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O grande desafio do Uber na Índia: uma lição de gestão de risco

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O grande desafio do Uber na Índia: uma lição de gestão de risco

O Uber entrou na Índia, mas nem tudo foi como previsto. Muitos desafios estão sendo enfrentados pela empresa, veja o que aprendemos com eles.

Sabe aquele pensamento de que ter um bom produto ou serviço já vai ser o suficiente para manter sua empresa de pé e crescendo? Ele é um mito. Ter a “grande ideia” de nada vale sem uma boa execução e planejamento. Israel e Ofli, empreendedores do Méliuz, que o digam: os sócios quase faliram até aprender isso. Mas eles não foram os únicos.

Muitos empreendedores não mapeiam os riscos que irão encontrar durante a concepção, desenvolvimento e lançamento de um produto ou serviço. Na maioria das das vezes eles acabam descobrindo, da maneira mais difícil, que trocaram os pés pelas mãos. O Uber está enfrentando diversos desafios na Índia exatamente por isso.

A escolha da Índia não foi aleatória. De acordo com a Oxford Economics Global City Forecast, das 20 cidades que vão crescer de forma acelerada entre 2015-2019, 14 estarão na Índia. As fotos abaixo, do Centro de Voo Espacial Goddard da Nasa, ilustra bem o que estamos falando. Hoje, o país possui cerca de 1,3 bilhão de pessoas, 6 vezes a população do Brasil; teoricamente, esse poderia ser o maior mercado do mundo para serviços de transporte.

Visao da India

Evolução das cidades indianas entre 2012 e 2016

Mas, apesar desse crescimento, segundo o jornal The New York Times, a Índia ainda possui diversos problemas em infraestrutura que dificultam a consolidação da empresa no mercado: cidades com constantes quedas de energia, trânsito intenso, mapas desordenados, pouca obediência às normas de trânsito, rede de internet móvel de baixa qualidade, cartões de crédito e outros pilares financeiros ainda não consolidados, sem contar a alta burocracia para a regularização dos motoristas.

Ainda sobre os motoristas, o Uber teve que adaptar seu modelo de recrutamento. Se nos Estados Unidos a mensagem “você tem um carro decente, um celular e precisa de dinheiro? Por que não passar o fim de semana dirigindo para Uber?” funciona bem, na Índia ela é praticamente irreal. Por mais que muita gente precise de trabalho na Índia, relativamente poucos têm carros ou sabem dirigir. Os motoristas também devem obter uma carteira de motorista comercial e um status de registro especial para seus carros, o que dificulta ainda mais o processo.

Na tentativa de driblar essas adversidades, o Uber criou acordos de leasing com bancos e fabricantes de automóveis para obter condições especiais para os condutores que necessitam de veículos e o sistema UberDost, um grupo de recrutadores independentes que são comissionados a cada novo motorista adicionado ao aplicativo. Esses recrutadores têm o papel extra de educar os novos motoristas sobre a dinâmica social de trabalho autônomo, pois muitos deles se tornam “ubers” depois de trabalhar como motoristas privados para indianos de classe média e alta.

Existe também uma parcela de pessoas que nunca trabalhou antes, as quais, muitas vezes, possuem pouca experiência gerenciando dinheiro ou interagindo com clientes. Além disso, muitos motoristas também não sabem nem como usar o aplicativo ou os mapas do celular. E não para por aí, o Uber também enfrenta a concorrência da Ola Cabs, empresa que opera em 100 cidades – o Uber está em 29 – e oferece uma gama mais ampla de serviços.

O táxi que não está a um touch de distância

Apesar dessa grande oportunidade de mercado, muitas vezes na Índia, o usuário abre o aplicativo, pressiona o botão para chamar o motorista, mas não tem sucesso. Um dos motivos desse problema, segundo o próprio Uber, é que o motorista, muitas vezes, não acostumado com smartphones, não confia na notificação do aplicativo. Assim, a maioria das corridas do Uber na Índia precisa de uma ligação para confirmar se o passageiro é real.

