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Não somos winners – nem losers

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A camaradagem é um traço cultural brasileiro. Mas será ela replicável em outros ambientes de negócio?

Quase toda a literatura de negócios consumida no Brasil vem dos Estados Unidos. Nem toda ela viaja bem para cá. Por dois motivos: somos mais relacionais que os americanos e não dividimos a sociedade entre winners e losers, como eles fazem.

Talvez por prezar mais os relacionamentos, o brasileiro tem uma capacidade de trabalhar em grupo que executivos com bagagem internacional consideram superior à de europeus e americanos. A camaradagem é um traço cultural brasileiro. Temos, portanto, a oportunidade de aceitar a amizade como valor empresarial.

Infelizmente, há uma corrente de pensamento para a qual a amizade seria um obstáculo à meritocracia. Segundo ela, chefes não podem ter amigos, sob pena de perder a objetividade na hora de premiar os melhores. Vem daí toda a discussão sobre a solidão do poder.

O desafio, no entanto, é de síntese – e não de escolha. Camaradagem com valores e com meritocracia.

Levanto algumas questões. A camaradagem é um traço cultural replicável ou não? Supondo que seja, é razoável imaginar que seja uma célula base, a partir da qual se construíram (ou construirão) modelos de gestão brasileiros? Podemos dizer que nossas empresas se apropriaram dessa brasilidade e criaram ambientes alegres, leves e relacionais? E, por fim, modelos nacionais de gestão assim desenvolvidos viajariam bem o bastante para serem exportados?

Apesar da nossa propalada alegria de viver, na maioria dos casos, os brasileiros não estão se divertindo no trabalho. Pelo menos não nas grandes empresas, enrijecidas por camadas e mais camadas de regras, normas e burocracias, nas quais se deixa a espontaneidade do lado de fora do escritório.

É sedutora, porém, a ideia de que o Brasil pode dar uma contribuição importante para o mundo dos negócios, desde que sejamos capazes de assumir nossos traços culturais sem abrir mão de bons processos, sem avacalhar a meritocracia e sem perder o foco no resultado e no retorno para o acionista.

Uma organização espontânea 100% brasileira, ao mesmo tempo estruturada e capaz de produzir alegria, é a escola de samba. Ela merece ser antropologicamente estudada, se estamos em busca do homem cordial tipo exportação.

No entanto, o crescimento de uma mentalidade administrativa inspirada e disseminada por fundos de private equity estrangeiros está colocando em risco o embrião de cultura organizacional que se formou, a partir dos anos 90, quando iniciamos a caminhada do paternalismo da empresa de dono à meritocracia à brasileira. Está em xeque o nosso mangue beat corporativo.

 

Alexandre Teixeira é jornalista de economia e negócios, autor do livro Felicidade S/A.

 

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, "Felicidade S.A", Autor

Alexandre Teixeira é jornalista de economia e negócios. Nos últimos quatro anos, foi editor-executivo e redator-chefe da revista Época Negócios, uma das principais publicações do segmento no país, focada em inovação, sustentabilidade e empreendedorismo. O jornalista também passou pelas redações da revista IstoÉ Dinheiro, dos jornais Valor Econômico e Jornal da Tarde, além da TV Gazeta. Seu primeiro livro, Felicidade S.A, está sendo lançado pela Arquipélago Editorial.

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