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“A melhor reunião da minha vida foi quando o investidor acabou com a minha ideia”

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Melhor reunião da minha vida foi quando o investidor acabou com a minha ideia

Evandro Yagura tinha uma nova tecnologia na mão e uma boa ideia de negócio no papel. Só faltava um investidor. Mas a reunião de kick-off para a primeira captação não saiu bem como ele esperava.

A vida de Evandro sempre foi marcada pela presença de um forte espírito empreendedor, herdado da família e presente em cada fase e decisão da sua vida. Desde o dia em que seus pais decidiram ir para o Japão em busca de novas oportunidades, quando ele tinha apenas 14 anos, até o momento em que ele decidiu voltar para o Brasil, onze anos depois, para fazer faculdade de sistemas de informação em Curitiba.

Oficialmente, ele conta que sua carreira empreendedora começou abrindo um restaurante com o sogro em Curitiba, mas que logo se expandiu para algo muito maior. “Quando o restaurante atingiu o breakeven, sugeri expandir o negócio. Mas meu sogro não aceitou e preferiu continuar com apenas uma unidade. Foi aí que percebi que era hora de eu sair para empreender sozinho.”

Com esse objetivo em mente, Evandro volto para o Japão em 2014. Enquanto todos os seus amigos curtiam a Copa do Mundo aqui, ele passou um mês do outro lado do mundo pesquisando sobre novos negócios e tecnologias disruptivas que pudesse trazer para o Brasil. Lá, acabou se deparando com uma nova tecnologia chamada Beacon. De maneira simplificada, o beacon está para os ambientes fechados, assim como o GPS está para os ambientes externos. Ele é uma ponte entre as experiências físicas e digitais, e está sendo bastante utilizado no varejo, tanto para simplificar o processo de compra em uma loja, quanto para criar experiências aumentadas que impactem os consumidores.

Evandro já tinha lido no site Business Insider que aquele seria o próximo boom do mercado, isso lá em 2014. Na época, ele não conhecia mais ninguém que tinha essa tecnologia em mãos aqui no Brasil. A empresa que implementava a tecnologia no Japão acabou vendendo algumas unidades para o empreendedor e ele embarcou em um voo de volta para cá. “Eu via que essa seria a bola da vez. Então tentei surfar a onda!

De volta ao Brasil, Evandro comentou que precisava de mão de obra qualificada para fazer o negócio sair do papel. Enquanto ele ainda se esforçava para aprender linguagem de programação, observava dois dos seus amigos desenvolvendo jogos e dominando a área com muito mais facilidade que ele. “A parte comercial eu conseguia executar e eles me davam o suporte para o desenvolvimento da tecnologia. Sugeri uma sociedade e eles toparam!”

Antes mesmo de ter um CNPJ, os três sócios começaram a desenvolver um protótipo de aplicativo inspirado no hardware que Evandro trouxe do Japão. E apresentaram a ideia para uma professora de empreendedorismo, Fabiola Paes. “Passamos a madrugada trabalhando para criar um protótipo super simples e apresentar na aula seguinte.” Ela achou a ideia tão fantástica que, em seguida, marcou uma reunião com todo o corpo docente da Universidade Positivo para que os três alunos apresentassem a tecnologia.

A partir daí, a ideia só foi crescendo e recebendo elogios. Entre tantas reuniões que Evandro participou, apresentou o protótipo para diretores, reitores e outros professores, até chegar na RPC TV, a filial da Globo em Curitiba. Lá, Eduardo Bosquete fez uma série de perguntas sobre o potencial de escala do negócio e, por fim, ofereceu apoio para a expansão da startup em Curitiba como braço de marketing.

Subindo mais um degrau, era hora de apresentar também a ideia para os investidores do Grupo GRPCOM, para captar recursos e desenvolver o aplicativo. Foi assim que Evandro conheceu Eduardo Fontana, diretor executivo do grupo e mentor voluntário da Endeavor. Nesse meio tempo, Evandro se preparou. Construiu o Business Model Canvas, explorou a análise SWOT, descreveu os 4 Ps, estudou a viabilidade e o potencial do mercado e até contratou um consultor para ajudar com as modelagens financeiras e projeções de fluxo de caixa. Seguiu todos os itens da lista antes de conversar com o primeiro investidor.

Cheguei lá e fiz a apresentação do produto em 10 minutos. O resto do tempo foi só do Eduardo criticando o projeto. Eu estava há 4 meses estudando sem parar sobre a tecnologia e chegou um investidor que, em 15 minutos, destruiu tudo aquilo que eu estudei. Ele apontou a vulnerabilidade do mercado de beacons, criticou o modelo de monetização que tínhamos criado, disse que nenhum anunciante pagaria por aquele aplicativo…Saí de lá completamente frustrado!

