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Nossa experiência driblando a baixa produtividade no Brasil

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Que a produtividade brasileira é inferior a de outros países a grande maioria dos empreeendedores sabe, mas o que fazer para que esse índice melhore, você descobre agora!

No dia 25 de janeiro, saiu uma entrevista comigo e com o Mate, meu sócio, na Veja, conduzida pelo Julio Vasconcellos. Caso você queira ver o vídeo, basta clicar aqui. Foi uma conversa muito boa, focada principalmente na história da Printi. Na segunda parte da entrevista, conversamos bastante sobre um tema que acho muito interessante: a produtividade da mão-de-obra no Brasil.

Já faz um tempo que quero começar a escrever sobre temas que gosto: empreendedorismo, start-ups, venture capital, angel investing, etc. Vou aproveitar o ímpeto e escrever o primeiro artigo focando nesse tema de produtividade no Brasil. Especialmente porque recentemente construímos toda a parte industrial da Printi e para tal, investimos em equipamentos e pessoas, o que nos dá uma perspectiva nova e única.

Acho que todo mundo já leu um artigo em algum ponto sobre a produtividade da mão de obra brasileira e como ela se compara rente ao resto do mundo. Manchetes como “Um trabalhador americano produz como quatro brasileiros” ou “Trabalhador brasileiro tem a menor produtividade entre 12 paises” são frequentemente utilizadas nesse contexto em matérias da FolhaEstadão e Economist, entre outros.

Ninguém se surpreende com o fato do Brasil figurar na parte do meio do ranking de produtividade mundial, conforme a tabela abaixo:

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E comparado com outros países emergentes, a produtividade brasileira basicamente não evolui no  mesmo ritmo e está estagnada no nível dos anos 90:

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Isso é um fato. Porém, na minha visão, a discussão às vezes se perde na questão do porquê a produtividade é tão mais baixa aqui e porque a mesma não vem se desenvolvendo positivamente nos últimos anos.

Pedro Cavalcanti Ferreira, professor da FGV e colunista da Folha, resume a diferença de produtividade nos seguintes fatores:

  1. Menor capital humano: nossos trabalhadores são menos educados e menos qualificados;
  2. Menos capital físico: esses trabalhadores têm a seu dispor menos máquinas, equipamentos, estruturas e infraestrutura; e
  3. Baixa produtividade total dos fatores: a ineficiência da economia é tal que trabalhadores com mesmo capital humano e físico que trabalhadores em países avançados produzem menos.

Na minha visão, os pontos #1 e #2 são os que se sobressaem nessa questão de produtividade, enquanto o ponto #3 não é necessariamente verdadeiro. E mais: na Printi, conseguimos alcançar níveis comparáveis (e às vezes, superiores) de produtividade comparado com outras gráficas do grupo Cimpress nos EUA e na Europa, simplesmente investindo no capital humano e físico.

O investimento em capital humano dá-se por meio de treinamento dos funcionários. Aqui existe uma desvantagem gigantesca do Brasil: na Alemanha, por exemplo, a maioria dos operadores de máquinas gráficas completam alguns anos de cursos técnicos e profissionalizantes, além de experiências práticas no dia-a-dia, antes de receberem uma oferta de trabalho na indústria.

Já no Brasil, a maior parte dos funcionários têm pouco (ou nenhum) treinamento téorico, aprendendo principalmente “on the go”, ou seja, pegando experiência prática enquanto trabalha.

Há algumas iniciativas profissionalizantes (caso do SENAI, por exemplo), mas ainda não se comparam em quantidade ou qualidade a mercados desenvolvidos. Na Printi, temos uma equipe dedicada de treinamento para novos funcionários. Os processos industriais são bem estabelecidos e constantemente melhorados (continuous improvement), sempre visando o aumento da produtividade, segurança e bem-estar da força de trabalho.

Quanto ao investimento em capital físico, a linha também é tênue. Quando montamos o parque industrial, compramos várias máquinas de vários fornecedores. Em 100% das negociações, em algum ponto é feito uma revisão final dos specs do maquinário. E em 100% dos casos, os fornecedores oferecem versões básicas e uma série de opcionais que podem ajudar na produtividade do funcionário e/ou maquinário. E me surpreendeu o quão pouco os empresários do ramo em que atuamos (no caso, o mercado gráfico) investem em periféricos e opcionais que aumentam a produtividade do funcionário que opera a máquina.

O que parece reinar na cabeça do dono de gráfica é que investimentos em tangíveis (ex. máquinas) são ótimos, mas que todos os intangíveis (ex. software) são desnecessários. Ainda há a visão (errônea, diga-se de passagem) de que a mão-de-obra no Brasil é barata. Se essa é a atitude no mercado gráfico, posso imaginar como seria parecida em centenas de outras áreas também. Isso se manifesta no próprio país também: segundo o Economist, o Brasil investe somente 2,2% do PIB em infraestrutura, muito abaixo da média de 5,1% dos países desenolvidos. Na Printi, vamos contra a corrente: além do básico, nós investimos em periféricos e intangíveis, sempre visando sermos mais rápidos, ágeis e eficientes, ou seja, mais produtivos.

