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Desmascarando um mito: por que e como fazer negócios com amigos

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Desmascarando um mito: por que e como fazer negócios com amigos

Existe uma crença pairando sobre o mundo dos negócios há séculos. Ela é resumida pelo ditado “amigos, amigos, negócios à parte”. Eu discordo completamente disso.

Se tem uma coisa que eu aprendi ao longo dos anos, é que você só deve fazer negócios com os amigos: com pessoas em que você confia, que admira e gosta de ter por perto, com as pessoas que te fazem rir. Mas, claro, existem jeitos bons e ruins de trabalhar com amigos. A seguir, eu compartilho o que aprendi, por tentativa e erro, sobre mergulhar em relações de trabalho e parcerias com aqueles que eu considero ser meus amigos mais próximos. E estou esperando que este post ajude a desmascarar esse mito e abra caminho para quem sempre teve vontade de trabalhar com as pessoas que ama.

Como fazer negócios com os amigos:

1. Comunique-se, comunique-se e comunique-se

A importância da comunicação sincera, autêntica e frequente não pode ser subestimada. Esse é sempre o caso, mas sua importância só é amplificada quando se trabalha com amigos. Muitas vezes, por se tratar de amigos, você pode não querer confrontá-los. No curto prazo, isso pode parecer melhor, mas no longo prazo, essa é uma receita certa para o desastre (tanto para a sua organização quanto para sua amizade).

Aprendi isso da maneira mais difícil, e hoje, incorporado na realidade de todas as empresas de que eu participo, está uma disciplinada “arquitetura de comunicação”. Faço calls individuais toda semana com todos os meus parceiros e companheiros de equipe, juntos fazemos reuniões táticas semanais, todos os dias fazemos reuniões rápidas em pé, uma vez por mês fazemos uma sessão de 48 horas de trabalho e, uma vez a cada três meses, todos nós saímos em uma viagem em conjunto para um descanso prolongado.

O conteúdo dessas reuniões e calls gira em torno de o que é bom e, igualmente importante, do que não é tão bom. Nós falamos sobre pontos de tensão, pontos de gratidão, preocupações, “sinais amarelos”, vida além do trabalho, objetivos, aspirações pessoais, etc. Pode parecer excessivo, mas eu já vi esse nível de comunicação pagar dividendos, garantindo que as tensões não cresçam e que a cultura da equipe valorize a comunicação organizacional autêntica, frequente e honesta.

2. Adquira direitos aos poucos

A maioria dos cofundadores começa suas empresas dividindo igualmente os direitos do negócio entre os amigos que começam a empresa com eles. Esse parece ser o caminho certo a seguir. Mas, muitas vezes, isso termina em uma catástrofe.

Por exemplo, se você começa um negócio com seu melhor amigo e divide o patrimônio com ele em 50%, o que acontece se um ano depois esse seu amigo decidir aceitar um emprego em tempo integral na Wallstreet? Ele ainda vai ter 50% da empresa e, agora que não está trabalhando ativamente no negócio, isso provavelmente vai arruinar a sua amizade.

Em vez disso, eu recomendo que você conceda os direitos aos poucos, ao longo de um período de quatro anos, e defina um prazo mínimo de um ano para realmente fazer parte do negócio. Isso significa que, se algum dos sócios deixar a empresa no prazo de 12 meses depois de sua fundação, eles não vão receber qualquer capital. Assim, se você divide a propriedade da empresa em 50% com o seu melhor amigo e cofundador e ele ou ela deixar a empresa depois de 2 anos, eles teriam pouco mais de 16% do capital em vez de 50%.

Ao planejar não apenas para o melhor cenário (que é o que a maioria dos amigos fazem), mas também para as possíveis mudanças de plano, você salvará tanto a sua amizade quanto, provavelmente, a sua empresa.

3. Tenha certeza absoluta de que suas motivações estão alinhadas

Uma grande amiga minha tinha uma equipe brilhante por trás de uma nova startup e todos estavam muito animados para fazer tudo dar certo. Mas quando ela se sentou para conversar com seus cofundadores, percebeu que suas motivações não estavam sincronizadas. Imediatamente, ela escutou sua intuição e decidiu não continuar com a startup.

Normalmente, com os amigos, é fácil aproveitar uma oportunidade de criar uma startup ou uma relação de trabalho emocionante, divertida e que ainda poderia resultar em negócios lucrativos. Mas se as suas motivações não estão alinhadas, dentro de alguns meses ou anos sua parceria vai, sem dúvida, desmoronar. Não vale a pena.

Em suma, tenha certeza de que suas motivações estão alinhadas e, se não se sentirem sincronizados, não trabalhem juntos, apenas continuem a ser bons amigos.

4. Não morem juntos por tempo demais

Quando estávamos fundando o Unreasonable Institute, houve um período de tempo em que eu e meus cofundadores, Teju Ravilochan e Vladimir Dubovskiy, vivemos sob o mesmo teto. Às vezes chegávamos a trabalhar 18 horas por dia, 7 dias por semana, e sendo melhores amigos, companheiros de apartamento e cofundadores, estávamos juntos praticamente a cada minuto.

Embora essa seja uma maneira divertida de começar um novo negócio e garantir que todos estejam totalmente imersos nele, hoje eu sinto que, se você quiser viver com os seus amigos/cofundadores, o melhor é fazê-lo com um plano de saída em mente (ou seja, dê um prazo a esse período e, após 6 ou 12 meses, planeje mudar-se dali).

Vocês provavelmente ainda vão se ver 16 horas por dia… mas dar um pouco de espaço um ao outro é importante em qualquer relacionamento.

Refletindo sobre o que acabei de escrever, percebi que, do jeito que eu apresentei a situação, ficou parecendo que trabalhar com os melhores amigos é algo que dá muito trabalho. De certa forma, assegurar que a amizade permaneça sagrada e a parceria próspera dá trabalho sim. Mas, dito isso, eu não consigo imaginar um jeito melhor de investir seu tempo, e para mim, eu nunca poderia fazer o que eu faço se não fosse pelos amigos que tenho a sorte de ter como parceiros, investidores, colegas de trabalho e cofundadores.

Daniel Epstein é cofundador do Unreasonable Institute

Artigo originalmente publicado no blog do Unreasonable Institute

Leia mais:

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Pró-labore: 3 coisas que todo empreendedor deve saber

[Ferramenta] Fluxo do comportamento empreendedor

O Unreasonable Institute é um programa de 5 semanas para empreendedores que estão solucionando os maiores problemas do mundo. São doze empreendedores de todas as partes do mundo que vão para o Colorado, nos EUA, onde eles são conectados com mentores e investidores e têm acesso aos recursos necessários para escalar seu impacto.

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