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Day1 |”O impossível é apenas o começo de todas as possibilidades” – Luiz Seabra

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Produtos que tratam da pele, do corpo e do cabelo, mas que falam ao coração. Conheça o Day1 de Luiz Seabra, o fundador da Natura.

Não era uma propaganda comum. O cartão, acompanhado de uma rosa branca, era um convite para quem passasse pelas ruas:

Pense em nós, nós pensamos em você.
Gostamos do mundo, dos dons da vida,
da música, da amizade,
Do elo que nos une,
da mística engrenagem dos momentos,
aprendemos a força do amor.
Com amor, muito amor, nós fabricamos beleza.
Venha nos conhecer.

O convite era oferecido por um homem de 25 anos às vésperas da inauguração de sua pequena loja, uma portinha na rua Oscar Freire, em São Paulo, onde antes funcionava uma borracharia. Pelo texto do convite já era possível prever: aquela não seria uma loja de cosméticos como todas as outras.

Apresentava-se ao mundo trazendo a verdade como compromisso, o amor como força e a beleza como potência. Assim nasceu a Natura.

E para entender o que faz a companhia ser o que é hoje, vamos conhecer a história de seu criador, o empreendedor Luiz Seabra.

Quando começa um negócio?

O dia da inauguração é apenas o fim do processo de gestação. Muito antes disso, um negócio nasce da intuição. A de Seabra surgiu quando ele tinha apenas 12 anos. Conversando com sua irmã mais velha, que era contadora em uma empresa, descobriu que ela sonhava em ter, depois de casada, um ambiente na casa dela em que atenderia clientes para fazer limpeza de pele. Ela descreveu como seria esse ambiente, onde colocaria compressas de água de rosas nos olhos dessas clientes… E Luiz foi tomado por aquela imagem. Na hora, surgiu nele um pensamento que não veio da cabeça, mas sim do fundo de si mesmo: “Eu vou fazer os cremes que elas vão usar em casa.”

Para ele, essa conversa foi um Day1. Pela primeira vez, Luiz Seabra sonhou com a ideia de ter um negócio. Mas essa intuição foi apenas uma sementinha que ficou guardada até ele completar 25 anos.

Da superfície da pele à essência do belo

Luiz começou a trabalhar cedo, aos 15 anos, como calculista de mão de obra na indústria onde o pai era almoxarife. No ano seguinte, virou trainee em uma empresa que vendia barbeadores elétricos e, aos 18, já era chefe do departamento pessoal. Para ganhar o respeito dos colegas, quando ele se tornou superintendente da divisão de barbeadores, aos 21,  passou a estudar tudo sobre fisiologia cutânea, bioquímica e epiderme: descobrindo os segredos da pele humana.

No início, o objetivo era buscar argumentos para convencer as pessoas de que os barbeadores eram bons. Mas no processo, ele acabou se deparando com uma visão muito mais profunda sobre a pele. Não apenas como um invólucro do corpo, mas também como expressão, algo que te revela ao mundo, um veículo de recepção e transmissão do próprio ser.

“Lembro de uma frase de um poeta português, amigo do Fernando Pessoa, que me marcou. Ele disse: “Nós não somos só o nosso corpo. Nós somos um lugar no mundo”. Essa imagem do corpo como um lugar, como parte do mundo, me marcou.”

Mas o universo da beleza começou a se revelar por inteiro quando Luiz recebeu o convite do dono de um laboratório de cosméticos em que trabalhava para ser sócio. Era Seu Pierre. Luiz conta que não entendia muito das formulações químicas que eles faziam ali, mas da parte administrativa, entendia. E, mesmo com 24 anos, foi ganhando o respeito dele. Tanto que, quando um dia Seabra decidiu sair da empresa para ganhar mais, Seu Pierre não deixou ele ir embora e o convidou para ser sócio de um novo laboratório junto com seu filho Jean.

Nesse momento, Luiz já estava encantado por aquelas formulações. Percebeu que a ideia inicial que ele tinha tão forte dentro de si, de que cosméticos eram apenas femininos, ia se enfraquecendo ao longo do tempo. Ele passava os dias estudando sobre as matérias-primas — o que eram, de onde vinham e como se combinavam. E ia desbravando os produtos que existiam no mercado dentro e fora do país. Mas quanto mais estudava suas embalagens e mensagens, mais percebia a manipulação de estereótipos na linguagem, nas promessas e nas fotos.

 “Eu encontrei um produto americano que era um sonho de muitas mulheres no Brasil, ele se chamava Eterna 27. Eu pensei: ‘Que gente inteligente, sagaz, esperta… e mentirosa. Nasceu ali a convicção sobre a venda da ilusão que sempre entusiasmou a cosmética desde o século 19, distante das origens do Egito Antigo, quando cosméticos eram usados para invocação do divino.”

Luiz percebeu que ali estava sua vocação. “Perceber que há um projeto de vida para nós próprios, e que nesse projeto há uma fagulha de divindade, me levou, como um apelo da minha alma, a levar minha atividade empresarial como um compromisso de construir uma empresa com base em valores éticos, de compromisso com o outro e com a sociedade.”

