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Nem todo empresário é empreendedor

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Livre ou eficiente? Espontâneo ou correto? Conheça as diferenças entre dois perfis de pessoas, a partir de uma metáfora de Rubem Alves, e saiba em qual você se reconhece.

 

Um tema bastante discutido em fóruns de liderança e gestão de pessoas é a diferença de perfis de funcionários. Existem vários tipos de funcionários, claro, mas gostaria de me ater aqui a dois tipos particulares.

Um deles é aquele que é eficiente, disciplinado, obediente, educado, inteligente e correto. Costuma ser bastante valorizado, pois é fácil de lidar. Basta você dar uma ordem e ele a executa com esmero, qualidade, boa vontade e disposição. Todos querem ter esse tipo de funcionário na equipe. Não dá trabalho, tem boa compreensão e aceita com facilidade os contextos complexos e limitados nos quais estão inseridos, principalmente dentro das grandes organizações.

O segundo tipo de funcionário, por outro lado, não é eficiente, mas sim eficaz. Ele questiona se deve executar bem uma coisa ou se deve fazer a coisa certa. Tampouco é disciplinado ou passível de obedecer a regras quando não concorda com elas ou não as compreende. Mais do que inteligente, ele é esperto. Sabe lidar com situações que exigem mais do que conhecimentos específicos. Nem sempre são educados e corretos, acabando por tomar decisões diferentes dos demais quando avalia bem os prós e contras de cada alternativa.

O célebre educador Rubem Alves usa uma analogia que vou tomar emprestado para explicar essas diferenças: eucaliptos e jequitibás. Eucaliptos são árvores fáceis de plantar, cultivadas para fins específicos, sempre organizadas em linha e de forma planejada. Seu ciclo de vida é curto, pois têm fins puramente comerciais, crescem depressa e não há nada que os diferencie entre si – ao contrário, quanto mais padronizados, melhor o trato. A maior parte das pessoas procura ser um funcionário exemplar, seguindo padrões estabelecidos, e cujo bom desempenho é plenamente reconhecido e valorizado. Elas se assemelham aos eucaliptos.

Há árvores, no entanto, que são diferentes das outras, têm personalidade, não são facilmente substituídas como os eucaliptos, nascem de forma espontânea e precisam de liberdade. O jequitibá é um exemplo de árvore exuberante, uma das maiores da flora brasileira, e, de tão monumental e admirada, empresta seu nome a ruas, parques e cidades. Seu ciclo de vida é longo, mas está se tornando cada vez mais rara, pois florestas estão sendo derrubadas para dar lugar aos previsíveis e doutrinados eucaliptos.

Jequitibás, justamente por serem raros e únicos, são considerados maus funcionários, de acordo com os padrões institucionais. Seu ritmo nem sempre é o mesmo da empresa. Eles não têm paciência para cumprir horários, preencher relatórios, inserir-se num contexto político-institucional ou submeter-se a normas e regras pré-estabelecidas.

Dificilmente um eucalipto se tornará um jequitibá, talvez apenas no caso daqueles que se acham eucaliptos devido à influência do ambiente em que estão inseridos. Mas um jequitibá não morre eucalipto. Seu senso de inconformismo, sua rebeldia natural à rotina e ao lugar-comum, seu espírito de liberdade e a coragem que lhe é peculiar e natural, o força a descobrir quem ele de fato é.

Além disso, ser o dono do próprio negócio também não significa necessariamente ser jequitibá. Nem todo empresário é empreendedor. O mundo está cheio de eucaliptos que têm o próprio negócio. O empreendedor a que me refiro como jequitibá é o empreendedor de alto impacto, aquele que não se contenta em ter um negócio, mas um negócio que tenha alto potencial de crescimento. E você, é do tipo eucalipto ou jequitibá?

 

Marcos Hashimoto é doutor em Administração pela EAESP-FGV, professor e coordenador do Centro de Empreendedorismo da FAAP e pesquisador do Mestrado Profissional da Faccamp.

 

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Doutor em Administração de Empresas pela EAESP/FGV, Professor pesquisador do Mestrado Profissional em Administração da Faculdade Campo Limpo Paulista. Associado-fundador e tesoureiro da Associação Nacional de Estudos em Empreendedorismo e Pequenas Empresas. Consultor e palestrante em negócios e empreendedorismo corporativo. Foi Coordenador do Centro de Empreendedorismo da FAAP e professor da Escola São Paulo. Criou e coordenou o Centro de Empreendedorismo do Insper. Exerceu cargos executivos em multinacionais como Citibank e Cargill Agrícola.
www.marcoshashimoto.com

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