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Os irmãos que abriram mão de um negócio de sucesso para começar tudo de novo e ir mais longe

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Os irmãos que abriram mão de um negócio de sucesso para começar tudo de novo e ir mais longe

Conheça a história da Arizona: a empresa que começou com duas máquinas de gráficas usadas e hoje lidera as transformações no mercado de comunicação do Brasil.

Atingida por um tiro em guerra na região da Síria no início do século passado, com apenas uma perna, pegou o filho nos braços e embarcou em um navio rumo aos EUA. Como não puderam entrar no país, a embarcação teve de desviar a rota e acabou vindo para o Brasil. Aqui, ela precisou pavimentar seu próprio caminho para garantir o sustento da família.

A mulher era a bisavó de Marcus e Alexandre Hadade, que herdaram características comuns a muitas famílias de imigrantes, como coragem, ousadia e determinação. Não por acaso, as mesmas que impulsionam os empreendedores — afinal, dos dois lados, desbravar e construir faz parte da essência.

Gerações depois, Marcus e Alexandre seguiam os passos corajosos de seus ancestrais. Juntos desde o início do negócio, quando era apenas uma gráfica muito simples, eles transformaram a Arizona em uma empresa de tecnologia integrada para gestão de comunicação e marketing entre agências e anunciantes, com mais de 300 colaboradores e atuação internacional.

Exemplos em casa

Quando o avô de Marcus e Alexandre (aquele, que também estava no navio) se mudou para São Paulo, ele tinha 17 anos e nada no bolso. Até então só havia trabalhado na roça e começou uma vida empreendedora como mascate, indo vender produtos no interior. Todo dia guardava dinheiro para fazer um curso de eletrônica. O curso era por correspondência e em alemão, mas ele não falava nem o português direito. Conseguiu estudar com a ajuda de um amigo e montou a primeira lojinha de consertos de vitrola.

Depois de casado, foi morar com a esposa nos fundos da loja. Em vez de fogão, usava uma lata de tinta para cozinhar. Em vez de berço, pregou uma prateleira de madeira e colocou um colchãozinho para o filho, Abdo Antonio Hadade, dormir.

Com 9 anos, Abdo começou a buscar os rádios e entregar os produtos de bicicleta para ajudar o pai. Com 18 anos, a veia empreendedora se manifestou e ele assumiu a pequena oficina. Transformou-a na loja de eletrônicos Cineral e começou a crescer. Abriu outro negócio de consórcios para a venda de carros e eletrônicos.

Marcus e Alexandre ainda eram pequenos, mas participavam de tudo e trabalhavam como vendedores porta a porta. Assim que Marcus saiu do Exército, seu pai lhe disse: “A partir de segunda, você vai abrir a filial de vendas de consórcio”. Foi o que ele fez.

Mesmo tendo tido oportunidade de concluir uma faculdade de administração e de fazer cursos nos EUA e na Suíça, o que Marcus mais valoriza como sua verdadeira formação é a escola da família, com o exemplo do avô e do pai, e as experiências da vida real: “Toda decisão importante que meu pai ia tomar, ele sempre me chamava na sala. Sempre chamava para escutar a negociação. Eu escutava, anotava tudo e depois ele ia me explicando a estratégia de negociação, porque ele tomou tal decisão. Foi um aprendizado muito valioso.”

Outra saga se apresenta: a gráfica

Havia grande expectativa da família de que Marcus e Alexandre assumissem os negócios, até então focados no setor de eletroeletrônicos. Mas o sangue empreendedor ansiava por novos horizontes e, depois de trabalharem na empresa da família, eles tomaram a decisão de construir a própria história.

Em 1998, seu Abdo havia comprado duas máquinas gráficas usadas, por meio de um anúncio nos classificados, para imprimir os carnês do consórcio e os manuais da Cineral. Era um volume grande de impressos, mas faltava mão de obra especializada, e as máquinas estavam entrando em desuso.

Para evitar que Abdo se desfizesse delas, Alexandre e sua mãe, Jaqueline, as puseram para funcionar em uma pequena gráfica. Marcus entrou logo depois como reforço comercial.

“Quando começou, a gráfica era super tosca”, conta Alexandre. Ela tinha 4 colaboradores e assumia pedidos que não tinha nem condição de imprimir, porque as máquinas eram velhas demais: “A gente mandava imprimir fora, fazia o acabamento e entregava.”

Só que os três foram tomando gosto pelo trabalho.

A Arizona era uma folha em branco e eles podiam pintar ali o que quisessem.

Tudo começou a mudar quando eles fizeram um plano de negócios e detectaram um nicho de mercado no qual faltavam gráficas para impressão de alta qualidade. Havia apenas um obstáculo óbvio para conquistar esses clientes: equipamento, já que máquinas novas custariam quase 1 milhão de euros. O patrimônio dos irmãos era de um carro cada um.

Eles começaram a visitar fabricantes de equipamentos importados para correr atrás de uma solução. E encontraram.

