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Patentear? Nem sempre!

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Analise todos os aspectos de sua empresa: a decisão de patentear ou não deve variar dependendo dos reais objetivos dela.

Ouvimos o tempo todo com orgulho que o Brasil forma por ano 12.000 doutores e produz algo como 2,7% de toda a produção científica mundial, mas, por outro lado, questionamos porque todo este capital humano e este conhecimento não se traduz em patentes: enquanto o Brasil deposita em torno de 200 patentes anualmente nos EUA, a Coréia do Sul deposita 12.000. Este indicador demonstra um grande potencial de melhoria para nosso país, pois uma nação precisa de empresas de base tecnológica. E a geração de produtos de alto valor agregado, normalmente patenteados, cria e mantém empregos de melhor qualificação e remuneração, bem como resulta em maior competitividade e saldo da balança comercial.

Isto significa então que todas as empresas precisam se preocupar constantemente em gerar inovações de alto conteúdo tecnológico e devem pensar sempre em “proteger” estes resultados através de patentes? A resposta pode decepcionar alguns: depende!

Antes de explicar porque nem sempre precisamos patentear, vamos entender o motivo pelo qual foi criado e existe o processo de depósito e concessão de patentes praticados mundialmente. Embora muitos acreditem que a palavra chave relacionada a patentes seja a de proteger suas ideias, na gênesis do conceito a motivação é a de compartilhar e socializar os resultados com toda a sociedade, para que, em algum momento no futuro, estas descobertas estejam acessíveis a todos e próximas evoluções das tecnologias e produtos correlatos possam partir já desta base inicial. A empresa, ao patentear algo e, assim, compartilhar futuramente com a sociedade os detalhes do seu produto, recebe a garantia de que todo o investimento (recursos humanos, materiais e financeiros) que fez para chegar a um produto ou tecnologia será de sua propriedade por um período determinado de tempo, podendo ser replicado por outros apenas se negociado. Mas este processo tem seu preço: custos de preparação, de análise, de depósito, de manutenção, prazos de espera, risco de cópia, possíveis ações jurídicas, entre outros.

Entendendo isto e voltando ao tema de nosso artigo, a decisão de patentear ou não varia em função do que a empresa está desenvolvendo, se é de forma própria ou integrando de outras empresas, do montante investido e durante quanto tempo, do risco e impacto de uma cópia do produto por um concorrente, do tempo necessário para a concessão, entre outros motivos. Vamos dar dois exemplos opostos para ficar mais claro: a indústria farmacêutica investe muito dinheiro e anos de pesquisa, testes em laboratórios, testes clínicos em pessoas, etc. e precisa proteger suas moléculas para que este investimento possa ter retorno; uma grande fabricante de refrigerante mantém sua fórmula centenária em segredo industrial (ou seja, em um cofre em banco) e não a patenteia com medo que alguém possa copiá-la e que sua exclusividade de mercado se perca.

Ou seja, antes de se preocupar em sair patenteando tudo que sua empresa faz, analise todos estes aspectos e coloque em uma balança os ganhos versus os custos.

 

Ronald Dauscha é Diretor Corporativo de Tecnologia e Inovação do Grupo Siemens no Brasil.
 

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, Siemens, Diretor de Estratégia & Inovação
Ronald Dauscha é Diretor Corporativo de Estratégia e Inovação do Grupo Siemens no Brasil. Na companhia há 25 anos, ocupou cargos como a direção de P&D e de Gestão de Inovação e Tecnologia, além de atuar nas áreas de vendas, produção e serviços da empresa no Brasil, Alemanha e Itália. Também foi CEO de uma das empresas da holding, a SHC Brasil (Siemens Home and Office Communication Devices). É ex-presidente e diretor da ANPEI (Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras) e já participou de vários conselhos e diretorias de órgãos como Finep, Contec/Fiesp, Instituto Eldorado, Instituto Certi, CGEE e Abinee. Hoje também atua na FAPESP fazendo parte da Coordenação Adjunta dos projetos PIPE e PITE.

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