Você já se perguntou por que
nosso conteúdo é gratuito?
Somos uma ONG de fomento ao empreendedorismo de alto impacto que capacita
4 MILHÕES
DE EMPREENDEDORES
A CADA ANO
Faça a sua doação e contribua para continuarmos
este trabalho em 2016!

CO2 Como Recurso, Não Como Problema!

LoadingFavorito

Como reaproveitar as emissões do gás e, ao mesmo tempo, incentivar o crescimento econômico de países emergentes como o Brasil?

Recentemente, a cidade do Rio de Janeiro anunciou a Bolsa Verde, BVRio cuja missão é “desenvolver um mercado de ativos ambientais, como créditos de carbono, créditos de efluentes industriais, créditos de logística reversa e reciclagem, entre outras commodities”.

Mas, de fato, qual é a raiz da questão das emissões e resíduos? Existe um sistema que opera com sucesso absoluto há pelo menos 3,8 bilhões de anos – ele se chama natureza. Nesse sistema, o carbono é encontrado na matéria que o absorve como alimento, é o design natural dos sistemas e dos organismos vivos. Por que não copiar o design da floresta que utiliza o CO2 como insumo em seus processos? A chave da inovação do nosso sistema industrial, inventado há menos de dois séculos, é olhar os processos produtivos da natureza como benchmark e começar usar o CO2 como matéria-prima. Segundo artigo “Treat Emission as Resources (Braungart & Mulhall, 2012), antes de tudo é preciso tratar CO2 como um ativo valioso, e não como um passivo a ser mitigado, reduzido ou neutralizado.

Recentemente, o respeitado instituto alemão Fraunhofer calculou que 80% das emissões de CO2 provenientes da indústria alemã poderiam ser capturadas e reutilizadas por estufas de agricultura nos telhados nas principais cidades do país que, além disso, produziriam vegetais frescos com uma produção agrícola urbana rentável. De fato, o uso inteligente de CO2 como um nutriente para plantação pode aumentar a sua produtividade em até 10 vezes, e com o benefício de limpar o ar das grandes cidades como São Paulo, onde já existem exemplos de projetos de agricultura urbana que podem ser replicados com sucesso em larga escala.

Então, em vez de dependermos de um comércio de CO2 ineficaz focado apenas em minimizar as emissões de gases de efeito estufa, por que não maximizar o potencial de utilização do CO2 como insumo e criar um mecanismo para promover a inovação da indústria? Você já pensou no potencial de novos negócios desenvolvendo maneiras inovadoras de aproveitar o CO2 como matéria prima? As possibilidades são inúmeras, por exemplo, a produção de algas em larga escala já se mostra viável e rentável sendo o foco de investimentos de grandes empresas mundiais por sua incrível capacidade de absorver CO2. Empresas como a companhia aérea Virgin investem em algas como matéria-prima para gerar bio-combustíveis, enquanto a indústria farmacêutica e de agro-alimento estão se alinhando para produzir produtos de beleza e complementos como a spirulina. Ainda, há décadas as algas vêm sendo utilizadas por empresas como a Hydromentia da Flórida para purificação de efluentes agro-industrial. A bio-digestão de matéria orgânica para a utilização do gás metano para gerar energia elétrica ou como bio-gás para uso industrial e doméstico é outro exemplo mais do que comprovado de como as emissões podem se tornar ativos rentáveis gerando de fato um impacto positivo no planeta.

Há menos de um mês para a Rio+20, o tema está em evidência, mas, visto o fracasso das nações em chegarem a um acordo significativo sobre as emissões em Durban, a questão é: Como controlar as emissões e ao mesmo tempo incentivar o crescimento econômico de países emergentes como o Brasil? Pois, convenhamos, devemos buscar formas mais inovadoras de gerar produtividade em um Estado onde 16,2 milhões de brasileiros ainda sobrevivem com menos de R$ 38,00 por mês.

 

Ana Ester Rossetto  é sócia fundadora e atual Diretora Executiva da KCA Consulting.

 

 

Veja também:
As Oportunidades na Economia Circular

Novas Oportunidades em Sustentabilidade
Indo Além da Sustentabilidade

 

 

 

 

 

 

, EPEA Brasil, Sócia

Ana Ester Rossetto é sócia-fundadora e atual diretora executiva da EPEA Brasil, empresa que traz ao Brasil a metodologia Cradle to Cradle® para a inovação de produtos, sistemas produtivos e modelos de negócio, a partir de um novo paradigma de sustentabilidade. Atuou em startups de inovação tecnológica por mais de 7 anos, é especialista em Gestão da Inovação pela Universidade de Barcelona e tem MBA em Negócios Internacionais pela FGV e Ohio University. Acredita que é possível dar resposta aos maiores desafios deste século através da ecoinovação, para gerar crescimento econômico, bem-estar social e restauração ecológica. Por isso, aplica Cradle to Cradle® thinking para desencadear o poder das empresas como agentes de transformação positiva na sociedade.

Deixe seu comentário

Parceiros
Criação e desenvolvimento: