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Marcel Telles: sempre pronto para quando o cavalo selado passar

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De conferidor de boletos da bolsa de valores a empreendedor admirado, conheça a trajetória e as lições de Marcel Telles, ex-CEO da Ambev e sócio do fundo 3G.

Se você pesquisa a vida de empreendedores de sucesso, deve conhecer várias histórias de superação. Certamente já ouviu falar de gestores e gestoras bem sucedidos que tiveram de enfrentar uma verdadeira jornada do herói. Ainda mais no Brasil, um país em que reconhecidamente se trabalha muito: são inúmeros os exemplos de pessoas de origem comum, ou mesmo humilde, que, graças à força e à perseverança com que enfrentam os obstáculos da vida, chegaram lá. E entre estas referências, talvez uma das mais emblemáticas seja a de Marcel Telles.

Caso você tenha começado a empreender recentemente e este nome ainda não seja tão familiar, pode se preparar para ouvi-lo muito. E ele geralmente vem acompanhado por outros dois nomes que são referências obrigatórias para qualquer empreendedor: os de Jorge Paulo Lemann e Carlos Alberto Sicupira. Afinal, ao lado deles, Marcel Telles responde pela construção de um dos mais bem sucedidos grupos empresariais do mundo, que se tornou referência global em gestão. O Grupo 3G, criado pelo trio, hoje controla marcas como Burger King, Kraft-Heinz, B2W (Americanas e Submarino) e AB-Inbev.

Mas a trajetória de Marcel Hermann Telles não foi um passeio no parque.

Época difícil

Nascido em 1950 no Rio de Janeiro, Marcel Hermann Telles se formou economista pela UFRJ. Nesta matéria da Exame, Marcel Telles relembra os tempos de estudante:

“Entrei na faculdade numa época difícil, em 1968. Na época em que aluno desaparecia e professor era preso. Mas comecei a ver uns amigos chegando com umas motos bacanas e uns ternos bem cortados. Perguntei o que estavam fazendo e eles falaram que estavam no mercado financeiro. Não tinha a menor ideia do que fosse aquilo.”

Resolvi entrar, e entrei pela porta dos fundos. Arrumei um emprego de conferir boleto de bolsa da meia-noite às 6 da manhã numa corretora. A gente diz, numa metáfora de pesca submarina, que para pegar o peixe grande você tem de estar na água.

Resiliente e com um jeito de fazer negócios orientado sobretudo pela lógica, Marcel Telles se tornou, algum tempo depois, funcionário do Garantia, então banco de investimento de Jorge Paulo Lemann. Com alto desempenho, se tornou chefe da mesa de transações, e depois foi o escolhido para assumir a liderança da Brahma, primeira cervejaria comprada pelo grupo. Foi lá que iniciou o processo de fusão com a Antarctica, criando o embrião da Ambev. A partir daí, tornaram-se em outros empreendimentos, uma parceria que culminou com a formação do Grupo 3G.

Sempre digo: comece a fazer alguma coisa e, em algum momento, vai passar por você o cavalo selado. E a paixão dá resiliência. Daí tudo fica mais fácil. Mas, às vezes, você não tem uma vocação claríssima. Você tem, então, de dar uma olhada até encontrar qual é a sua.

A sociedade com Jorge Paulo Lemann e Beto Sicupira

De acordo com Telles, a sociedade funciona graças a dois fatores: as capacidades distintas e as crenças semelhantes. “Temos habilidades diferentes, mas somos muito parecidos nas coisas em que acreditamos”, afirma. “Era muito claro que tínhamos o mesmo jeito, os mesmos valores.”

O maior segredo, talvez, tenha sido sempre ter tido muita coisa grande para fazer. De outro modo, você acaba usando aquela energia dentro da companhia de uma maneira ruim, um contra o outro. Por isso o sonho é tão importante.

E de sonho ele entende. Principalmente de sonho grande, a expressão que resume perfeitamente o propósito empreendedor do trio: “Quando o sonho é grande, há espaço para todo mundo. O mais importante é que sempre corremos atrás e sempre demos sorte de encontrar coisas grandes para nos manter ocupados e crescer. Cabeça vazia é o templo do diabo. Às vezes, você tem a tentação de estar fora da sociedade ou achar que dá para fazer coisas sozinho, e dá.

As lições de empreendedorismo

Nesta entrevista inusitada realizada pela Época Negócios, Marcel Telles respondeu a perguntas sobre gestão, elaboradas por ninguém menos do que Roberto Setúbal, do Itaú Unibanco.

