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O Ponto de Vista do Investidor

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Mais da metade das transações no estado de due diligence não são concluídas. É preciso conhecimento local, com respeito à cultura de cada país e a alocação dos recursos.

Em diversos casos, a melhor forma de se preparar para uma situação é se colocando considerando o ponto de vista do outro lado (neste caso, como trato do tema de fusões e aquisições, me colocarei desta vez nos sapatos do investidor/comprador). A questão que busco explorar neste texto está relacionada a quais seriam os principais motivos do não fechamento de uma transação – e, desta forma, permitir a melhor preparação do ponto de vista do vendedor para um processo.

As transações em mercados emergentes (no qual o Brasil é destaque) apresentam desafios particulares relacionados a questões culturais, de disponibilidade e qualidade de informação, regulatórias, gestão de pessoas e operacionais, etc. Sim, é desafiador desenvolver processo nestes mercados, mas as transações têm sido feitas e os mercados emergentes são o alvo de investimento do momento. Empresas e executivos tem sido questionados pela presença nestes mercados.

Dentre as principais razões da não conclusão das transações nestes países podemos destacar 3 categorias. A primeira relacionada ao ativo em sí (no caso a empresa objeto da transação), onde as principais razões estão relacionadas (1) a qualidade e transparência das informações, (2) a diferença de percepção de valores (avaliação) entre vendedor e investidor, (3) não alinhamento entre as práticas da empresa e as “melhores formas de fazer negócio” e, (4) questões relacionadas ao pós-fechamento da transação.

Como segunda categoria, podemos destacar questões relacionadas ao vendedor. Nessa, destacaria as questões sobre (1) a negociação de aspectos contratuais (aspectos não relacionados diretamente a valor/ preço e que tendem a ter sua importância subestimada pelo vendedor em um primeiro momento) e, (2) conflitos entre os sócios (atuais ou futuros).

Na terceira categoria, incluímos questões relacionadas a outros interessados (ou stakeholders), onde podemos colocar o governo, em sua forma geral. Assim, deve-se medir a influência que o governo pode ter na transação.

Apresentadas as categorias, e por nossa experiência em transações, chegamos a algumas conclusões:

· Entre 50% e 60% das transações que chegam ao estágio de due diligence não são completadas;

· Aproximadamente 40% das transações não são concluídas por diferença de expectativa de valor entre vendedor e comprador;

· Cerca de 30%  apresentam problema entre vendedor e comprador, e a nova sociedade, após serem efetivadas;

· Problemas no contexto “pós-transação” podem custar ao investidor até 50% do valor do investimento.

E como os investidores agem (ou deveriam agir!) para minimizar estes problemas? Não há uma receita de sucesso para maximizar os resultados, mas, baseado em nossa experiência, podemos listar:

1. Definição da estratégia de investimento no primeiro momento;

2. Priorizar mercados;

3. Ter presença local no mercado selecionado e “ir a este mercado”

4. Alocar os melhores recursos ao processo

5. Adotar as melhores práticas para abordagem e negociação no mercado priorizado.

Em suma, verificamos que o conhecimento local é um dos diferenciais principais, com respeito à cultura de cada país e a alocação dos principais recursos. Em uma transação, devemos entender a abordagem e seriedade do investidor vis-a-vis estes pontos e prepararmo-nos para endereçar, da melhor forma, preocupações como as mencionadas.

 

Alexandre Pierantoni é sócio da PwC Brasil, especialista em Corporate Finance, e também escreveu sobre “A Hora Certa de Vender sua Empresa”.

 

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Fusões e Aquisições no Contexto Mundial
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, Pactor Finanças Corporativas, Sócio
Alexandre Pierantoni é sócio da Pactor Finanças Corporativas, boutique especializada em fusões e aquisições. Com mais de 20 anos de experiência na área de Corporate Finance, Alexandre desenvolveu carreira na área de M&A da PwC com atuação em transações em diversos setores e liderando as indústrias de Private Equity e Educação.

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