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Planejar Ou Fazer Planos?

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Quando usado como etapa mandatória, o plano de negócio pode criar mais problemas do que trazer soluções.

A construção de um novo negócio, seja nova empresa ou novo departamento dentro de uma empresa já existente, pressupõe planejamento.  Planejar é uma coisa, construir um Plano de Negócios (PN) é outra.  Planejar é importante, construir um PN não necessariamente.  Como qualquer ferramenta, o PN pode ser muito útil quando usado corretamente e por quem sabe o que está fazendo.  Quando usado como etapa mandatória da construção do negócio, entretanto, ele pode criar mais problemas do que trazer soluções.  Construir um PN é contraproducente, por exemplo, quando serve como desculpa para adiar o início, para não se colocar logo o barco na água. 

Diferentes aspectos devem ser considerados quando se lança uma empresa e eles precisam ser identificados e endereçados.  Mas há diferentes maneiras de fazer isso e o PN é apenas mais uma.  Em realidade, não é muito claro o grau de contribuição de um PN para o sucesso de uma empresa nascente.  Pesquisa realizada por Babson College – uma das catedrais do empreendedorismo no mundo – levantou várias e várias empresas, que deram certo e errado, que fizeram e não fizeram PN.  A conclusão?  Estatisticamente: 50/50; o que significa que nada se pode afirmar.  Por mais que grupos extremistas a favor e contra PN insistam em argumentos sérios e falaciosos para cooptar a opinião alheia, a verdade é que nada se pode afirmar.

É mais difícil errar quando se crê que a verdade está no meio.  É sempre bom usar os dois modelos mentais.  Do lado dos que defendem PN, concordo que quando se vai tirar o projeto do papel pela primeira vez, pode ser elucidativo escrever suas ideias, concatena-las e verificar se o todo fica em pé.  E escrever um PN ajuda nisso.  Por outro lado, nenhum plano de negócios resiste ao primeiro contato com um cliente de verdade no mundo real.  O quanto antes sairmos da teoria para prática, mais rápido nos aproximamos dos resultados.   Mas vá para o mundo real com as considerações proporcionadas pelos cenários virtuais pensados com antecedência.  Não seja intempestivo, pois todos os cogumelos são comestíveis; alguns apenas uma vez.

Existe uma razão para qual inequivocamente um PN é necessário.  Quando se vai buscar investimento para o negócio.  Investidores adoram PN!  O porquê disso?  Talvez ninguém saiba ao certo.  Pode ser porque fica mais fácil olhar o projeto quando todos os lados foram pensados.  Talvez seja apenas um hábito de investidores que gostam de ver os empreendedores se matarem para pensar a empresa inteira, quando a maior parte deles vai ler apenas o sumário executivo.  O que importa é que se você for buscar investimento, então vai ter de construir um PN.  Isso vem mudando, mas ainda deve perdurar por mais alguns anos.

Quando for montar seu negócio pense, planeje, discuta, mas fundamentalmente vá para o campo, crie protótipos, entenda o que pensa quem compraria seu produto ou serviço, altere suas premissas mediante os feedbacks dos potenciais clientes.  Não é um ciclo vicioso, mas um conjunto finito de iterações.  Acima de tudo, não procrastine e nem pense que que um PN é condição sine qua non

Afinal, você é do tipo que faz ou do tipo que faz planos?

 

Marcelo Salim é sócio de empresas em diferentes segmentos do mercado e coordenador do CEI – Centro de Empreendedorismo Ibmec, Empreendedor Endeavor desde 2000, e também escreveu sobre o seu papel de líder ao fundar uma empresa.

, Empreendedor Endeavor
Matemático pela UFRJ, Meste em Engenharia de Sistemas pela COPPE, com cursos de especialização em “Negócios” por HBS e Stanford e em “Empreendedorismo” por MIT e Babson College. Marcelo foi pesquisador na COPPE, no Centro Científico IBM e fundador de empresas no Brasil e no exterior. Foi selecionado "Empreendedor Endeavor“ (2000) e eleito "Entrepreneur of the Year" (2001) entre toda a comunidade Endeavor no mundo. Foi escolhido "Empreendedor do Novo Brasil" (2002) em concurso nacional da revista Você S.A.. É sócio de empresas em diferentes segmentos do mercado e membro do conselho de administração de empresas nacionais. Criou o CEI – Centro de Empreendedorismo Ibmec, é professor da FGV-RJ, PUC-RJ, e FDC. Participou da criação do Startup Rio e é seu Diretor de Educação, um programa estadual para geração e desenvolvimento de startups digitais inovadoras. Casado, três filhos, torcedor do Botafogo.

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1 Comentário

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  1. MARCELLO MAZZA - says:

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    Marcelo, concordo com suas afirmações sobre a real necessidade de um PN, porém me sinto inseguro de começar um negócio, de colocar dinheiro nele, sem antes uma análise de mercado, os planos de marketing e de contingência. Itens que estão num PN. Além disso uma previsão do fluxo de caixa, partindo de algumas premissas, podem dar uma visão mais justa do sucesso do negócio. O que você acha? Obrigado!

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