Em dívida

Conversando com os grandes fabricantes, Marcus e Alexandre descobriram que eles não tinham um lugar para mostrar a qualidade dos seus produtos. Os irmãos, por outro lado, não tinham capacidade de comprar os materiais de todos esses fornecedores para atingir a qualidade esperada.

Foi quando a ousadia e criatividade dos irmãos definiu os rumos da empresa. Convidaram todos os caras dessas indústrias — que ia do papel e da tinta às máquinas de acabamento — para almoçar num restaurante bom. Lá, apresentaram o projeto Soma, que sugeria uma parceria entre todos e a Arizona e que poderia servir como um showroom para eles, já que teriam a oportunidade de expor a eficiência de seus produtos e máquinas por meio das peças de comunicação de grandes anunciantes.

“Pedimos subsídios, treinamento, crédito e facilidade, porque a gente não tinha condição de comprar as máquinas. Conseguimos o ok de todos e eles entraram no projeto”, conta Marcus. Com um financiamento de cinco anos mais um de carência, Marcus e Alexandre montaram a indústria gráfica que foi referência no setor, com uma proposta “premium price” para um trabalho super sofisticado.

Os irmãos pagavam a semestralidade da dívida em euro, enquanto a receita da produção era em reais. Estava indo bem, até que o real sofreu uma maxidesvalorização e o euro triplicou de valor. “De repente a receita continuou a mesma e a dívida ficou estratosférica. A gente falou: ‘Ferrou, não tem como pagar’. Daí a gente perdeu o sono”, diz Alexandre.

Por sorte, o fabricante alemão que fez o financiamento flexibilizou os prazos. Foi empurrando para frente e, no fim, deu tudo certo. “Mas a gente passou um período bem tenso”, complementa Marcus. “Dificuldade a gente tem um milhão aqui, mas essa foi a mais importante e a mais difícil de vencer. Para quem teve uma criação muito rígida, ver que você não vai conseguir honrar uma dívida é muito forte.”

Novos cenários pedem mudanças de rumo

Como o trabalho que faziam era de excelência em todo o processo, algum tempo depois outras gráficas começaram a contratar a Arizona para fazer também a preparação de arquivos, o trabalho de pré-impressão. Foi quando perceberam novas oportunidades no mercado, que já passava por grandes alterações.

Até então, a Arizona produzia trabalhos muito qualificados de baixa tiragem. Os clientes, da área de marketing e agências, pagavam mais caro para ter um produto melhor com um nível de exigência maior. Quando a tomada de decisão dos grandes anunciantes sobre a contratação de material gráfico começou a migrar da área de marketing para a área de compras, eles perceberam que estavam migrando de um cliente que priorizava qualidade para outro que priorizava preço.

Para atender às novas demandas, teriam que ter volume. A gráfica era uma butique e eles precisariam investir um valor absurdo para crescer. Havia dois caminhos: ou se transformavam numa grande indústria ou mudavam o modelo de negócio. “Obviamente, o que nos desafiava era mudar de negócio”, conta Alexandre.

Mas para enxergar o contexto de mudanças que se apresentava, era preciso desenhar cenários. Marcus resgatou sua experiência no Exército:

“Se vier de um lado o inimigo e do outro encontro um rio, ou uma ponte quebrada, o que eu faço? Você não espera as coisas acontecerem para pensar o que vai fazer, você traça cenários para estar preparado para realizar), já pensando nos desdobramentos conforme as coisas vão acontecendo. No mundo dos negócios, na realidade do Brasil, é muito difícil fazer um planejamento de dois ou três anos, então você começa a traçar cenários que o ajudem a ter agilidade na tomada de decisão.”

Como primeiro negócio dos irmãos Hadade, a gráfica foi um mega sucesso, com prêmios e crescimento a todo vapor. Parecia loucura, então, vendê-la — 99% das pessoas que eles consultaram os desaconselharam. Até clientes prometiam: “Não saiam do negócio, a gente vai por mais trabalho aí”.

A exceção foi um mentor da dupla, especialista em private equity e bastante experiente: “Não sei o que vocês estão esperando”. Foi a gota d’água, mas uma gota d’água do bem. A virada de chave que faltava. Cha-ching! A gráfica foi adquirida por um dos maiores grupos do setor no mundo.

Pacote completo

Com os recursos da venda, os irmãos passaram a investir em tecnologia para melhorar ainda mais as entregas de produção. Era o momento da transição do mundo analógico para o digital, então os anunciantes e as agências precisavam se organizar para armazenar, preparar e enviar arquivos também para anúncios online, redes sociais e e-commerce.

Para um de seus maiores (e primeiros) clientes, a Natura, por exemplo, a Arizona conseguiu garantir a unidade da marca nos milhões de catálogos impressos todo mês em diferentes países. Com isso, 30% menos clientes devolveram produtos por conta de disparidade na cor do produto real em relação à foto,, fora a economia de gastos.

