Delegar, liderar e formar novos líderes: como se adaptar aos novos papéis?

Endeavor Brasil
Endeavor Brasil

A Endeavor é a organização líder no apoio a empreendedores de alto impacto ao redor do mundo. Presente em mais de 30 países, e com 8 escritórios em diversas regiões do Brasil.

Nesse painel do Scale-Up Summit 2018, André Ferraz, fundador da In Loco, Daniel Hatkoff, empreendedor da Pitzi, e Max Oliveira, da MaxMilhas, compartilham seus aprendizados liderando empresas de alto crescimento.

Todo mundo já ouviu falar do mito do empreendedor super-herói. Não leve a mal, nós acreditamos fortemente que são os empreendedores que vão mudar o Brasil. Mas eles continuam sendo humanos. Você, empreendedor, é um só.

Por isso, chega o momento em que delegar não é só uma opção: é um dever — e dos difíceis, porque é uma responsabilidade que você passa adiante. Uma que, antes, estava nas suas mãos, e que você provavelmente executava muito bem.

Como então desenvolver a capacidade de fazer uma entrega cujo resultado não depende mais unicamente de você e, tão importante quanto, ter tranquilidade para isso e confiança no seu time?

Vários “como”, um “o quê”

Para facilitar o processo de delegar, é fundamental construir confiança — tanto a de que a pessoa vai entregar, quanto a de que vai entregar bem.

O primeiro ponto se resolve de forma relativamente fácil: alinhando expectativas e objetivos. Por isso, é fundamental trabalhar com indicadores e ter muito claros e disseminados os resultados esperados de cada um.

Daniel Hatkoff acredita que o segredo para garantir excelência na entrega está em casar habilidades com o obstáculo. “Aprendi que pessoas inteligentes são inteligentes de formas diferentes. Um dos meus maiores trabalhos é identificar em cada pessoa do time o que eles fazem muito bem, porque cada pessoa é muito craque em alguma coisa. Se você conseguir colocar essa pessoa no desafio certo, ela vai voar.”

Buscar líderes dentro ou fora de casa?

Ao longo do crescimento, é normal deparar-se com a realização de que falta algum conhecimento específico em você ou no time para alcançar o próximo nível. O jeito é desenvolvê-lo internamente ou buscá-lo no mercado. Mas quando é a vez de cada um?

Para André Ferraz, da In Loco, a prioridade é sempre entender se há algum colaborador com capacidade de adquirir esse conhecimento rapidamente — afinal, isso se traduz no investimento em alguém que já tem encaixe cultural comprovado —, mas isso geralmente depende da urgência e dificuldade daquela demanda.

Na falta de tempo hábil, mais vale ocupá-lo buscando quem já tenha uma bagagem na área.

Entenda os níveis de delegação

“Se você quer que alguma coisa seja bem feita, faça você mesmo’ é uma crença que não te leva a lugar nenhum.”

Max Oliveira é categórico na afirmação, mas só porque ele aprendeu da forma mais difícil: já com 60 pessoas na equipe, ele precisou que um conselheiro lhe desse um “puxão de orelha” para se dar conta de que ele não podia estar em todas as áreas da empresa.

Sua reação inicial foi ir para o outro extremo e começar a delegar tudo, mas o tempo o mostrou que ele precisaria ponderar mais. Foi quando fez um curso de gestão que o fez perceber que há vários níveis de delegação.

Há pelo menos sete níveis de interação de um líder com o time.

São eles:

Mandar: o gestor diz o que deve ser feito.
Vender: o gestor vende a ideia dele para a equipe.
Consultar: o gestor pede a opinião da equipe, mas ele toma a decisão.
Consenso: o gestor e a equipe decidem juntos.
Aconselhar: o gestor dá um conselho, mas a equipe toma a decisão.
Validar: a equipe decide e depois presta contas da decisão que tomou para o gestor.
Delegar: a equipe decide e o gestor só conhece a decisão depois de executada.

“É importante ter esses níveis para não ir do 1 para o 7 com todo mundo, ou você vai se frustrar e achar que delegar não dá certo”, diz Max. Além disso, a transparência deixa claro quanta autonomia cada colaborador tem e saber que resultados são de sua responsabilidade.