Por mais que pesquisas estejam sendo feitas para identificar o porquê disso acontecer, a empresa ainda não teve uma resposta clara em relação a isso. Soma-se a isso, os mapas digitais da Uber, que, às vezes, não correspondem aos padrões da estrada da Índia — que mudam constantemente — o que faz com que os motoristas precisem ligar para os passageiros para saber como encontrá-los.

Outra diferença importante do ambiente indiano é que lá o dinheiro é a forma de pagamento que prevalece (cerca de 80% das corridas), porque cartões de crédito e outros sistemas de pagamento digital não são amplamente utilizados.

Apesar dessas condições desfavoráveis, segundo Kalanick, CEO da Uber, as cidades indianas não apresentam nenhum problema que Uber não possa superar e o mercado indiano é hoje o segundo maior da empresa, atrás apenas dos EUA.

O resultado final

Depois de entender todo o cenário, é hora de analisar. Segundo o modelo NPVR que faz parte da Matriz de Gestão de Risco, os principais riscos de um negócio são: mercado, técnico e de usuário. Para cada um deles, você atribui uma nota, de 1 a 5, com base em algumas afirmações. Quanto mais notas 5 sua empresa tiver, maiores são as chances de sucesso do seu produto ou serviço.

O risco de mercado engloba a cadeia de valor necessária para que um novo produto atinja seus clientes potenciais. Quanto mais uma empresa tem os itens da cadeia internamente, menor é o risco, uma vez que ela tem total controle sobre essas entregas. Além disso, analisa-se a presença da empresa no mercado.

No caso do Uber, podemos dizer que a empresa estava lidando com riscos médios, uma vez uma vez que depende de parceiros para viabilizar o seu negócio, como a rede Uber Dost, bancos e agências de carro (leasing) e os próprios motoristas. Além disso, a Uber não possuía presença prévia no mercado indiano.

A avaliação de riscos técnicos está relacionada com o produto e as capacidades de desenvolvimento da empresa. Analisa-se a experiência da equipe com projetos semelhantes ao que está sendo desenvolvido e também o grau de inovação do produto ou serviço. Como o Uber já havia testado seu produto em outros mercado, esse risco é considerado baixo. O mesmo acontece em relação à equipe, uma vez que os processos e habilidades já eram claros.

Por último, temos o risco de usuário, que determina a probabilidade de que a empresa esteja desenvolvendo o produto certo. Nessa etapa os riscos estão ligados ao entendimento dos usuários. Como o Uber não procurou entender detalhadamente o usuário antes da entrada no mercado indiano, o risco pode ser considerado grande. Por se tratar de uma inovação para o mercado local, sua adoção envolvia um nível alto de incerteza, o que fez com que a empresa sofresse prejuízos devido à resistência dos usuários na adoção da tecnologia e a falta de entendimento do produto.

Esses itens analisados acima estão diretamente ligados ao processo de decisão do empreendedor e de sua equipe. É por isso que ter uma boa visão do cenário no qual você está inserindo seu produto ou serviço e quais as variáveis que podem impactá-lo, tanto negativa quanto positivamente é tão importante. Se alguns desses pontos tivessem sido avaliados com mais profundidade pelo Uber, provavelmente a empresa uma consolidação da proposta de valor, na Índia, de forma mais rápida e simples.

Quer aplicar uma análise como essa na gestão de risco do seu negócio? Baixe a ferramenta gratuitamente clicando aqui. Para entender melhor a metodologia da Matriz, não deixe de ver nossos vídeos com tutorial de aplicação da Matriz de Gestão de Risco.

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, Polinize, Cofundador
Graduado em Administração de Empresas e Mestre em Empreendedorismo pela FEA/USP, Pedro é co-founder do Polinize e criador da Matriz de Gestão de Riscos (MGR).

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