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O empreendedor da saúde

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Depois de construir uma sólida carreira médica, Mauro Figueiredo destacou-se como empreendedor à frente do Fleury e hoje do Grupo Bradesco Seguros e Bradesco Saúde.

Crédito: DivulgaçãoMédico e empreendedor, Mauro Figueiredo obteve grande êxito em dois percursos em princípio distintos. Após se formar em Medicina na Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto, e desenvolver seu doutorado na Universidade de Oxford, ele mudou o foco de sua carreira acadêmica para a área administrativa, assumindo-a definitivamente em 2005, quando se tornou diretor-presidente do Fleury, transformando o antes reconhecido laboratório em um dos maiores centros médicos do país.

Com 25 aquisições e abertura de capital em 2009 no Fleury, Mauro avançou para um novo ciclo de sua trajetória profissional. Em meados de 2011, aceitou um convite para assumir um cargo junto ao Grupo Bradesco Seguros e Bradesco Saúde. Hoje, quase um ano depois, ele continua à frente do setor de Novos Projetos, algo que jamais poderia imaginar na época de estudante e pesquisador da área médica, mas que hoje o motiva e atrai pelo caráter desafiador.

O que moveu esse perito em humanidades a deixar o dia-a-dia das clínicas e dos hospitais para gerir grandes corporações? Confira neste bate-papo do qual Mauro participou com o time da Endeavor Brasil.

Endeavor Brasil – Qual era a sua principal busca quando mudava de um ciclo para outro e o que foi mais importante na hora de tomar essas decisões?

Mauro Figueiredo – Eu buscava satisfação, algo que realmente me fizesse acordar e pensar: ‘Que bom que eu vou fazer isso’. Algo que me estimulasse e que me desse prazer, mesmo sendo difícil – até porque as conquistas difíceis são aquelas que garantem ainda mais satisfação. Enfim, procurava o que eu pudesse olhar para trás e pensar que fui responsável por sua construção. Algo que nunca me guiou foi a remuneração. Penso que ela é decorrência do que você faz, e não objetivo.

EB – De médico a empreendedor, que tipo de conflitos você viveu nessa transição? O que aprendeu no processo?

MF - O conflito principal está relacionado às próprias decisões. Você fica pensando se aquela que você tomou é a melhor delas. Mas você só vai saber disso quando estiver lá na frente e olhar para trás. Essa é a grande angústia. Portanto, é primordial você pautar suas decisões nas coisas que julga importante. Errou? Errou, mas por uma boa causa, por algo em que você acreditava naquele momento. O resto você consegue resolver. O arrependimento e a dor são maiores quando você desvirtua a decisão e não age de acordo com seus princípios.

EB – O que a formação médica pode trazer de positivo e de negativo para a gestão de pessoas?

MF - Uma formação mais humana, pois o médico é naturalmente exposto ao que acontece com a sociedade. Como hematologista, lidei muito com casos de câncer. E lidar com a morte não é algo tranquilo. Você passa a ter uma visão muito mais humana. Do lado ruim, o médico ainda é muito solitário. Ele fica voltado a tomar decisões solitárias. As questões de formar grupos e do trabalho em equipe são muito complicadas, não é fácil lidar com equipes médicas. O médico pode até assumir riscos, mas tem uma deficiência em gestão e no trabalho em grupo.

EB – Quais oportunidades você passou a ver no setor de saúde a partir do novo olhar de gestor?

MF - O problema não é enxergar, é escolher. A saúde é um setor em transição, novo e imaturo. Mas é muito importante buscar reduzir custos e melhorar as práticas do setor, pois se isso não acontecer vai ficar inviável. Também precisamos de mais indicadores de gestão. É uma área muito pobre nisso, que precisa mudar a sua cultura, disponibilizar mais informações, por exemplo. Isso é relevante para a população saber quais são as suas opções. É como ao comprar um produto: você antes procura informação e detalhes sobre ele.

EB – O que você enxerga como saída para melhorar o sistema público de saúde?

MF – Temos uma deficiência em gestão, obviamente, mas existe sobretudo uma deficiência nos recursos. É muito pouco. Precisamos evoluir e estruturar o setor como em outros países. Mas o processo é gradativo, porque não se trata apenas de oferecer o serviço médico. Se você tiver 1 real para gastar em saúde, é preferível que gaste em saneamento. Será muito melhor para a saúde do que qualquer remédio. O problema da saúde no país é principalmente estrutural. Mesmo regiões ricas como o sul, por exemplo, têm índices muito baixos de saneamento.

EB – É possível que o sistema privado de saúde conviva em harmonia com o setor público?

MF - Penso que sim, porque o setor público tem muitas ilhas de excelência. Ou seja, o problema não é de qualidade, mas de acesso. É a pessoa esperar quatro ou cinco meses para ser consultada, dois anos para fazer uma cirurgia. Mas as melhores universidades e os melhores hospitais universitários são públicos. Além disso, grandes expoentes da medicina nacional, que hoje trabalham em hospitais particulares, são formados por escolas públicas.

 

Por Vinícius Victorino, da equipe de Cultura Empreendora, com a colaboração do time da Endeavor Brasil.

 

 

 

 

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