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Precisão cirúrgica: como escolher as melhores ferramentas de gestão para o seu negócio

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precisaocirurgica

Antes de dar qualquer diagnóstico, um médico sempre avalia todas as variáveis. O empreendedor, por outro lado, olha só em uma direção.

Diariamente, utilizamos ferramentas gerenciais como lean startup, business model canvas, inbound marketing, just in timePDCAe tantas outras. Há inclusive uma lista anual das melhores e mais aplicadas ferramentas de gestão. Mas, vem cá, já parou para pensar sobre qual seu nível de satisfação com cada uma delas? Se você quer melhorar seu desempenho, assim como o fazem médicos ou  engenheiros, é essencial selecionar as ferramentas corretas para a sua necessidade.

Não adianta nada aplicar boas ferramentas em situações erradas ou sem o devido cuidado. O business model canvas, por exemplo, serve para desenho de novos modelos de negócio, e não para estruturação de projetos internos. Para isso, há o project model canvas. Lembra daquele remédio que fez mal ao paciente e foi proibido de usar? A mesma coisa acontece com empreendedores que aplicam noções ultrapassadas de marketing, recursos humanos ou produção em seus negócios. A ciência da gestão evolui rapidamente, e quem depende dela precisa se manter atualizado.

As ferramentas gerenciais que utilizamos vêm de teorias. Na realidade, as ferramentas são instrumentos de aplicação de teorias. Eu sei, você é alguém muito prático e não gosta de teoria. Mas, antes de qualquer coisa, você sabe o que é uma teoria?Uma teoria é uma explicação do que causa o que em que situação e o que fazer para atingir determinados resultados nessa circunstância. É uma estrutura que diz a você: “Faça o seguinte nessas circunstâncias especificas para atingir os seguintes resultados”.

É algo absolutamente contextual. Uma boa teoria ajuda você a prever com confiança quais ações levarão a que resultados em cada diferente situação. Não há nada mais prático do que uma boa teoria. Elas nos ajudam a melhorar a nossa prática como gestor, da mesma forma que uma nova técnica melhora o desempenho do médico num determinado procedimento cirúrgico. Uma teoria é um conhecimento codificado e organizado. E digo mais, você pode até não saber, mas é um usuário frequente de teoria de gestão.

  • As ferramentas que cegam

O problema é que, por vezes, aplicamos teorias não testadas, produto da experiência de uma única pessoa, e isso não é nada bom. Sabe quando você assiste a uma palestra e, inspirado pela experiência daquele profissional, não pensa duas vezes e opta por replicar tais ideias na sua empresa? O problema aqui é que, muitas vezes, os empreendedores não se atentam ao quão defasadas estão essas teorias. Lembre-se que demorou bastante até que houvesse entendimento de que a Terra é redonda, então nada de utilizar sua experiência passada, em uma situação totalmente distinta, como se fosse generalizável. Vamos a um exemplo.

Imagine que você teve um tremendo sucesso com inbound marketing quando gerenciava um negócio de internet. Depois de um tempo, você mudou negócio e está gerenciando uma empresa de pregos.Agora, pare e pense: você pode replicar o seu conhecimento de marketing nessa nova empresa, que tem um contexto totalmente diferente do primeiro? Não faz sentido algum. E isso acontece muitas vezes, como, por exemplo, quando você compra um novo livro de gestão e decide aplicar as ideias do autor sem analisar como ele chegou aquelas prescrições.

Para se ter noção, o Assessement de Perfil Inovador, que faz parte do Mini Curso da Endeavor e Innoscience de formação de times inovadores, foi realizado por mais de 8 mil profissionais, testado, refinado e validado.

  • Escolhendo a ferramenta certa

Então como você pode ter os melhores resultados na aplicação de ferramentas de gestão? Tendo consciência do seu problema, selecionando a melhor ferramenta para aquela realidade, aplicando a teoria conforme a posologia recomendada e avaliando os resultados disciplinadamente. Em função disso, identificar, escolher, aplicar e avaliar os resultados de suas ferramentas gerenciais é um processo estratégico para quem empreende, assim como é para quem exerce a medicina.

