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O que a Babson College tem a ensinar aos professores de empreendedorismo do Brasil

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O que a Babson College tem a ensinar aos professores de empreendedorismo do Brasil

Quando inscrevi os projetos desenvolvidos na UNISUL no Prêmio Educação Empreendedora, nem sabia que um curso na Babson College fazia parte da premiação. E lá fui eu, passar alguns dias na “Universidade dos Visionários”. Agora compartilho essa experiência com você.

Começo com uma confissão: o empreendedorismo sempre esteve no meu sangue. Nasci em uma família empreendedora por necessidade, e jamais soube o que era “não empreender”. Tanto era que, já no meu segundo ano da faculdade, eu tinha a minha empresa de recreação e festas infantis.

Era a minha primeira startup, ainda que naquele tempo ninguém usasse este nome. Enquanto meus colegas iam para a praia, eu saía vestido de palhaço para animar a criançada. Ganhava o dobro daqueles colegas que trabalhavam em academias. E quando comecei a lecionar na UNISUL (Universidade do Sul de Santa Catarina), onde estou há 17 anos, logo adotei uma postura intraempreendedora por lá.

Babson College no horizonte

Na UNISUL, venho desenvolvendo um extenso trabalho no campo da educação empreendedora. E foi este trabalho que, recentemente, permitiu-me viver uma das experiências mais transformadoras da minha vida: um curso na celebrada Babson College, nos EUA.

A oportunidade da viagem veio por meio do Prêmio de Educação Empreendedora, da Endeavor e do Sebrae, em que inscrevemos nosso projeto TCC Startup. Quando descobrimos que fomos os vencedores, senti o chão ceder: pois era um sonho que se realizaria. Eu frequentaria a “universidade dos visionários”, como é conhecida Babson.

E foi mesmo uma experiência extraordinária. É por isso que compartilho com você os principais aprendizados que recebi neste centro de referência da educação empreendedora.

Vamos lá:

Interação e ludicidade desde o começo

Às 8h da manhã do dia 09 de janeiro, sob uma sensação térmica de -18o e em meio a um metro de neve, lá estava eu, tiritando, em frente ao BECC (Babson Executive Conference Center), que abrigaria as aulas.

Nossa maratona de educação empreendedora começou pontualmente. Ao todo, eram 50 professores de 23 países, ministrando aulas das 8h às 20h — com apenas um intervalo de uma hora para o almoço. E um dos aspectos que imediatamente me marcaram foi o ambiente lúdico das aulas.

Todas são incrivelmente interativas e colaborativas. Já no início fomos divididos em dez grupos, com os quais participamos das atividades práticas (e foram muitas).

Uma delas foi, literalmente, a criação de um jogo. No papel, mesmo, uma espécie de canvas para estruturá-lo. Depois, elaboramos um storyboard desse game, com quadros desenhados representando cada etapa. E, enfim, apresentamos o jogo, em um flipchart.

Cada grupo apresentou sua proposta, e todos os participantes passaram a circular pela sala, de post-its na mão, para ouvir as explicações e avaliar esses games. Se gostamos, desenhamos uma estrelinha no post-it e colamos no flipchart.

No final, foram contadas as estrelas que cada projeto recebeu. E os três melhores foram testados por todos os participantes. Tudo isso em — pasme! — menos de uma hora.

Quebra-cabeça x Patchwork

A metodologia de Babson é pautada pela máxima “Enterpreneurship Thought and Action” — que significa “Pensamento e ação empreendedores”. E isso salta aos olhos, também, a todo momento. Porque somos constantemente provocados a pensar e a praticar o empreendedorismo.

E, dentro desta filosofia, o play, o “jogar”, é essencial. Jogar junto, na verdade — porque, em Babson, tudo é colaborativo. Nesse sentido, uma atividade muito bacana de que participei — e que tinha o objetivo de apresentar o mindset empreendedor –, foi montar, com meu grupo, um quebra-cabeça de 5.000 peças.