Selecionamos alguns trechos:

Cultura corporativa de ownership - “A gente quer que todo mundo se sinta dono, nos mais diferentes níveis. Dono por ser o dono daquela máquina. Dono daquela área financeira. Daquele projeto. E dono da empresa também, através da sociedade. Nossa característica mais importante é uma busca incessante pelas pessoas que funcionam bem nesse ambiente. Nossa cultura é de alta performance e de alta demanda. Porque dono é dono, Roberto. Dono acorda às 5 da manhã e só sai quando a padaria fecha.

Atração, retenção e desenvolvimento de talentos – “Diria que 99% de quem a gente recruta vem do programa de trainee. E somos nós que vamos às principais faculdades do mundo. Não é o cara do RH. Eu é que vou. Ou o Carlos Brito [CEO da AB InBev], ou o João Castro Neves [ex-presidente da Ambev, atual presidente da AB InBev para a América do Norte]. Isso faz uma diferença brutal. Na medida em que você tem um histórico, a coisa fica mais fácil. O que funciona muito nessas visitas é levar junto um trainee que está conosco há dois, três anos e dizer: ‘Ó, esse aqui entrou como trainee e eu já dei uma fabricazinha para ele tocar na República Dominicana ou alguma coisa comercial no Equador’. Aqui, é o seguinte, Roberto: a gente dá o osso maior que o cara pode roer e vê se ele consegue roer. Isso deixa o jovem muito animado.”

Trabalho em equipe – “A gente sempre presta atenção nisto. A primeira coisa que ajuda muito é o espaço aberto. Espaço aberto, sem salas, sem divisórias, evita conversinhas por trás, agenda que não seja do trabalho. Outro fator é nosso desdobramento de metas. Para eu bater minha meta pessoal, primeiro a companhia tem de bater a meta. Depois a zona [a região] tem de bater a meta. Aí a minha área tem de atingir a meta e só então tem o peso da minha meta pessoal. Então, se eu não trabalhar em equipe, minha área não chega lá. Eu posso ter o melhor desempenho do mundo que não adiantou nada. Nós queremos sempre crescer 10% de Ebitda todo ano. E todos têm de trabalhar pensando nisso.”

Sobre como se realizam as aquisições – “De onde vem, né? Vem de todos os lados. Eu diria que é uma discussão permanente. É muito mais uma questão de oportunidade. A gente tem uma cabeça assim:

Se você é muito bom no que você faz e está atento ao mundo, em algum momento vai passar aquele cavalo selado.

Sobre o Brasil – “Não nos preocupamos muito com aquilo que a gente não tem muita influência. Sempre tivemos uma visão de longo prazo de que o Brasil é para cima. Vai subir, descer, subir de novo, sempre em torno de uma linha ascendente. Para nós, as prioridades são Brasil e Estados Unidos. Há uma quantidade extraordinária de empreendedores nesses dois lugares. No Brasil, onde você anda, em qualquer lugar, tem alguém fazendo alguma coisa nova, fora dos padrões. É isso o que nos interessa. Eu sou animado com o país no longo prazo. E falando com toda a franqueza, esse negócio do dia a dia, da política, o ano da economia… A gente leva em consideração, mas, de novo, não podemos fazer nada a respeito. Temos de ser o melhor possível naquilo que a gente faz e ponto final. Essa é a nossa filosofia, sempre.”

Mais informações:

Neste vídeo, Marcel Telles conversa sobre mentoria e empreendedorismo com Mario Chady e Eduardo Ourivio, Empreendedores Endeavor do Grupo Trigo.

A Endeavor é a organização líder no apoio a empreendedores de alto impacto ao redor do mundo. Presente em mais de 20 países, e com 8 escritórios em diversas regiões do Brasil.

Acreditamos que a força do exemplo é o caminho para multiplicar empreendedores que transformam o Brasil e por isso trazemos aprendizados práticos e histórias de superação de grandes nomes do empreendedorismo para que se disseminem e ajudem empreendedores a transformarem seus sonhos grandes e negócios de alto impacto.

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1 Comentário

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  1. bruno@breed.net.br - says:

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    Admiro e muito Marcel Telles, Paulo Lemman e Beto Sicupira. Em minha filosofia e concepção de vida, eles realmente foram os que sonharam grande e representam a verdadeira “força ATIVA” em nossos tempos.

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