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O que é esta tal de Inovação Aberta?

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Ela introduz novas formas de incorporação de tecnologias e produtos com a integração de departamentos e pode ser aplicada até mesmo em pequenas empresas.

Demorei muito tempo para entender o que significava Inovação Aberta e mais tempo ainda para exercitá-la e poder explicar o que está por trás deste termo. A melhor forma de entender a origem do conceito é compreender, quase intuitivamente, que antes da Inovação Aberta deveria ter havido algo como uma Inovação Fechada nas empresas. E foi assim mesmo, pois, poucas décadas atrás, grandes empresas tinham seus centros de pesquisa e desenvolvimentos cativos, com verbas estratosféricas destinadas a criar e conceber tecnologias e produtos não necessariamente alinhados com as necessidades imediatas do mercado e sem a preocupação de conversar com outras áreas das empresas, e muito menos com outros atores fora dos muros da organização (clientes, fornecedores e outros parceiros).

Quando este modelo ruiu? Quando se percebeu que indicadores cada vez maiores, orgulhosamente ostentados, de “valores investidos em P&D sobre faturamento das empresas” não estavam garantindo crescimentos e lucros sustentáveis e avaliou-se a pequena quantidade de produtos que realmente tiveram sucesso no mercado, comparado com o grande número de tecnologias e produtos “jogados fora” nos centros. Também se descobria, muitas vezes, que parte destas soluções descartadas, simplesmente ignoradas e não valorizadas internamente, por total descuido na transferência para outros interessados, ressurgiam como soluções brilhantes e inovadoras em outras aplicações e produtos de outras empresas.

Antes de chegar no atual modelo de Inovação Aberta adotado por várias empresas, houve um processo de amadurecimento, onde elas primeiramente abriram seus departamentos fechados de pesquisa e desenvolvimento para ouvirem seus parceiros dentro da própria empresa (áreas de vendas, serviços de campo e outros). Na sequência, começaram a envolver seus fornecedores na cadeia de inovação, como também os próprios clientes. A Inovação em Rede que logo depois surgia, já passava a envolver outros agentes, como Universidades e Institutos de Pesquisa e até outras empresas concorrentes, em momentos ainda pré-competitivos (desenvolviam-se em conjunto novas tecnologias para que cada empresa, posteriormente, a usasse de forma diferente na comercialização).

A Inovação Aberta manteve estas relações de inovação mencionadas acima, mas introduziu outras formas de incorporação de tecnologias e produtos, bem como, outras maneiras de geração de receita e lucro. Por exemplo, baseando-se na dura experiência do “desperdício” de tecnologias e produtos gerados a partir do processo principal de inovação, como descrito anteriormente, passou-se a acompanhar sistematicamente e gerenciar todos os subprodutos do processo inovativo, licenciando-os ou vendendo-os para interessados externos ou incentivando indivíduos ou equipes inteiras a fundar novas empresas (processo chamado de “spin-out”).

No sentido contrário, para acelerar a incorporação de novas tecnologias e produtos no portfólio atual da empresa, no modelo da Inovação Aberta, prevê-se a compra ou licenciamento de tecnologias, bem como, a aquisição de empresas de base tecnológica (chamado de “spin-in”) ou a participação acionária em empresas que estejam alinhadas com a rota tecnológica da organização.

Na verdade, todas estas formas de relacionamento e processos de inovação já existiam de forma isolada anteriormente, em sua totalidade ou mais provavelmente, parcialmente em muitas empresas, mas só após esta conceituação segundo o modelo de Inovação Aberta é que as empresas passaram a praticar sistematicamente estas novas oportunidades de inovação. Mesmo pequenas empresas podem praticar uma ou mais etapas deste modelo.

 

Ronald Dauscha é Diretor Corporativo de Tecnologia e Inovação do Grupo Siemens no Brasil.

 

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, Siemens, Diretor de Estratégia & Inovação
Ronald Dauscha é Diretor Corporativo de Estratégia e Inovação do Grupo Siemens no Brasil. Na companhia há 25 anos, ocupou cargos como a direção de P&D e de Gestão de Inovação e Tecnologia, além de atuar nas áreas de vendas, produção e serviços da empresa no Brasil, Alemanha e Itália. Também foi CEO de uma das empresas da holding, a SHC Brasil (Siemens Home and Office Communication Devices). É ex-presidente e diretor da ANPEI (Associação Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras) e já participou de vários conselhos e diretorias de órgãos como Finep, Contec/Fiesp, Instituto Eldorado, Instituto Certi, CGEE e Abinee. Hoje também atua na FAPESP fazendo parte da Coordenação Adjunta dos projetos PIPE e PITE.

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