Paixão pelas relações

Luiz sempre foi inspirado por duas grandes paixões. A primeira é esse encantamento pela cosmética, ligada à visão de harmonia entre o corpo e a mente. A segunda é a paixão pelas relações.

“O começo do negócio nos ensinou que não era fácil convencer alguém a comprar um produto cosmético. Nos primeiros meses isso não foi um problema, porque quando eu abri o novo laboratório com Jean nosso único cliente era o próprio Seu Pierre, que usava nossa produção em seus produtos. Mas depois de três meses, ocorreu uma situação familiar e nós perdemos nosso único cliente.”

A partir desse momento, Jean, filho do Seu Pierre, passou a ter 80% de toda a sociedade, pois representava a família toda. Luiz tinha apenas um patrimônio: um Fusca branquinho, de 1967, que ele decidiu vender para comprar 30% da Natura — que ainda não tinha esse nome – e começar em pé de igualdade essa nova empreitada.

Nesse período, Luiz foi visitar um grande amigo, Sana Khan O amigo que era bastante sensitivo, fez a seguinte profecia:

“Eu vejo um trator, que vai se mover muito lentamente no início, mas vai gerar uma força que nada conseguirá deter. Vai alimentar legiões material e espiritualmente. Semear é o seu destino.”

Era como se Luiz já soubesse isso dentro dele. Foi a partir daí que uma frase que ele já tinha ouvido antes começou a fazer mais sentido e encher o empreendedor de entusiasmo:

O impossível é apenas o começo de todas as possibilidades.

Era hora de abrir uma loja própria para vender as fórmulas. A ela, deram o nome de Natura, que significa “natureza” em latim. Representava a natureza como mundo natural e também lembrava a ideia de natureza humana. O empreendedor acreditava tanto naquilo que, se as clientes não visitavam a loja, ele mesmo iria até elas.

Foi nesse momento que a paixão pela cosmética se combinou à paixão pelas relações.

O que hoje o mercado enxerga como Sucesso do Cliente, Luiz Seabra sempre viu como uma forma de cultivar relações.

“Eu sabia que uma cliente poderia comprar o produto e nunca mais voltar. Então eu não tinha que vender muito, eu tinha que vender certo.”

Esse processo de dar consulta às clientes foi fortalecendo a visão do negócio até despertar o interesse de alguns médicos e esteticistas. Seabra começou, então, a ser convidado para dar conferências em várias partes do país. Onde tinha pelo menos 5 pessoas para ouvir ele ia para falar sobre a visão da Natura.

“Logo tivemos que aumentar a produção e precisávamos pensar em um plano de expansão.”

Em vez de somar, multiplicar

A primeira ideia era ampliar o número de lojas com um sistema de franquias. Mas a experiência de contato direto com as clientes mostrou a Seabra que essa relação tinha resultados muito melhores que o atendimento na loja.

Então eles decidiram seguir um outro caminho e fazer o que parecia impossível: multiplicar os Luizes.

Em 1974, eles fecharam a lojinha e adotaram o sistema de venda direta. Naquele ano, surgiram as primeiras consultoras Natura. Hoje, são cerca de 1,8 milhão de consultoras espalhadas pelo Brasil e pela América Latina, levando a bandeira de um sonho que parecia impossível e que começou com Luiz Seabra.

O sonho cresceu e ganhou aliados

Apesar do crescimento contínuo, em 1986, a crise econômica se instaurou por conta do Plano Cruzado. Nesse momento, o sócio de Seabra, Jean Pierre, resolveu sair, oferecendo a Luiz a parte dele na indústria.

“Eu poderia me tornar o único dono da empresa, mas isso para mim não tinha sentido. ‘Nenhum homem é uma ilha’. Eu não queria fazer nada sozinho, então chamei os sócios [Guilherme Leal e Pedro Passos] que estão comigo até hoje para dividir o cuidado da companhia.”

E no encerramento do seu Day1, um momento de muita gratidão e profunda sabedoria, Luiz Seabra compartilha o poema de Menotti Del Pichia:

Goza a euforia do voo do anjo perdido em ti
Não te indagues se nossas estradas, tempo e vento
desabam em um abismo
que sabes tu do fim?
Se temes que o teu mistério seja uma noite,
enche-a de estrelas.
Conserva a ilusão de que o teu voo te leva
sempre para o mais alto.
No deslumbramento da ascensão,
se pressentires que amanhã estarás muda,
esgota, como um pássaro,
as canções que tens na garganta.
Quem sabe as canções adormeçam as feras
que esperam devorar o pássaro.
Desde que nasceste,
não és mais que um voo no tempo.
Rumo ao céu? Que importa a rota?
Canta e voa,
enquanto resistirem as tuas asas.

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*Este artigo é uma parceria de produção entre Endeavor e Sebrae

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, Endeavor Brasil, Time de Conteúdo

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