Observando mais essa tendência, eles se posicionaram num ponto estratégico, entre a criação e a entrega da peça para cada tipo de mídia, desonerando as agências de publicidade desse trabalho operacional e aumentando a qualidade final percebida pelo cliente. Mais do que isso, desenvolveram uma plataforma de tecnologia que permitia o armazenamento e reaproveitamento de ativos (como fotos, videos e informações sobre produtos) e seu posterior envio para veiculação nas mídias.

Essa tecnologia, pensada inicialmente para resolver os problemas internos da empresa, começou a chamar atenção dos clientes, que viam grande benefício em ter seus ativos digitais organizados.

Atentos a isso, os irmãos estudaram como eram os processos de marketing nas empresas e que tecnologias suportavam isso. Perceberam um gap, e portanto uma grande oportunidade, e se focaram em desenvolver uma plataforma responsável por gerenciar todo o processo de produção de conteúdos de produto e de campanhas de marketing. Era mais uma disrupção no negócio.

Inovando o tempo todo

Internamente, Marcus e Alexandre também reconhecem o valor da equipe e investem em um time com talentos diversos para criar um caldo de cultura propício à a inovação.

“Você não escolhe o dia. Você não fala ‘vou ter a grande ideia’ e tem. Só existe inovação em um ambiente que não seja hostil à falha, para que as pessoas tragam ideias novas. A gente está sempre discutindo para onde está indo, qual é o novo oeste a conquistar”, diz Alexandre.

Por isso, a Arizona está constantemente se reinventando. Além da produtora multicanal e da plataforma de tecnologia para gestão de processos de marketing, eles agora também têm usado big data para traçar perfis de público para anúncios e se propõem a ser a única fonte da verdade dos conteúdos de produtos e marcas. Abrem, assim, um nicho de mercado até então inexplorado, onde a Arizona gerencia todo o ecossistema de conteúdos de produtos, desde a produção de fotos e videos até a entrega destas informação ao consumidor final.

Meditação e equilíbrio na vida pessoal

Se você pensa que Marcus e Alexandre trabalham muito, você está certo(a). Mas para Marcus, essa vida louca de ficar “morando no escritório”, virando a noite e os fins de semana, ficou no passado. Ele começou a sentir a diferença depois que casou e teve filhos:

“Quando você não tem mais 20 anos, tem uma preocupação maior com sua saúde e bem-estar. Eu procuro ter uma convivência de qualidade com os filhos, do tipo que faz a diferença: conversar, participar da vida, das reuniões da escola, fazer junto o material que será vendido no bazar de natal.”

A rotina saudável inclui exercícios diários, yoga e meditação. Com Alexandre não é diferente: ele também pratica esportes diariamente e já correu corridas de aventuras e ultramaratonas. Hoje, mantém a saúde jogando tênis e meditando. Animado com a prática, Alexandre montou um grupo na empresa que, toda semana, se reúne com um monge para meditar e discutir espiritualidade.

O grande benefício, segundo ele, é acalmar a mente, que vive ligada nos 220 v, e estabelecer uma relação melhor com as pessoas, a partir do aprendizado de se conectar consigo mesmo: “Em nenhum lugar do mundo você aprende a lidar com pessoas — nem em casa nem na faculdade –, mas estamos o tempo todo lidando com elas. A meditação ajuda muito a desenvolver nossas habilidades de lidar conosco e com os outros – isso é auto-conhecimento”.

Arizona hoje

Making Marketing Flow. Making Content flow. Making…flow. O slogan dinâmico, que altera palavras, mostra bem a fluidez que a empresa pretende oferecer e que adota na forma de conduzir mudanças.

Hoje a Arizona funciona como um hub que armazena e distribui conteúdos de marcas e produtos, utilizando tecnologia e processos próprios, que garantem agilidade e controle das ações de marketing. A Arizona atende grandes agências e 70 dos 300 maiores anunciantes do país.

Com mais de 300 funcionários e sede em São Paulo, tem filiais no Rio de Janeiro e em Buenos Aires e atende clientes no Chile, Bélgica e Inglaterra. Mas enquanto você estiver lendo isso, pode ser que novas parcerias estejam acontecendo. Afinal, estamos todos em permanente evolução.

A Arizona tem algumas oportunidades abertas para intraempreendedores que querem conhecer de perto como é trabalhar em uma empresa de alto crescimento. Conheça as oportunidades, compartilhe com seus amigos e candidate-se! Esse pode ser o primeiro passo para você conhecer a rotina de uma empresa de alto impacto e, quem sabe um dia, criar a sua.

Para se aprofundar, veja também:

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A Endeavor é a organização líder no apoio a empreendedores de alto impacto ao redor do mundo. Presente em mais de 20 países, e com 8 escritórios em diversas regiões do Brasil.

Acreditamos que a força do exemplo é o caminho para multiplicar empreendedores que transformam o Brasil e por isso trazemos aprendizados práticos e histórias de superação de grandes nomes do empreendedorismo para que se disseminem e ajudem empreendedores a transformarem seus sonhos grandes e negócios de alto impacto.

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