E qual o resultado disso?

Na Printi chegamos em índices de produtividade comparáveis (e algumas vezes, superiores) àqueles observados em outras gráficas do grupo Cimpress, localizadas em vários países europeus e norte-americanos.

Muitas vezes, essas gráficas levaram alguns anos para chegar na produtividade em que estão hoje e que nós alcançamos com menos de 3 meses de produção. E como temos benchmarking frequente entre as gráficas, sempre sabemos em que pé estamos. É surpreendente e impressionante, mas não perdemos para ninguém. Pelo contrário, estamos sendo avaliados como um case de sucesso de implementação industrial de forma rápida e produtiva.

O que isso me diz é o seguinte:

  1. É possível ser extremamente produtivo no Brasil, mas isso requer investimentos em capital humano e físico, além de um trabalho constante de melhoria profissional da força de trabalho, antes e depois da contratação;
  2. Já que no Brasil o estado não faz os investimentos necessários em educação (capital humano) e em infraestrutura (capital físico), precisamos que as empresas privadas cada vez mais assumam esse papel.

Não estou dizendo que é fácil, barato ou até economicamente racional. Mas certamente é um caminho para frente.

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, Printi, Empreendedor
Florian Hagenbuch é cofundador da Printi, um e-commerce líder no segmento de produtos customizados, fundada por ele e por Mate Pencz em 2012. Além disso, ele é investidor-anjo e mentor em diversas startups no Brasil e mundo afora. Antes de empreender, Florian se formou em finanças pela Wharton School of Business da University of Pennsylvania (EUA) e trabalhou no mercado financeiro em empresas como Goldman Sachs, Blackstone e Silver Lake. Desde 2014, é Empreendedor Endeavor.

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8 Comentários

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  1. Denis Trindade - says:

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    Muito bom o artigo, sóbrio e sem levantar bandeiras. O brasileiro gaba-se de ser bom em relacionamentos mas acho que não. Temos que ser menos orgulhosos e aprender com quem já chegou lá. Curvas de aprendizado geralmente são caras, demoradas e poderiam ser tratadas com treinamento e humildade.

  2. Renata Davi Silva Balthazar - says:

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    Oi Florian Hagenbuch, parabéns pelo artigo!
    Sou cliente da Printi e confirmo a produtividade de sua equipe!
    Como sugestão pra um próximo artigo, gostaria de mais informações sobre como consegue informações dos concorrentes através do “benchmarking frequente entre as gráficas”, para que outras empresas também possam encontrar parâmetros para avaliar a produtividade de suas equipes.
    Abraço!

  3. Jussimir Pasold - says:

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    Muito bom! Toda empresa em crescimento é uma empresa de ensino (de seus funcionários) e uma dos principais formas de avaliar uma função é se tal trabalhador dispõe dos equipamentos necessários para executar o trabalho. A dica sobre a resistência do empreendedor brasileiro em investir em intangíveis é real, e esse tópico deve ser levado a sério no planejamento dos novos investimentos das empresas.

  4. Marcelo Samogin - says:

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    Você deve criar ferramentas para medir tudo. Desmonte a descrição de cargos da empresa, adicione competências e crie um formato de descrição de cargos que sirva para avaliar os profissionais para cada tipo de tarefa esperada. Isso seria um instrumento para medir a produtividade das pessoas através do nível de qualificação do profissional. Marcelo Samogin Remunerar – Inteligência em meritocracia

  5. renato.alves@r2aservices.com - says:

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    Entendo que o problema da baixa produtividade da mão-de-obra no Brasil está ligado diretamente a cultura social. Esta, moldada desde o descobrimento, num modelo que privilegia muito pouco a educação fundamental, um dos problemas básicos que precisam ser vencidos. Sem este base estrutural a ideia de esforço e aprendizado continuo são fatores sabotadores dos níveis de desempenho operacional.

  6. Sandro Barros Ferreira - says:

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    Excelente artigo. A mão-de-obra no Brasil é caríssima.

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    A baixa produtividade brasileira é culpa dos empresários, que pouco investem em treinamentos adequados dos funcionários e na estrutura física disponível para os trabalhadores. É a velha mania de querer ganhar mais gastando menos. Já observei isso de perto, onde processos industriais eram manipulados maneira penosamente manual, com elevado custo pessoal dos trabalhadores.

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    É muito frequente o brasileiro esquecer dos pontos intangíveis do negócio. Fica mais evidente nas pequenas empresas, que quando pratica o marketing por exemplo, se limita a produzir folhetos para distribuir em seus próprios bairros. Há outros exemplos também, como por exemplo gastos com arquitetura…

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