O empreendedor conta que passou o caminho de volta para o escritório refletindo sobre cada ponto discutido na reunião. Chegando lá, apresentou os feedbacks para os dois sócios, que ficaram totalmente surpresos e cabisbaixos, sem saber o que fariam a seguir. Ali poderia ser o momento de fechar a empresa e ir para casa. Mas foi naquele momento, vendo os sócios sem esperanças e ainda com o desafio de dar a notícia para a sua esposa quando chegasse em casa, que Evandro teve o seu Day1.

“Se eu estou dentro de um barco em uma tempestade e sou o comandante, só tenho uma opção. Se eu largar o leme, com certeza o barco vai afundar ou encalhar nas rochas. Mas, se eu sigo firme e vejo um norte, todos os meus tripulantes vão sonhar comigo.”

Todo mundo queria ir para o porão do navio se lamentar do fracasso da reunião, mas o empreendedor decidiu levantar a cabeça, colocar ainda mais esperança nos sócios e mostrar que aquela reunião tinha sido positiva e não decepcionante. Chegando em casa, era hora de contar para a sua esposa como tinha sido a reunião. Diferente do que fez com os sócios, Evandro chegou dizendo:

- Nossa, foi a melhor reunião da minha vida!

Ela, cheia de esperanças perguntou:

- Você conseguiu o investimento?

- Não, não consegui. Olha, eu sentei com um dos caras mais inteligentes e mais conhecedores de tecnologia e de mercado que já vi até hoje, nunca tinha conversado com alguém assim, e ele me mandou rever várias coisas do business.

Foi ali que Evandro entendeu que nem tudo o que a gente aprende na teoria, funciona na prática. “O que eu sabia era sobre matérias, estudos e depoimentos de especialistas. Porém, por ser uma tecnologia nova, eu nunca tinha visto um case de quem executou esse modelo de negócio.

Além disso, ele conta que passou a enxerga o não de uma outra forma. Evandro lembra até hoje o que Eduardo lhe disse: Eu jamais eu investiria em vocês. “Passei a usar essa frase como trampolim. Pensava comigo: você ainda vai dizer um sim!

As pessoas se incomodam demais com o Não. Pelo contrário, agora eu busco muito o não porque é em cima do Não e do Porquê que eu consigo obter o Sim.

Evandro enxerga hoje, três anos depois, que, depois daquela reunião, o negócio morreu. Nada mais aconteceu, a não ser especulações. O aplicativo chegou a ser usado em 18 pontos turísticos de Curitiba, em uma parceria com a Prefeitura, mas nunca teve mais do que 250 downloads. Durante todo esse período, sempre teve o acompanhamento de Eduardo Fontana, que se tornou seu amigo muito próximo e mentor para a vida inteira.

Empreendedor que é empreendedor não se apega ao negócio, mas sim à prática de sempre empreender. Hoje, três anos depois dessa experiência, Evandro presta serviços desenvolvendo novos aplicativos, além de investir em outras 5 startups que vão de mercado imobiliário e varejo a logística urbana. O lucro gerado pela prestação de serviços no desenvolvimento de novas tecnologias é investido em novas startups de Curitiba, fortalecendo o ecossistema empreendedor local.

Agora, com o novo papel de investidor, Evandro assume a figura de Eduardo Fontana em muitas salas de reunião da cidade. “Eu recebo cerca de 3 startups por semana no escritório, pedindo investimento. E acabo fazendo a mesma sabatina de perguntas e provocações que o Eduardo fez comigo. Muitos empreendedores torcem o nariz e ficam bravos comigo, falando que não bem por aí e retrucando do mesmo jeito que fiz três anos atrás.”

Mas o objetivo dessa sabatina é ajudar os empreendedores a enxergarem o quanto antes aquilo que pode impedir a empresa de crescer, para que removam essas barreiras desde o primeiro dia. Ter uma pessoa que te apresenta o caminho desse jeito, na forma de um mentor, investidor ou alguém do mercado, é um grande presente para o futuro do negócio que você deseja construir.

Porque o valor nem sempre está no dinheiro, ou na possibilidade de enriquecer com seu negócio. O valor está nas pessoas que estão a sua volta e no que você proporciona a elas. Hoje eu vejo que meu sonho é ajudar o maior número de pessoas possível. Faço isso começando pela minha família e me esforçando para ser o melhor pai que posso ser para a minha filha, mas também tento fazer a diferença para cada empreendedor que encontro em uma dessas salas de reunião.

“Quero muito ver essas startups decolando. Por isso, quando encontro um projeto, vejo que tem potencial de escala e é interessante, levo para o Eduardo dar a palavra final. Ele mostra os pontos cegos do negócio que eu ainda não consigo enxergar. Mas, às vezes também diz: vocês acertaram, pode investir porque tem potencial!”

“De certa forma, quando recebo a segunda resposta de que estamos no caminho certo, fazendo do jeito certo, vejo que consegui o sim que tanto queria ouvir naquela reunião.”

Pitch para Investidores

, Endeavor Brasil, Time de Conteúdo

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1 Comentário

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  1. Usuário anônimo - says:

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    Fantástico!

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