Isso aconteceu logo no primeiro dia. Imagine você que, no meu grupo, havia um chinês, um canadense, um americano e um professor de Trindade e Tobago — que nunca tinham conversado antes. Idiomas e culturas diferentes, mas um tremendo desafio em comum.

Passado o susto inicial, começamos a tentar montar o quebra-cabeça. Só que, pouco depois, os professores começam a retirar as pessoas da sala. A cada três minutos, levavam alguém do grupo embora. Logo me vi sozinho e desesperado. Mas fui retirado, também, e levado para uma sala imensa — onde cada grupo estava trabalhando em um patchwork — um conjunto de retalhos de tecidos. Ou seja, tiravam de um desafio e levavam para outro.

Quando voltamos para a sala de aula, perguntaram com qual atividade nos identificamos mais. E revelaram o enigma: de acordo com os professores, o quebra-cabeça é o modelo tradicional de empreendedorismo, já sistematizado, que exige um foco pré-determinado do empreendedor.

E o patchwork é o que estamos vivendo atualmente: um modelo totalmente diferente, em que é preciso construir sem padrões estabelecidos, com base na experimentação.

Jogo, empatia, reflexão, criação e experimentação

Durante minha estadia na Babson College, ficou claro que as palavras acima são os alicerces da metodologia de educação empreendedora por lá. O jogo e a empatia ficam evidentes nessas duas atividades que mencionei: e a reflexão era provocada por perguntas que os professores lançavam para nós no fim do dia, para podermos ponderar quando o curso terminasse. Eram sempre questões muito interessantes, que nos faziam pensar — e fazem, até hoje.

E a criação e a experimentação estavam por todos os lados — da composição do patchwork ao modelo de negócio que cada grupo teve de desenvolver e apresentar no final do curso, por meio de um pitch de três minutos. O objetivo era criar uma solução para a educação empreendedora que funcionasse globalmente.

Conhecimento com leveza

É uma preocupação de Babson, também, que o ambiente de aprendizado seja “leve”. E a gamificação e a colaboração contribuem muito para isso.

Só que a leveza não significa pouco estudo. Pelo contrário: trinta dias antes do curso, você recebe o acesso à plataforma de ensino virtual da Babson College, com mais de 100 páginas a serem lidas. Essas leituras são a base para as aulas, para os exercícios e para os estudos de caso que você precisa analisar antes de chegar. Se você não leu, certamente vai ficar para trás ao longo das explanações.

De volta, com muitas lições na mala

Enfim, foi mesmo uma experiência extraordinária. Sem contar que, depois de sair de Babson, ainda visitei Harvard University e o MIT. O Harvard Innovation Lab foi um dos ambientes que serviram de inspiração para a criação do nosso iLAB/UNISUL. Ainda estou admirado com o que aprendi por lá, aos poucos colocando em prática alguns aprendizados por aqui.

Agora é multiplicar essa experiência junto aos professores — e apresentar as novidades para os estudantes e empreendedores do nosso ecossistema.

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Este artigo é uma parceria de produção entre Endeavor e Sebrae

Correalização:

Logo Sebrae SITE

, UNISUL, Professor de Empreendedorismo
Professor Geraldo Campos, da UNISUL, vencedor do Prêmio de Educação Empreendedora 2016 com a iniciativa TCC Startup e premiado com o curso na Babson College, nos Estados Unidos. Coordenador do NUEMP - Núcleo de Empreendedorismo da Agência de Inovação e Tecnologia da UNISUL, CEO do Sapienza Brasil, Membro do Conselho Consultivo do INAITEC - Instituto de Apoio à Inovação e Tecnologia do Continente e Co-criador do iLAB - Laboratório de Inovação e Empreendedorismo da UNISUL.

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1 Comentário

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  1. Jorge Shimada - says:

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    Muito bom o relato da experiência e vivência com essa referência em Empreendedorismo. Parabéns e grato por compartilhar essas informações.

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