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E se, além das incertezas, sua família for contra você empreender?

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Quando resolvi abrir mão de um emprego estável para montar uma empresa, tive que superar a pressão familiar, a falta de recursos e de cultura empreendedora. Mas segui adiante, e o processo me trouxe muitos aprendizados
Se você já iniciou sua jornada empreendedora, é provável que, lá nos primórdios, tenha sido aconselhado(a) a buscar algum apoio na família ou nos amigos. E, por apoio, refiro-me a um investimento inicial. Afinal, em teoria, a pressão vinda desses lados seria bem menor do que a de instituições financeiras que oferecem empréstimos tradicionais. Certo?

Nem tanto. O que muita gente esquece é que essa pressão familiar continua existindo por um bom tempo — principalmente em se tratando da família. E não falo somente pelo lado financeiro. Na maioria dos casos, os empreendedores têm que enfrentar desafios que vão além da falta de recursos, da elaboração de um modelo de negócio, do desenho de um planejamento estratégico e da formação de um bom time;

Tem que enfrentar a cara feia e o nariz torcido dos familiares diante da arriscada iniciativa de empreender

Pudera. Estamos no Brasil, um país em que (ainda) prevalece o paradigma profissional da segurança de um salário certo no final do mês. A cultura empreendedora está crescendo, sem dúvida; mas, se você pedir para dez amigos escolherem entre o funcionalismo público, por exemplo, e o empreendedorismo, aposto que uns sete ainda irão com o primeiro.

Isso sem falar nas gerações anteriores, que viveram graves crises econômicas. Então, não é de se estranhar que, quando alguém diz que vai abandonar um emprego estável para ir atrás de um sonho grande, os pais, mães, tios, tias e até mesmo irmãos demonstrem resistência.

Foi o meu caso. E agora, quero compartilhar aprendizados que trouxe desta jornada.

A cultura da minha família, certamente, nunca foi a empreendedora. Embora minha mãe tenha empreendido em algum momento da vida, meu pai e minhas irmãs (tenho quatro) são funcionários públicos. Então, a tônica sempre foi: segurança na receita e administração das despesas. De modo que dá para imaginar como meus pais sempre quiseram que eu seguisse esse mesmo caminho.    

E eu estava seguindo, é fato. Como programador e analista de sistemas, tinha um bom emprego e um salário razoável. E você pode imaginar o que aconteceu quando resolvi abrir meu próprio negócio: acabei não tendo apoio do pessoal lá de casa. Mas esse não foi o único desafio que encontrei.

O contrapeso da preparação acadêmica

O fato é que, naquele momento, a minha situação era totalmente adversa: tinha poucos recursos, vinha de uma cultura não empreendedora e não contava com o apoio da família. Diante desse cenário –e também considerando que eu não tinha o estofo emocional para o empreendedorismo –, meu pensamento foi o de que eu tinha que compensar com uma formação acadêmica. Eu tinha que me preparar para a Gera.

Então, montei um plano com a minha esposa, que já naquele momento sabia que eu não iria me realizar caso não empreendesse. Entrei em um MBA e o levei muito a sério. Pensando sempre em tocar uma empresa, busquei entender todo o funcionamento de uma gestão, até para tentar compensar uma falta de estofo, de cultura. É o tal “medão”, que muitas vezes impede o empreendedor de empreender.

E é o pior sentimento para um empreendedor, o medo de perder, porque ele pensa: “Quero empreender. Sinto que tenho que empreender, mas também tenho o que perder; é pouco, mas é tudo o que tenho”. E a chance de dar o grande salto vai diminuindo.

No meu caso, realmente me apoiei no mestrado. Ao longo dos dois anos, elaborei o plano de negócio da Gera, e usei o curso para lapidá-lo. Assim como os mentores da Endeavor nos auxiliam, tive os mentores acadêmicos: submeti ao pessoal de operações o plano de operações, ao de marketing o plano de marketing, e por aí vai.

Costumo dizer que meu Day One foi a formação acadêmica, antes mesmo de criar a Gera.

A um triz de fechar as portas, logo que se abriram

E foi o estímulo emocional de que eu precisava para seguir adiante com o projeto. Isto foi muito importante. Porque, quando realmente fui tirar a Gera do papel, eu já me sentia bem preparado.

Só que, no início, não foi nada fácil, por todos aqueles motivos que mencionei acima. Além disso, havia a minha própria constituição familiar. Eu não era mais totalmente independente — minha filha já tinha nascido. Então, aquela impressão “tenho o que perder e não pode secar” veio com tudo.

Para completar, havia o fato escancarado: eu não tinha clientes. Chegou mesmo o momento em que pensei: “Se nada acontecer, daqui a dois dias fecho a empresa”. Foi quando tive meu primeiro cliente, e a situação mudou totalmente.

Em resumo: não nego, foi bem puxado. E solitário. Para você ter um exemplo, não cheguei a ver minha filha nascer.

Mas, por se tratar de mudar um paradigma, não poderia ter sido diferente. Eu estava lutando não apenas contra a falta de recursos ou de apoio familiar, mas contra todo um contexto cultural refratário ao ato de empreender. Antes de quebrar esse paradigma, não é nada fácil vermos o que, depois, parecia tão óbvio.

Embora eu sentisse a necessidade de empreender, tive que enfrentar essa minha cultura não empreendedora. Ela foi sendo modificada ao longo do MBA; a minha visão de mundo foi mudando, e este não é um processo tranquilo.

Mas, no fundo, sempre tive para mim que é do couro que sai a correia. É do esforço que vem o resultado. Ainda mais quando se trata de uma cultura tão transformadora quanto a do empreendedorismo. E, neste caso, não falo apenas da transformação pessoal; mas da transformação de um país.

Este artigo é uma parceria de produção entre Endeavor e Sebrae

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, Gera, Cofundador
Formado em Análise de Sistemas e Administração de Empresas. Iniciou sua carreira como programador de computadores e analista de sistemas em empresas de diversos segmentos e em 1998 começou sua atuação na Natura Cosméticos, onde comandou a padronização e automação de suas operações internacionais, e o projeto de venda direta ao consumidor na operação Brasil. Acumula 15 anos de experiência no segmento de Venda Direta, e se tornou especialista em tecnologia, desenvolvimento de novos negócios, estratégia corporativa e comercial nesse setor. Em 2003, durante seu mestrado pela Fundação Getúlio Vargas, concebeu e estruturou o plano de negócios da Gera, hoje líder no segmento de automação e soluções para o setor de Venda Direta.

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