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Ouça o chamado do empreendedorismo

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Do que é feito o empreendedor? Empreendedores já nasceram predestinados? Uma pessoa normal pode, de repente, acordar empreendedor?

Acredito que todos nós nascemos empreendedores, e que cada um de nós passa por circunstâncias na vida que podem fazer nosso lado empreendedor se manifestar. Estas circunstâncias podem ter as mais diversas naturezas, são os ‘chamados’ para empreender. Pode ser um curso que você fez, pode ser um amigo que o influenciou, pode ser um trabalho bem feito, os ‘chamados’ surgem de qualquer lugar. Muitas vezes nem notamos, outras vezes não seguimos. Mas, às vezes, é tão forte que não conseguimos ignorar. Para Jorge, este chamado foi uma ideia. Ela surgiu durante o seu trabalho, como se fosse uma anunciação divina. No começo, só um insight, uma semente, uma possibilidade remota que aos poucos foi crescendo, se tornando mais clara, até que ele não conseguia mais dormir, era só a ideia que ocupava sua mente, cada vez com mais detalhes, cada vez mais clara. Quanto mais evidente e óbvia, maior era sua ansiedade e seu desejo de torná-la realidade.

Só que Jorge era um lixeiro, sem ter sequer completado o ensino médio, sem dinheiro, sem nenhuma influência familiar para ser algo grande na vida. Para ele, sua vida se resumia a acordar às 8 da noite, jantar, ir para o trabalho e passar a madrugada recolhendo lixo nas ruas, para depois voltar para casa, brincar com o filho pequeno, almoçar e voltar a dormir. Tinha um salário para viver uma vida simples e humilde e não tinha nenhuma aspiração de carreira. A ideia surgiu numa noite, quando prestou um pouco mais de atenção ao seu mecânico trabalho de coleta de lixo. Era um processo simples, quase todo automatizado. Em algumas cidades, o sistema de coleta de lixo funciona da seguinte maneira: em cada quarteirão existe uma grande caixa de plástico, com tampa e dotado de rodinhas, na rua, encostada no meio-fio. Para jogar o lixo, as pessoas vão até esta caixa, abrem a tampa e depositam seus sacos de lixo lá dentro. De madrugada, os caminhões passam pelas ruas e param ao lado de cada uma destas caixas. O lixeiro só tem o trabalho de empurrar a caixa para conectar a um dispositivo na traseira do caminhão, quando então este dispositivo é acionado, levanta e vira a caixa para que a tampa se abra e todo o conteúdo escorregue para dentro do caminhão. Depois de vazia, a caixa volta à situação inicial, o lixeiro a destrava e a recoloca no seu lugar na rua. Em seguida, o caminhão se dirige ao próximo quarteirão e todo o processo se reinicia.

As semanas se passavam e Jorge já não aguentava mais aquela ideia martelando a sua cabeça, cada dia mais forte, mais insistente, mais cheia de detalhes que o convenciam que a ideia era boa. Pois uma noite, ele teve coragem e humildemente pediu ao seu supervisor para autorizá-lo a sair naquela noite com uma caixa vazia já conectada ao caminhão. Não se sabe porque o supervisor de Jorge autorizou aquela mudança de procedimento, até porque Jorge nem sabia explicar o que queria fazer. Quando chegou ao primeiro quarteirão, ele destravou a caixa vazia, colocou-a no lugar da caixa cheia e conectou a caixa cheia no dispositivo. Então, mandou o motorista seguir e enquanto o caminhão se movimentava ele acionou o dispositivo para esvaziar a caixa. Ao chegar ao quarteirão seguinte, a caixa já havia sido esvaziada e Jorge então troca novamente a caixa para reiniciar todo o ciclo. A simples ideia de Jorge de usar o mesmo tempo de esvaziamento da caixa para o deslocamento do caminhão fez sua equipe encerrar o trabalho todo na metade do tempo que os outros colegas normalmente levam. Logo sua ideia foi implantada em todas as equipes de coleta e Jorge ganhou um aumento no salário.

Não sei o que aconteceu depois com Jorge. Talvez tenha ficado muito orgulhoso, mas não tenha feito mais nada diferente depois. Pode ser que aquela primeira experiência o estimulou a trazer novas ideias para a empresa. Pode ser que tenha se tornado um empreendedor no setor de serviços públicos. Só sei que ele resolveu ouvir o chamado e não se arrependeu. E você, está ouvindo o chamado do empreendedorismo? Se já for empreendedor, tem valorizado os intraempreendedores da sua equipe?

 

Marcos Hashimoto é doutor em Administração pela EAESP-FGV, é professor da graduação e MBA da ESPM, e pesquisador do Mestrado Profissional da Faccamp.

 

 

 

 

 
 
 
 
Doutor em Administração de Empresas pela EAESP/FGV, Professor pesquisador do Mestrado Profissional em Administração da Faculdade Campo Limpo Paulista. Associado-fundador e tesoureiro da Associação Nacional de Estudos em Empreendedorismo e Pequenas Empresas. Consultor e palestrante em negócios e empreendedorismo corporativo. Foi Coordenador do Centro de Empreendedorismo da FAAP e professor da Escola São Paulo. Criou e coordenou o Centro de Empreendedorismo do Insper. Exerceu cargos executivos em multinacionais como Citibank e Cargill Agrícola.
www.marcoshashimoto.com

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