. Com paciência e aceitação, sei que estarei logo mais com os dois pés no amanhã.

Essa é a verdadeira montanha-russa: manter o negócio girando hoje e já olhar para o que vem a seguir

Mergulhando fundo no Oceano Azul

Com as conversas que tive ao longo dos últimos dois anos, percebi uma coisa: quando você está no lugar onde está a maioria, é hora de parar para repensar sua vida. Decidi tirar eu mesma de cena — a Milena empreendedora de indústria — para construir uma ideia que não existia ainda no meu mercado.

Eu queria traçar uma estratégia para navegar no oceano azul porque no mar vermelho eu já estava

A fase de benchmarks foi bem sucinta. De 2015 a 2016, eu não tinha oportunidade de falar sobre isso porque eu estava cuidando dos problemas da indústria, mas toda vez que encontrava pessoas e ia a eventos eu perguntava como eles trabalhavam, quais eram as maiores dificuldades, como funcionava o modelo financeiro… E de perguntar, comecei a ter respostas bem interessantes e ligar os pontos com minhas reais convicções.

Por sorte — prefiro chamar assim — tive o privilégio de passar por uma situação bastante complicada no meu negócio. Foi essa crise que me deu a oportunidade de testar. Comecei fazendo pequenos testes de modelo de serviço. Desenhei alguns planos e fui testando entre 2015 e 2016.

A virada de modelo de negócio

Na minha cabeça, o prazo máximo para essa mudança acontecer era a metade desse ano, junho de 2017. Como um filho que a gente sente que está para nascer, eu olhava o calendário e via que a hora estava chegando. Mas me perguntava: e tudo isso? Todas as demandas e tarefas que ainda preciso executar para a virada de chave?

Algumas semanas atrás, por exemplo, eu passei três dias em estado de choque. Sentia como se estivesse abandonando meu primeiro filho, a Star Think. Foi aí que percebi: a mudança do negócio não me preocupava, o que me tirava o sono era me preparar para mudar o modelo mental.

Chegava a hora de desapegar de verdade

É muito comum diante do processo de mudança se pegar por muitas vezes pensando do mesmo jeito. Não que a experiência, que é o componente que não se improvisa como mencionei acima não fosse. É mais que isso. Os desafios são diferentes. Logo os pensamentos e atitudes também devem ser diferentes.

No começo desse ano, meu relógio interno já me dizia que chegava a hora. Era mais uma intuição do que uma certeza. Eu sentia que 2017 era a virada. Quando eu defino uma coisa pra mim, eu faço. Foi, então, que sentei com dois mentores — o José Eustachio, da Talent e o Wilson Amaral, sócio da Alpha Valorem — para, com a ajuda da Flavia Albo, que trabalhava na EY, validar o novo modelo de negócio.

Eles não me deram certeza porque ninguém tem certeza de nada. Mas me deram tranquilidade de que eu estava pisando no caminho certo

Não tem fórmula certa, tem o exercício de acreditar e de botar pra fazer E sentir como vai funcionar. Temos que estar abertos exatamente para as coisas que não podemos controlar. Só consigo ver os 100 metros que meu farol me mostra, dali para frente não consigo ver, só acreditar.

Parece que você está descendo da montanha-russa na primeira cadeirinha. Você já tem experiência, modelou, fez benchmarking, agora é acreditar que aquele é o melhor de você.

As luzes não se apagam de uma vez

Na prática, não se apaga as luzes de uma indústria do dia para a noite. Você vai tirando as tomadas aos poucos, quando não precisa mais delas, de forma orgânica. Quando você tem uma indústria, já acorda pensando em despesa fixa. Mas agora orientada para serviços, não tenho mais que tocar alarme. A cabeça muda, a estrutura muda e as pessoas mudam junto. Os colaboradores da indústria e de serviços têm um mindset diferente. A mentalidade é completamente diferente. A dimensão também. Se de um lado você precisa de um batalhão para a indústria, por outro você precisa de um time altamente eficaz com a inovação na veia.

A relação com os parceiros também merece atenção especial. A indústria passa a ser um importante stakeholder. São eles que irão transformar os sonhos em realidade. A indústria hoje nos enxerga como um gerador de demandas. A UNICA passa a ser um grande gerador de emprego e renda para muitas confecções sediadas em todo o Brasil.

Uma startup com bagagem de scale-up

Todo processo de transformação aconteceu no tempo certo, sem pisar no acelerador. A natureza não dá saltos. Recebemos as ideias do mercado, das pessoas, dos clientes… E eles nos dão o tom para sabermos a hora da transição, para não perder o compasso.

Trouxe pessoas com mais bagagem e experiência, colocando cada vez mais inteligência no negócio, destinando menos energia para a operação. A operação, no serviço, está no modo de pensar, na cabeça que está na sua máxima potência.

Nós agora somos UNICA, acordamos todos os dias para valorizar as pessoas no ambiente de trabalho com soluções de moda, estilo, comunicação que possibilitam a entrega de auto estima, bem estar e de modelos inovadores de experiências e sensações.

Hoje o meu sonho é maior porque ampliei as fronteiras. Antes o sonho era o Brasil, agora nós queremos o mundo!

*Este artigo é uma parceria de produção entre Endeavor e Sebrae

Correalização:

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, Star Think Uniforms, Co-fundadora
Milena Satyro começou a trabalhar aos 14 anos com seu pai na área comercial, aos 15, iniciou sua carreira em eventos de marketing e aos 18 abriu sua agência de promoção e eventos. Mais tarde, trabalhou no departamento de marketing e vendas de empresas de comunicação e produção de filmes publicitários. Em 2005 em busca pelo seu próprio negócio, conheceu Sergio Bertucci, e juntos fundaram a Star Think Uniforms.

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1 Comentário

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  1. Elisangela Silva - says:

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    Parabéns Milena! Artigo maravilhoso, mostra as etapas pelas quais você passou até alcançar sua meta inicial! Não tenho dúvidas de que atingirás metas ainda maiores!
    Tua coragem me incentiva a correr atrás, a pensar fora da caixa e persistir no meu sonho!

    Elisângela Silva
    http://todospodemtersucesso.com.br

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