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Não julgue a economia pelo número de startups *

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Não julgue a economia pelo número de startups

Mais novos negócios são bons para a sociedade, certo?

Essa é uma suposição comum. Por exemplo, pegue a recente manchete feita pelo Washington Post “Mais negócios estão fechando do que abrindo. O Congresso pode ajudar a reverter isso?”. Soa ameaçador em um primeiro momento, mas espere um pouco, começar novos negócios é mesmo sempre uma boa coisa? Não é um princípio econômico básico que em um mercado bem ajustado ocorrerão diversas empresas abrindo e fechando, em que negócios não tão bons (incluindo milhares de empresas sem funcionários) serão “reciclados” rapidamente (falirão rápido) e que, ao longo do tempo, mercados bem ajustados e vigorosos suportarão companhias fortes e crescentes que, por sua vez, oferecerão bons empregos?

Essa mistura de startups com o empreendedorismo, e mais amplamente com o “dinamismo empreendedor”, tornou-se tão difundida que pode atrapalhar até mesmo as pesquisas mais sérias. Por exemplo, o admirado Instituto Brookings tentou explicar um aparente declínio no empreendedorismo norte-americano nas últimas décadas. A evidência? Mais e mais empresas estão sobrevivendo e crescendo nos 16 anos. O axioma implícito aqui é que companhias robustas que sustentaram um crescimento por um longo período são, de algum modo, menos inovadoras. Os autores desse estudo, assim como outros pesquisadores, dizem explicitamente que essas empresas estão diminuindo o espírito empreendedor da sociedade norte-americana. (É preciso notar que dentro desse grupo de “esterilidade inovadora dos 16 e poucos anos” estão eBay [19 anos], Google [16], Starbucks [43], Netflix [17], Apple [28], Cisco [30], Boston Scientific [35] e Dell [30]). Na tentativa de explicar as raízes desse declínio, o relatório do Instituto Brookings também aponta uma queda no número de novas empresas registradas no mesmo período. A solução para eles: “Os Estados Unidos precisam de mais startups”.

O perigo aqui mora na nossa inquestionável aceitação aos pressupostos embutidos nesses estudos. Ou seja, que havendo mais empresas que crescem, de algum modo, isso se torna destrutivo ao empreendedorismo dentro da economia, e que o declínio de empresas recém-criadas por si só é uma coisa ruim. (Note que a Alemanha tem testemunhado um “declínio” quase idêntico em dinamismo nos últimos trinta anos, e a maioria dos especialistas concorda que a economia deles segue bastante forte. Com 16 anos de idade, ninguém diz que a Alibaba é morosa ou pouco inovadora). Na verdade, a evidência empírica mostra que o declínio na criação de novas empresas está associado ao aumento da renda per capita, e quanto mais novos negócios um país tem, menor é o seu PIB.

A maioria de nós que construiu e investiu em negócios de risco (como fizemos) ficaria empolgada com o crescimento de suas empresas. Qualquer um que construiu uma empresa bem-sucedida sabe que, normalmente, leva-se 15-20 anos ou mais para que uma raíz seja fixada. Casos como o do WhatsApp são exceções.

Essas empresas com alto crescimento representam exatamente o tipo de empreendedorismo que desenvolve sociedades, cria empregos, aumenta a qualidade de vida das pessoas e gera inovações. Empresas de alto crescimento, sejam elas antigas ou novas, que são conduzidas por empreendedores focados e determinados, podem conseguir uma nova trajetória de crescimento em qualquer momento de suas vidas. Estudos e mais estudos apontam o seguinte: relativamente, empresas de alto crescimento muitas vezes têm pelo menos 16 anos de idade e são desproporcionalmente fortes geradoras de empregos, crescimento, valor e sustentabilidade. Novas empresas são mais fáceis de serem contabilizadas, mas sozinhas não possuem o impacto positivo em economias como o das empresas em crescimento.

Qualquer um que construiu uma empresa bem-sucedida sabe que, normalmente, leva-se 15-20 anos para que uma raíz seja fixada. Casos como o do WhatsApp são exceções.

Nas próximas oito semanas, nós estamos lançando um manifesto global** focado em um maior diálogo empreendedor relacionado às empresas de alto crescimento e seus impactos positivos nas sociedades e economias. Esse manifesto é, principalmente, difundido pela Semana Global do Empreendedorismo que acontece neste mês de novembro, quando milhões de pessoas em 140 países participarão de mais de dez mil eventos para celebrar startups empreendedoras. Embora economias saudáveis incluam números adequados de startups (assim como grandes empresas, negócios familiares e microempresas), nós acreditamos que empresas de alto crescimento merecem mais atenção do que recebem atualmente.

Com o objetivo de ampliar esse debate, nós desenvolvemos a Declaração de Alto Crescimento (Scale Up Declaration, em inglês), que colocamos como um ponto de união em que a discussão empreendedora deveria se focar para alcançar todo seu potencial.

Portanto, declaramos que:
• Desde os primórdios da sociedade humana, o empreendedorismo – a criação de valor pelo crescimento de uma empresa – tem sempre um impacto positivo único tanto social como econômico;
• Grandes e bem-sucedidos empreendedores sempre foram, são e sempre serão parte essencial de grandes sociedades como criadores de empregos, riquezas, inovações e, muitas vezes, iniciativas filantrópicas;
• Grandes empreendedores beneficiam sociedades primeiro por elevar a qualidade dos negócios com suas empresas o mais rápido possível, e depois por reinvestir seu conhecimento, tornando-se exemplos inspiradores, tornando-se mentores ou professores, e reinvestindo seu capital financeiro nas próximas gerações de empreendedores;
• Uma mentalidade de alto crescimento – a ambição de desenvolvimento contínuo da empresa para impactar o mercado – é a atitude mais importante para empreendedores bem-sucedidos;
• Habilidades de alto crescimento – liderança para trazer produtos e serviços para mercados novos ou já existentes, atraindo e desenvolvendo capital humano, financeiro e consumidor, aprendendo rapidamente com os erros – são as mais importantes habilidades que um empreendedor pode aprender;
• A quantidade e o sucesso de empreendedores de alto crescimento aumenta a quantidade e o sucesso de outras manifestações empreendedoras, incluindo startups, pequenos negócios e negócios familiares;
• O empreendedorismo de alto crescimento aplica-se a todos os setores, como os de serviços, manufatura, mídia, saúde, imóveis ou biotecnologia etc;
• Nós todos – empreendedores, executivos, professores, fundações, governos, investidores, banqueiros e todos líderes da sociedade civil – podemos e devemos fazer mais para encorajar o empreendedorismo de alto crescimento nas nossas cidades e ao redor do planeta;
• Nós iremos comunicar os conceitos e princípios desta Declaração de Alto Crescimento global através de cada canal disponível, sendo pela palavra, telefone, e-mail ou mídias sociais.

Nós esperamos que esta Declaração de Alto Crescimento seja um importante passo na criação de uma visão alinhada, focada e abrangente em relação ao empreendedorismo em todo o mundo.

*Artigo escrito por Fernando Fabre em parceria com Daniel Isenberg. Publicado originalmente na Harvard Business Review.
** O comitê nacional da Semana Global do Empreendedorismo no Brasil criou também um Abaixo-Assinado pela Transição do Simples. Participe!

, Endeavor Global, Presidente
Desde 2011, Fernando é Presidente da Endeavor Global. Antes, foi Diretor Geral da Endeavor México (desde 2004) e professor de empreendedorismo na Universidade de Anahuac.
Para saber mais, acesse: http://www.endeavor.org/network/endeavorglobal/managementteam/fernando-fabre/773

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