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Novos dilemas dos empreendedores

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A aceleração da economia do país pode ter suas armadilhas financeiras para os empreendedores. Por isso, planejar bem seu negócio é essencial para manter a empresa saudável.

 

 “Nunca antes neste país”, principalmente porque estamos passando por um momento único. A ascenção da nova classe média, nosso bônus demográfico, queda da taxa de desemprego, investimentos esperados em infra-estrutura em função do pré-sal, Copa e Olimpiadas e, na outra ponta a preocupação com a inflação, falta de mão de obra, fortalecimento da nossa moeda e a crise mundial.

Percebemos também uma mudança no perfil dos empreendedores, com maior escolaridade e planejamento, mas também muitos empreendedores com dificuldades, em função da alta demanda, com muitos clientes e não conseguindo atendê-los, ou crescendo sem planejamento e muitas vezes encerrando suas atividades em função da falta de planejamento e em geral empresas com muitos clientes.

Há cerca de 3 anos, conheci o Miguel e o Mauro que atuam no ramo de construção. A empresa tinha cerca de 10 funcionários com sede própria, larga experiênca. Estrutura familiar, sem dívidas e com muita qualidade  e seu faturamento dobrava ano a ano, sendo que em 2010 faturava mais de 1MM ao ano, e em 2011 acabou quase fechando a marmoraria, não tinham mais crédito com seus fornecedores, bancos e nem com seus funcionários

 E coincidentemente, na semana passada deparei-me com o João, dono de uma empresa de transportes de coletivos com mais de 15 anos de experiência. A empresa ganhara  há 20 meses um contrato com uma indústria que dobraria seu faturamento ,contrato de 24 meses e renováveis por mais 24 meses, mas hoje estava sem crédito e perdendo quase todo o seu patrimônio.

Os 2 empreendedores possuiam clientes, muitos pedidos, dinheiro em caixa e hoje estão com dificuldades. Por quê? Tinham o mais difícil: os clientes e o dinheiro em caixa.

No primeiro caso, como fui cliente deste empreendedor tentei entender o que ocorrera. E resumidamente o Miguel começou a fechar pedidos para entregas futuras em 4, 5, 6 e até 12 meses. E como começou a sobrar dinheiro em caixa e recebia em 3 vezes com 1 cheque no pedido e demais cheques em 30 dias,  60 dias ou 90 dias) ou 50% no pedido e 50% na entrega, o Miguel e o Mauro resolveram investir em imóveis próprios. Visitei a casa de um dos sócios e ele havia investido  nos melhores móveis, pisos, cozinha, home , e para meu desgosto, o símbolo do time que eu não me simpatizo no meio da sala de estar, totalmente em mármore importado.

Em função da falta de capital de giro, a partir das retiradas dos sócios, a empresa começou a atrasar e a não comprar a matéria prima no fechamento do pedido e alongou o pagamento com os fornecedores que embutiram no preço o financiamento, além disso o preço da matéria prima subiu muito, começou a ter que remunerar melhor seus funcionários em função da falta de profissionais no mercado e com isso muito prejuízo nos projetos, consequentemente começou a atrasar o pagamento de funcionários e fornecedores, assim como utilizou linhas erradas de financiamento com terceiros. No final, a cada venda o Miguel estava perdendo dinheiro desde 2009 o que acarretou a quase falência da empresa. Apesar do dinheiro em caixa inicial ele não estava tendo lucro e sim prejuízo, enquanto os pedidos eram crescentes a empresa parecia saudável em função do dinheiro em caixa.

No segundo caso, o empreendedor João possuía dinheiro em caixa bons clientes do seu porte muito pulverizado mas o novo cliente exigia no contrato uma nova frota de ônibus (100% financiada) muito superior em qualidade e quantidade à atual, pessoal mais qualificado, expansão de sua garagem e em função dos preços, itens que ele foi descobrindo ao longo da performance do contrato atrelado as multas e perdas de algumas linhas em função da não performance, no final de 18 meses perdeu o contrato e seu endividamento estava muito grande.

Estou acompanhando um número maior de empresas que estão tendo dificuldades em função do erro de planejamento no crescimento e não por falta de clientes. Dinheiro no final do mês é importante , mas a lucratividade e planejamento muito mais.

 

Claudio Yutaka Fukasawa é Superintendente Executivo de Riscos de Crédito Pessoa Jurídica no Grupo Santander Brasil.

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