Relações Governamentais: como essa área faz a interface entre sua scale-up e o governo?

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Endeavor Brasil
Endeavor Brasil

A Endeavor é a organização líder no apoio a empreendedores de alto impacto ao redor do mundo. Presente em mais de 30 países, e com 8 escritórios em diversas regiões do Brasil.

Conteúdo produzido de forma colaborativa com Ivan Ervolino – Diretor de Vendas, Brina Deponte Leveguen, Analista de Novos Negócios, Felipe Scuracchio Maragno Molina – Gerente de Sucesso do Cliente do Sigalei.

Sempre que debatemos maneiras de contribuir com o avanço político da sociedade repetimos a seguinte frase: A qualidade da democracia melhora quando mais grupos participam das decisões de Políticas Públicas. Para isso é necessário que levem aos tomadores de decisões suas demandas. Contudo, como chegar lá?

Uma das melhores formas de se chegar ao tomador de decisão é estruturando times e processos para levarem essas demandas de forma organizada. Quando surge a urgência de levar essas demandas, a instituição percebe a necessidade de se montar uma equipe na área de Relações Institucionais e Governamentais (RIG).

Em meados de 2015 muito se discutia sobre a necessidade de monitorar as ações do governo. Hoje em dia monitorar o que o governo faz é o ponto inicial de atuação, mas quais são as maneiras de se potencializar a capacidade de influência no processo de construção de Políticas Públicas?

Nesse artigo, decupamos o perfil e a rotina de uma área de Relações Governamentais de uma scale-up. Entenda como são formadas, como operam e de que forma sua atuação se conecta com a estratégia de crescimento do negócio.

Começando, claro, por uma pergunta-chave: quais empresas têm maior necessidade de formar uma área assim?

Vamos lá!

Perfil das scale-ups que têm uma área de Rel. Gov.

Necessariamente, o perfil das empresas que criam essas áreas é regulado ou disruptivo. Elas estão em setores que envolvem muita regulação como energia, combustível, saúde, agronegócio e o setor financeiro, ou ainda, apresentam uma tecnologia ou serviço capaz de disruptar um setor como o de mobilidade. Se uma scale-up já nasce com esse objetivo de disrupção, é provável que, desde o primeiro dia, tenha sua viabilidade impactada pela regulação.

Por essa razão, se envolver com a Política é fundamental para os empreendedores que decidiram criar um negócio de impacto. É nesse campo que nós, como sociedade, decidimos atuar para tomada de decisão coletiva. Quando você se afasta da Política, por não gostar ou não entender, é provável que tenha mais alguém lá representando os próprios direitos no campo decisório que também afeta sua empresa.

Na prática, a maioria das empresas só começa a pensar nessa estratégia quando sofre na pele o impacto da regulação, como por exemplo:

Um exemplo desse último ponto é a exigência, por exemplo, de capacetes para patinetes. O custo de aquisição para todos os patinetes operarem, nesse prazo curto, pode custar tanto para a operação que a torna inviável. Por essa razão, várias são as scale-ups que começaram a criar uma área própria de Relações Governamentais.

Perfil do time

Em muitos casos, a área nasce como uma spin-off da área Jurídica. Mesmo em organizações maiores, os times não costumam passar de 5 pessoas.

Normalmente, a formação desses profissionais está relacionada a:

Além disso, possuem uma bagagem de cursos de especialização em instituições como FGV, IBMEC, Insper e ESPM, ou de associações como a ABRIG e o Irelgov. Antigamente, era natural que esse time tivesse uma experiência prévia no governo já que o sucesso estava atrelado com quem aquela pessoa conhecia. Hoje, porém, se um ato normativo foi apresentado, por exemplo, um profissional dessa área pode conseguir a agenda de um deputado, de forma mais aberta do que antigamente.

Estratégia de atuação

Com as informações nas mãos do que está tramitando no governo, a área de RelGov. pode aderir a duas estratégias, ambas legítimas e legais. Lembrando que Lobby é uma atividade legal, enquanto que tráfico de influência é um crime.

Como exemplo dessa visão, sua estratégia pode ser defensiva ou positiva.

Defensiva

Alguns mecanismos legais de atraso da proposição incluem:

Positiva

Quando a proposição é de seu interesse, você pode influenciar para que os deputados possam:

Na prática, essa área monitora todas as proposições que podem afetar a operação do negócio e decide se atua com contato individual com os deputados ou, em alguns casos, a partir de pressão popular usando a mídia como veículo da sua agenda.

Se você está no momento de estruturar uma área de Relações Governamentais, é importante considerar as seguintes orientações:

1. Comece mapeando as proposições ou leis que podem impactar seu negócio. Entenda em que terreno você está lidando, em termos políticos, quem são os players envolvidos e que outras empresas já estão interessadas nesta mesma pauta que você.

2. Com isso feito, você tem duas alternativas: tocar sua operação enquanto as proposições avançam e só montar o time quando o tema ganhar mais relevância na agenda pública. Ou, de saída, você pode criar um time de Relações Governamentais para lidar com o governo.

3. Estruture, então, o time de Relações Governamentais com uma agenda pública positiva.

4. O monitoramento dessas movimentações políticas garante que o time não esteja presente apenas para apagar incêndios, mas mais que isso, que ele possa agir de forma proativa ao lado dos legisladores.

5. Não existe um consenso de métricas e indicadores para o sucesso dessa área, já que o resultado depende de uma série de variáveis que vão além do centro de ação da área. Por essa razão, muitas organizações optam por metas relacionadas a ações e não tanto a resultados como o IEC, o Índice de Efetividade de Causa.