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O futuro dos negócios digitais no Brasil

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Áreas que antigamente eram domínios naturais de algumas indústrias, não são mais territórios com propriedade definida. A descontinuidade provocada pelo meio digital representa verdadeiras oportunidades de negócios.

A internet acaba de completar 15 anos no Brasil e muitos podem se perguntar porque não vimos o nascimento de um Google ou Facebook no Brasil. As razões são muitas, mas o mais importante para nós aqui, não é o porquê não aconteceu, mas os elementos que estão presentes hoje que podem traçar um futuro muito interessante de oportunidades pela frente.

Acredito que os próximos 5 anos serão muito mais intensos no digital que os últimos 15. A internet tem ganhado finalmente massa crítica no Brasil, com cerca de 80 milhões de usuários, o número de celulares superando o número de habitantes, e a publicidade digital começando a ganhar relevância nos modelos de negócios digitais. Ainda assim, estamos próximos a um ponto de inflexão para a aceleração de crescimento, mas nada que nos permita repetir a falta de racionalidade da bolha inicial da internet. Estamos, sim, no momento em que grandes ideias, com sólidos conceitos e modelos de negócios, representarão uma oportunidade única de criar grandes empreendimentos digitais no nosso país.

O digital hoje, representa mais do que nada, grandes descontinuidades nas indústrias, o que são para mim sinônimos de oportunidades. Na minha experiência, o big picture, dessas oportunidades se encontram na confluência de 3 indústrias, outrora separadas, agora unidas umbilicalmente por grandes áreas cinzas, ou “terra sem dono”: são as indústrias de Telecom, Mídia e Entretenimento (Comunicações) e Tecnologia. Áreas que antigamente eram domínios naturais de algumas indústrias, não são mais territórios com propriedade definida (natural owners).

Vamos a alguns exemplos. Antigamente, para se criar um jornal ou uma revista, era necessário uma grande redação, um parque gráfico, uma rede de distribuição e anos de opinião e credibilidade. Sem que a credibilidade em si tenha ficado fora de moda, a parte de custos fixos de gráfica e distribuição, além do variável do papel, são desnecessários ao se lançar um jornal para tablets. Ou seja, a barreira de entrada para publicações digitais hoje é muito reduzida, de forma que o grande diferencial fica restrito a grandes ideias e conteúdos e sua apresentação digital.

Outro exemplo gritante é o destino da publicidade. Ainda que, no Brasil, a fragmentação publicitária seja muito menor que nos E.U.A., ou Reino Unido, é impressionante como as grandes empresas de comunicação já não podem contar com que esse “revenue stream” esteja garantido para os próximos 5-10 anos, sem que se aventurem nos negócios digitais. Portanto, aí surgem mais oportunidades para novos empreendimentos nas áreas de tecnologia e mobilidade, para capturarem parte desse fluxo de investimentos de marketing.

Mais um ponto importante é a fragmentação da cadeia de valor nesses negócios. Por exemplo, antigamente a companhia telefônica lhe fornecia um serviço , cobrava por ele e pronto, tudo terminava por aí. Hoje, por vezes ela fornece um “tubo” com banda larga, sobre o qual um serviço de vídeos é entregue por um segundo player (ex: Netflix, Hulu), e cobrado por um terceiro (ex. PayPal, Google Check-out).

Em resumo, existe um mundo de oportunidades para empreendedores nesse novo ecossistema de Tecnologia, Telecom, Mídia e Entretenimento. As oportunidades vão desde a criação de aplicativos e games para smartphones e tablets, soluções corporativas para os mesmos devices, meios de pagamento, novas revistas, jornais digitais segmentados, entrega de conteúdo digital, substituição do papel, substituição das bancas de jornais… E sem perder de vista o e-commerce, m-commerce, t-commerce, e tudo isso envolto pelas tendências já comprovadas de grupos, comunidades e redes sociais.

Agora, com esse enorme leque de oportunidades, surgem os desafios. Entre eles, dois fundamentais: o foco e a racionalidade. Os investidores de hoje aprenderam com a bolha e não devem repetir a insanidade daqueles anos. Portanto, aos candidatos a empreendedor digital, um bom foco, com uma clara visão do negócio, provavelmente acompanhado por um bom protótipo, são hoje fundamentais para se separar o joio do trigo entre as inúmeras idéias que passam pela frente de um investidor semanalmente.

Outro desafio importante na minha experiência foi a preparação de todos (equipe e investidores) para sobreviver a tempos de maturação do negócio mais longos que o previsto. Muitas idéias fantásticas, com planos de negócio redondos, naufragaram ,por exemplo, na demora da maturação do mercado publicitário digital. Portanto, gerenciar expectativas e ter fôlego para uma decolagem mais lenta, podem ser make-or-break em uma start-up digital.

Por último, dizem que uma pitada de sorte é necessária nesse mundo digital de altíssima velocidade. Pois bem, um amigo me disse um dia que a Sorte tem quatro componentes: Inteligência, Economia, Esforço e Coragem. Acho que esse tipo de sorte, todos os empreendimentos de sucesso realmente precisaram.

André Bianchi Monte-Raso é especialista em estratégia, start-ups e desenvolvimento de negócio, consultor de grandes grupos de mídia, tecnologia e Telecom.

, Mobi9, Fundador e CEO
Especializado em estratégia, start-ups e desenvolvimento de negócios, tem prestado consultoria a grandes grupos de mídia, tecnologia e telecom. Foi responsável pela unidade de negócios digitais do Grupo Estado, por 2 anos onde liderou o relançamento digital do grupo incluindo estadao.com.br, limao, território eldorado, ilocal, zap, aeinvestimentos, paladar.com, diretodafonte.com e link.com. Anteriormente, esteve ligado ao Grupo Oi/Telemar por 5 anos, realizou o start-up da Oi (mobile) como consultor e posteriormente como executivo liderou a área de estratégia e novos negócios, no qual coordenou lançamento do portal Oi Internet (Mundo Oi) e estratégia de conteúdo, mídia e TV do grupo. Antes foi consultor de estratégia por mais de 15 anos, principalmente com a McKinsey, tendo trabalhado nos escritórios de Milão, São Paulo e Tóquio servindo clientes globais nas áreas de Telecom, Consumo, Varejo, Mídia, entre outros. Engenheiro elétrico pela Poli-USP e MBA pelo INSEAD, cidadão global, viveu em vários países e fala 7 idiomas, português, italiano, inglês, espanhol, francês, alemão e japonês.

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