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Cão com vários donos não precisa passar fome: como organizar a gestão entre muitos sócios

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Quando uma empresa tem muitos sócios, dúvidas espinhosas podem surgir. Como definir o papel de cada um na operação? Quem fica com a decisão final? Como formalizar? Veja lições de quem já passou por isso

Você já ouviu um provérbio que diz que “cachorro com dois donos morre de fome”? Ele pode se aplicar também na administração de um negócio.

Principalmente se a empresa tiver mais do que dois “donos” (sócios), porque a dinâmica fica ainda mais complexa. Se é o seu caso, você provavelmente já se fez perguntas como: “nós precisamos de um CEO?” “Como definir o papel de cada sócio na operação?” “Quem fica com a decisão final?” “Como formalizar isto?”

Para respondê-las, nada melhor do que a experiência de quem já enfrentou estes desafios.

  • O “trato interno” da Confiance

Um desses casos foi o da ConfianceMedical, empresa que desenvolve e fabrica equipamentos médicos.

A Confiance tem quatro sócios, todos com o mesmo poder de voto. É uma configuração que poderia causar uma série de impasses, mas, de acordo com um desses sócios, Cristiano Brega, um “trato interno” sempre garantiu que as decisões fossem tomadas sem grandes problemas:

“Cada um dos sócios é responsável por uma área, com votos decisivos nelas. Eu, por exemplo, cuido do financeiro da empresa. E se a decisão for relativa à área financeira, o voto de Minerva é meu”.

No entanto, da porta para fora, tornou-se indispensável que a Confiance adotasse a figura de um CEO — cargo que coube ao próprio Cristiano. “Como eu tinha esse conhecimento mais administrativo, fizemos uma votação e fui eleito. Sei do quanto a minha responsabilidade é maior. É importante ter uma figura para o mercado, pros investidores, para a mídia.”

E sim, a Confiance ganhou a figura de um CEO, mas, internamente, a dinâmica continuava a mesma. Afinal, como tomar decisões por quem entende mais daquele assunto do que você? Cristiano conhece muito bem os seus sócios — também são seus amigos — e tem consciência de que seu entendimento a respeito de algumas áreas está aquém do conhecimento deles.

“Continuo respeitando muito a opinião do gestor. Não me sinto confortável por interferir na decisão de alguém que tenha um conhecimento maior do que o meu”.

Mas, de acordo com Cristiano, há um importante alerta a ser feito aqui: o de que essa opção também tem um lado negativo, “uma vez que engessa um pouco e torna as decisões lentas”. Ele também afirma enfrentar “dificuldades para cobrar os sócios e amigos”, o que, às vezes, atravanca as operações.

  • CEO Bienal

Para replicar o dinamismo do “trato interno” à sucessão, os sócios da Confiance adotaram também a prática do CEO rotativo. No caso da empresa, o cargo é ocupadopor dois anos. Depois desse período, os sócios definem quem assume — ou se Cristiano se mantém. “Jogamos bola de gude, par ou ímpar, jokenpô… o importante é que todos participem da escolha”. Pode até parecer brincadeira, mas está tudo seriamente formalizado em um acordo de acionistas, é claro.

O mesmo princípio se aplica à escolha de quem vai avalizar as transações bancárias – financiamentos, empréstimos e quetais. Para não sobrecarregar uma pessoa só, essa função também pode ser rotativa. Ou, ainda, independentemente de quem assine, os demais sócios podem assumir a responsabilidade por meio de um termo de compromisso.

E caso um sócio saia…

Pois é, neste momento deve-se pensar em todas as possibilidades. O ideal é que uma empresa sempre siga o exemplo do que ocorre em um contrato de franquia: a adoção de uma cláusula de não-concorrência.

Durante um certo período — o mais comum são dois anos –, o sócio que sai fica impedido de abrir uma empresa concorrente. E a multa pelo descumprimento deve ser alta o bastante para coibir a prática.

A cláusula pode ter variações para áreas diferentes, também. Como no caso de desenvolvimento de produto: um termo de confidencialidade, aqui, é fundamental. Ainda mais para funcionários que manipulam a tecnologia da empresa.

Resumindo:

Essas são algumas boas práticas que ajudam a organizar a relação entre muitos sócios. O ideal é que esta relação seja regida por um acordo, sem dúvida; mas, enquanto ele não existir, vale a pena ir colocando as diretrizes no papel, para que ao menos exista um rascunho.

Faz toda a diferença. A própria Confiance Medical é exemplo disso: dois anos depois, mesmo com donos diferentes, a empresa não só não “morreu de fome”, como segue firme, fornecendo equipamentos médicos para todo o país.

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