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Manny Stul: o empreendedor que desafiou a Lego e Mattel

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Empresário recebeu o Prêmio Empreendedor Global do Ano da EY, mas, até chegar lá, sua história foi repleta de aprendizados e desafios.

Manny Stul é filho de poloneses e nasceu na Alemanha, em um campo de refugiados da guerra. Quando tinha apenas sete meses de idade, sua família emigrou para a Austrália. Ninguém ali falava inglês, mas seu pai logo arranjou uma ocupação como marceneiro. Depois de sete anos de trabalho, puderam se mudar de um abrigo para uma casa compartilhada, e então para uma casa só deles.

“Se hoje estou aqui celebrando essa grande conquista, é graças às lições que aprendi com as minhas origens”. Um desses aprendizados, ele diz, é uma forte ética profissional que o guiou por toda a sua trajetória. Mas que conquista ele estava celebrando, você pergunta? A gente conta: o EY World Entrepreneur Of The Year (Prêmio Empreendedor Global do Ano da EY).

Realizado em Mônaco, o Prêmio reuniu neste ano empresários de 60 países. O representante brasileiro na final foi Roberto Medina, criador e idealizador do Rock in Rio, e que foi eleito Empreendedor do Ano no Brasil em dezembro de 2015. O homenageado em escala global de 2016, no entanto, representava a Austrália pela primeira vez.

  •  Vocação empreendedora

Manny Stul foi um tanto rebelde na escola. Deixou o ensino médio aos 15 anos para trabalhar como caixa de banco até perceber uma oportunidade no setor de presentes. Faltavam-lhe recursos para abrir um negócio próprio, naturalmente, e ele então decidiu trabalhar em um canteiro de obras para juntar dinheiro. Foi uma rápida e dura transição para a vida adulta. Seus colegas gastavam todo o dinheiro em bebida e ele caiu na mesma armadilha, durante as primeiras semanas.

Não demorou até redirecionar seu foco. Alguns anos depois, Manny deparou-se com um conjunto escandinavo de talheres que fez seus olhos brilharem. Tinha um design simples, que o fez prestar mais atenção na região. Tanto que, dez anos depois, quando finalmente conseguiu fundar sua empresa no setor de presentes, começou importando da Escandinávia. Não só isso. Ele a batizou de Skansen, em homenagem a uma área histórica da capital sueca.

Manny diz que empreender em uma cidade relativamente isolada do resto do mundo (Perth) o incentivou a ser muito inovador, principalmente em produto e distribuição. Essa habilidade, inclusive, o sustentou durante uma grave recessão, nos anos 70, na qual ele inventou os mais estranhos sucessos de venda – um “cotonete de umbigo para o homem que já tem tudo”, por exemplo. A Skansen chegou a faturar AUS$ 20 milhões anualmente, até ser vendida em meados dos anos 90.

  •  Brincadeira perigosa

Semi-aposentado e recém-regresso de uma jornada espiritual na Índia, Manny buscava novos negócios para se aventurar. O mundo ainda não havia entrado no novo milênio quando o empresário decidiu ir a Israel para conhecer tecnologias em que não ouvíamos falar até pouco tempo atrás, como painéis solares e impressão 3D. “Eu estava considerando seriamente me envolver com aquilo, mas recebi uma ligação sobre uma empresa de brinquedos australiana e me perguntaram se não gostaria de investir. Então eu disse ‘claro, me envie os detalhes’”, contou à Australian Financial Review.

Chegaram até ele umas 400 páginas “de detalhes” no fax do hotel. Manny, seu cunhado e outro investidor gostaram do que leram e compraram a Moose Toys de seus fundadores. A ideia era que Manny não se envolvesse na operação, mas o combinado não durou nada. Ele assumiu a presidência e revolucionou a empresa, a equipe, a cultura e os processos em aproximadamente cinco anos de trabalho duro. Ao final deste período, o faturamento foi multiplicado por dez.

Mas eis que a Moose Toys entra em uma crise global. Um componente químico usado em um dos produtos foi substituído pela fábrica chinesa, sem o conhecimento do empreendedor, por um ingrediente que, misturado com saliva ou água, tinha efeito de um entorpecente. Casos eclodiram pelo mundo e foi necessário um recall urgente de mais de 40 milhões de produtos para que não houvesse ameaça à saúde de nenhuma outra criança.

  •  Manny temeu que fosse o fim, mas ignorou qualquer conselho de declarar falência

Para dar conta de indenizações e recuperar a reputação do negócio, o controle da Moose teria que fazer um acordo com 34 credores. Qualquer um que não concordasse com a estratégia arruinaria o plano de coloca-la de volta no jogo. Reconquistar a confiança de todos os distribuidores também requereria muita humildade e transparência. Por dez dias ininterruptos, Manny dedicou-se à leva de negociações em Hong Kong. Também precisou dar garantias pessoais a autoridades da saúde – como a responsabilidade sobre processos criminais se algum caso se repetisse  – para assegurar que os produtos poderiam ser relançados no mercado. E o mais interessante? Tudo isso sem demitir ninguém.

 Ele atribui seus êxitos a quatro pontos fundamentais:

  • Um desejo de assumir riscos;
  • Um compromisso inabalável com integridade e honestidade;
  • A criação de uma cultura de inovação e criatividade com as equipes; e
  • O fato de apreciar o que faz todos os dias.

Hoje, a Moose Toys é a quarta maior empresa de brinquedos em volume de vendas tanto nos Estados Unidos quanto na Austrália, atrás somente de gigantes como Mattel, Hasbro e Lego, segundo a Associação da Indústria do Brinquedo dos EUA.  Dessa história, Manny só comprovou o que aprendeu com o exemplo seus pais: “A necessidade é uma ótima professora. É ela que nos ensina, em grande parte do tempo, como alcançar nossos objetivos e qual o próximo passo a ser dado. Então, se eu tivesse de dar um conselho seria esse: prestem atenção aos momentos difíceis; neles é que se encontram as chaves para o sucesso”.

A EY é uma das quatro maiores empresas de serviços profissionais do mundo (as big four), presente em 150 países, em 728 escritórios, e com mais de 190 mil funcionários. Com sede em Londres, a EY presta serviços de auditoria, elisão fiscal, consultoria e transações corporativas.

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