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Vender Bosta em Lata pode ser um negócio sustentável?

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Você teria coragem de vender “bosta em lata”? Durante o Shark Tank Brasil, um empreendedor tentou a sorte. Entenda melhor toda situação

O Canal Sony passou a exibir a versão brasileira do programa Shark Tank (no Brasil, “Shark Tank Brasil – Negociando com Tubarões”- quintas, às 21h), durante o qual empreendedores têm a oportunidade de fazer um pitch de sua empresa para alguns milionários potenciais investidores. O grande barato é que a coisa é um reality show e dá para ver que o negócio é sério. Se o empreendedor for bem sucedido, sai de lá com o investimento fechado.

No episódio, o empreendedor Leonardo Malacrida pede R$ 150 mil por 30% do negócio, no qual ele já tinha investido R$ 15 mil, já tinha desenvolvido o produto, já tinha garantido a cadeia de fornecimento e já tinha desenvolvido o site de e-commerce chamado Bosta em Lata.

Cada lata do produto (500g de um composto natural de esterco bovino, turfa e terra natural embalado em uma latinha fofa) sai por R$ 19,90, price point 20 vezes acima do produto equivalente (sem a latinha fofa) nas boas lojas do ramo.

Os tubarões reunidos (turma ótima, super focada, argumentação sólida) começam a desafiá-lo a respeito da proposta de valor, do modelo de negócios, da capacidade de sustentar a produção em escala, da atratividade do negócio, do cenário competitivo, do price point… E um a um vão se recusando a investir, sempre louvando a competência de marketing do Leonardo (tem que ser muito ousado para oferecer bosta em lata na TV) mas, sempre duvidando se ele realmente tem um produto com um diferencial competitivo sustentável. 

No final da bateria de tiros (ou de mordidas?), apenas uma das investidoras, a empresária e empreendedora serial Cristiana Arcangeli, lhe faz a oferta de investir os R$ 150 mil, contra 50% do negócio, oferta que o Leonardo acaba recusando. E aqui é que a história fica realmente interessante.

Quando ela explica para ele por que está disposta a investir, explicita que não discorda dos outros, mas que percebeu nele uma competência na qual vale a pena apostar:“Chega uma hora que esta brincadeira se autoesgota, mas você, como é bom vendedor, vai inventar outra!”

Ela até fala que a ideia pode dar certo, mas que isto não era o mais importante para ela. O que fica claro para mim é que independentemente do retorno que ela teria por investir na Bosta em Lata, ela apostava muito mais no retorno que ela teria por investir no Leonardo. O produto provavelmente teria um ciclo de curto prazo, com retornos limitados, muito mais uma curiosidade do que qualquer outra coisa. Como ela mesmo diz, bom para fazer buzz em redes sociais. Já o Leonardo poderia ser um investimento mais sólido, com retornos maiores e mais perenes. Bem mais interessante.

O negócio não é fechado, infelizmente para o Leonardo, que perdeu a oportunidade de adquirir uma sócia brilhante (a mulher criou a Phytoervas, o Phytoervas Fashion que depois virou São Paulo Fashion Week, a Beauty Drink…) contra 50% de um negócio de curva rápida no qual ele colocou meros R$ 15 mil. E a sócia ainda vinha com um cheque de R$ 150 mil de brinde!!!

Quanto vale a expertise desta mulher? Quanto dinheiro Leonardo poderia ganhar no futuro com o aprendizado que teria com ela? Quanto de seu potencial ele poderia realizar na companhia dela, por mais eventual que fosse?

Não sei, posso estar sendo ingênuo. Pessoalmente, não conheço a Cristiana Arcangeli, mas tenho certeza que ela tem muito a ensinar. Deve ser uma super mentora. E foi disto que o Leonardo abriu mão. Bons empreendedores tendem a ser teimosos, e tomar uma decisão como esta sob pressão é muito difícil. Mas, se não está disposto a jogar, não desce pro play…

De qualquer forma, o Leonardo agora tem mais uma história para contar. Se é uma boa história não sei, mas certamente tem uma lição embutida nela.

E, pra mim, a lição é a de estar atento para as oportunidades que se abrem na sua frente, mesmo que elas não apareçam da forma que você espera. Na minha percepção, o Leonardo ficou preso na lógica do jogo que ele veio jogar e não se ligou (ou decidiu não apostar) na porta diferente que se abria, com possibilidades diferentes de retorno. O que foi uma pena. Vantagens competitivas são, na maior parte das vezes, ancoradas em um arranjo raro de competências. Resultados interessantes poderiam ter sido gerados pela parceria Leonardo e Cristiana. Infelizmente, não saberemos.

De qualquer forma, o Leonardo agora tem mais uma história para contar. Coincidência ou não, no site dele tem o contato para contratar suas palestras. Uma coisa não dá para negar: o cara é bom de marketing!

, Consultor
Consultor e Palestrante nas áreas de Estratégia e Gestão de Pessoas. Começou sua carreira na área de TI, fundando em 1989 a startup Iris do Brasil, vendida em 1997 para a ADP Systems. Foi Diretor da Gestech Consultoria Empresarial, Diretor Corporativo de RH da Gazeta Mercantil, Diretor de Tecnologia da ADP Brasil e Vice-Presidente Executivo da ABRH Nacional. Como consultor liderou dezenas de projetos de transformação, tendo entre seus clientes: Syngenta, Baxter, GRSA, Gruppo Campari, Grupo Santander, AON Affinity, Banco Daimler-Chrysler, Mapfre Seguros, Grupo Telefónica, Martin-Brower, McLane, Termomecânica, UAB Motors e FIEP. Consultor Associado na Tempo Zero e na Galunion. Consultor Certificado DISC eTalent. Membro do CORHALE, na ABRH Nacional. Conselheiro da ABRH-SP e da Sobratt.

http://danielcastello.com.br

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1 Comentário

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  1. Wagner Mariotto Bonfiglio - says:

    1 curtidas
     
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    Muito boa a análise, Daniel! Ainda acho que muitas vezes os tubarões abusam na pedida de equity, mas em casos como o Bosta em lata até que faz sentido a pedida de 50%.

    Nesse sentido de “apostar no empreendedor”, o Robinson Shiba mandou muito bem apostando em um “desenvolvedor de produtos”, ao invés de apostar apenas na empresa que ele estava apresentando. É um ótimo complemento para esse texto!

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