O problema é que temos aceitado teorias inacabadas e inadequadas. Vamos pensar em como funciona uma realidade bastante semelhante. Já pensou em como um médico seleciona os remédios que ele prescreve a seus pacientes? Vejamos abaixo:

1. Raio X

O primeiro passo não é gostar do remédio –como infelizmente acontece com empreendedores que se apaixonam por ferramentas–, mas entender o problema e identificar a situação. Não adianta você selecionar uma nova teoria de gestão, seja ela qual for, antes de entender o problema.

2. Diagnóstico

Depois de entender o problema e identificar a situação, o médico irá escolher a teoria mais adequada para interpretar essa realidade e o profissional mais apropriado para obter os melhores resultados nessas circunstâncias específicas. O paracetamol é eficiente numa determinada situação e contraproducente em outras. Saindo das salas do hospital, tenho me deparado, frequentemente, com pessoas que buscam problemas para aplicar suas ferramentas favoritas. Vai um business model canvas ai?

Ah, e não pense que o médico estará satisfeito em recomendar uma terapia que funcionou  em outro paciente, porque ele sabe que “cada caso é um caso” e, por isso, precisa de remédios testados e validados para a sua situação. Esses remédios deverão ser aplicados conforme a posologia apropriada ou os resultados não serão aqueles projetados. Mas a tarefa do médico, digo, do empreendedor, não termina aí. Ele deve avaliar os resultados para poder tomar medidas corretivas.

3. Acompanhamento

Recentemente, minha filha de 2 anos estava com febre, e o médico prescreveu paracetamol. Depois de 24 horas sem que a febre baixasse, ele prescreveu Novalgina e a febre cedeu. Assim como os médicos, o empreendedor precisa se manter atualizado sobre o que há de mais eficaz em termos de ferramentas, só assim ele vai conseguir aplicar o conhecimento mais adequado em cada situação. Aqui também vale lembrar que o empreendedor necessita ter um olhar crítico sobre como são feitas as ferramentas. Você sabe como funciona a fábrica de teorias de gestão?

De forma resumida, as melhores teorias, como a da inovação disruptiva, do professor Clay Christensen, são produtos do método científico, que envolve observação, categorização, teste de hipóteses e teorização. Ou seja, uma boa teoria nunca advém de um único caso de sucesso. Uma teoria robusta não se resume a olhar algo que deu certo e buscar algum atributo presente. Você sabia que durante algum tempo na busca do voo tripulado os pesquisadores pensavam que o que fazia um avião voar eram as asas e não a mecânica dos fluidos? Foi necessário muitos experimentos e quedas de aviões com asas para que isso ficasse claro.

Resumindo, o segredo aqui é:

    1. Não se apaixonar pelo remédio, mas se concentrar no problema: o business model canvas é bom desde que você esteja desenhando um novo negócio.
    2. Não se contentar com ferramentas e teorias baseadas em uma única experiência: você faria uma cirurgia de coração com alguém que viveu uma única experiência?
    3. Compreender que realidades distintas requerem abordagens distintas: o lean startup surgiu como uma nova teoria de gestão de projetos para uma nova realidade de maior grau de incerteza.

Nossos problemas de negócios são muito complexos para darmos pouca atenção à forma como selecionamos e aplicamos nossas ferramentas gerenciais. A analogia da medicina traz importantes insights sobre como podemos entender nossa necessidade, selecionar as melhores ferramentas e aplicá-las da maneira adequada para aumentar nossas chances de mantermos nossa empresa saudável.

, Innoscience, Sócio Fundador
Maximiliano é sócio fundador da Innoscience, consultoria especializada em gestão da inovação; Graduado e mestre em administração com ênfase em estratégia e inovação na PUCRS. Certificate em strategy and innovation no MIT/Sloan School of Management e cursos em Stanford, Columbia e Berkeley; Fez carreira executiva em instituição financeira nos anos 90; Tem experiência como consultor nos setores de cosméticos, automotivo, varejo, financeiro, farmacêutico, construção, TI, bens de consumo, indústria entre outros tendo trabalhado com 9 das 50 empresas mais inovadoras do Brasil nos últimos anos; Autor do livros Gestão da Inovação na Prática e Práticas dos Inovadores: Tudo que você precisa saber para começar a inovar; Atua como investidor anjo de start ups como sócio da aceleradora WOW; Mentor na Endeavor e Presidente do Comitê de Inovação da AMCHAM-SP; Escreve regularmente sobre o tema sendo responsável pelo serviço Pergunte ao Consultor no site 3minovacao.com.br da 3M do Brasil.

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