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Logística reversa – ou o que minha empresa pode ganhar com seus resíduos

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Logística reversa - ou o que minha empresa pode ganhar com seus resíduos

A implementação da logística reversa pode reduzir custos e atender melhor seus consumidores, tornando-se um importante diferencial competitivo  

Desde que foi aprovada a Política Nacional de Resíduos Sólidos, as empresas brasileiras não têm outra opção a não ser lidar com seu lixo. E a logística reversa é o caminho para descascar esse abacaxi. A seguir, você vai saber mais sobre a importância desse tema, conhecer tendências e exemplos de empresas que estão se saindo bem nesse campo, mas, mais importante do que isso, descobrirá que:

muito além da obrigação legal, investir em logística reversa pode significar um importante diferencial competitivo para sua empresa

Afinal, o que é logística reversa?

De uma forma geral, logística reversa é a área da logística que planeja, opera e controla o fluxo e as informações logísticas referentes ao retorno dos bens produzidos após sua venda, uma de suas aplicações é controlar políticas de devolução e troca de produtos, por exemplo. Com a lei dos resíduos sólidos, as empresas passaram a ser legalmente responsáveis pelo descarte de seus produtos. Por exemplo: fabricantes de refrigerante são responsáveis pelas suas latinhas mesmo depois que elas forem jogadas no lixo.

A logística reversa pode ser dividida em duas grandes áreas: logística reversa de pós-venda e pós-consumo. A primeira constitui-se basicamente por aqueles produtos que são devolvidos por razões comerciais, erros em processamento de pedidos, dentre outros. A segunda caracteriza-se por aqueles produtos já adquiridos, utilizados e descartados pelo consumidor, mas que podem retornar ao seu ciclo produtivo, através canais reversos de pós consumo como de reciclagem, de reuso e de desmanche.

Como faço para implementar a logística reversa na minha organização?

Em primeiro lugar, todas as empresas devem elaborar saídas para garantir que seus resíduos não virem lixo. Um primeiro passo para isso é criar um Plano de Resíduos Sólidos descrevendo detalhadamente o ciclo de vida de cada produto, assim como toda a operação de tratamento dos resíduos gerados durante sua fabricação. Isso significa que, na prática, é preciso dominar toda a cadeia de matérias-primas e insumos em que a empresa está envolvida.

Há diferentes formas de implantar um projeto de logística reversa. Coletar e reciclar embalagens e produtos que não estão sendo mais utilizados, ou então reutilizar esses insumos é a mais comum delas. É importante frisar que uma empresa não precisa necessariamente reutilizar seu próprio lixo na produção de novos produtos. O ponto é garantir que aqueles resíduos tenham uma nova utilidade, mesmo que fora da sua própria cadeia de suprimentos.

Quero um exemplo!

Uma boa estratégia para programas de logística reversa é construir parcerias com cooperativas e catadores de materiais recicláveis, já que estes são atores fundamentais da cadeia de reciclagem brasileira. A integração de empresas e cooperativas tem o potencial de viabilizar fluxos reversos e gerar benefícios econômicos e socioambientais, principalmente quando há integração entre empresas, cooperativas e o poder público.

A Renault, por exemplo, fabrica peças de reposição reaproveitando remanescentes usadas. Com essa estratégia de logística reversa, ganha em preços melhores para o consumidor, menos consumo de água, energia e emissões de gases de efeito estufa em seu processo fabril.

Nesta reportagem do jornal Bom dia São Paulo aparecem diversos casos de empresas que, por meio de seus programas de logística reversa, estão reinserindo suas embalagens em sua cadeia de produção.

E onde está a vantagem competitiva nisso tudo?

Para não ficar restrito ao papo de que seus consumidores vão valorizar mais sua empresa ao saberem que ela é socialmente responsável, aqui vão dois exemplos que demonstram claramente como a logística reversa pode agregar um grande valor competitivo:

A Bridgestone, por exemplo, recolhe os pneus que não servem mais para o uso e encaminha para uma empresa que picota esses pneus. O material resultante é utilizado de diversas maneiras, como em pisos ou borracha de vedação.

A Natura engaja suas consultoras em um programa de reciclagem. Com isso, além de conseguir coletar com precisão suas embalagens – que serão enviadas a uma cooperativa de catadores- também, a cada venda, tem a oportunidade de informar seus compradores sobre o programa de reciclagem e engajar mais pessoas.

Neste video, Luiz Seabra, fundador da Natura, apresenta suas ideias, valores e crenças.

Que tipo de empresa você quer construir: aquela que está à frente, ou aquela que precisa correr para se adaptar?

Empresas que se adiantaram a essa questão e já sabem como trabalhar sua logística reversa encontrando oportunidades no manejo de seu lixo estão muito à frente daquelas que precisam de adaptar para cumprir a legislação. Então, mais uma vez:

 não pense nisso apenas como uma obrigação, encare como um diferencial competitivo

Apesar da logística reversa demandar investimentos e inovações nos sistemas de produção da empresa, uma vez implementadas, essas mudanças podem representar economia e vantagens para o consumidor e para a própria empresa. Agora, tenha em mente que elaborar um bom plano é, sim, um grande desafio. Uma saída possível é procurar no mercado organizações competentes especializadas nesse tipo de função. Além disso, pense além da reciclagem. Muito além.

Será por meio de inovações incrementais no processo de produção, por exemplo, que uma empresa encontrará uma vantagem competitiva relevante.

Novos conceitos e referências para pensar sua logística reversa

O senso comum diz que fazer logística reversa significa recuperar produtos e dar um jeito de reciclá-los para reutilizar insumos. Essa é uma ideia muito limitada frente às possibilidades da logística reversa e de seu papel no processo produtivo de uma empresa.

A Natura traz um outro exemplo de logística reversa nesse campo. A empresa monitora e estuda o ciclo de vida das embalagens recicláveis de seus produtos. Além de investir em um programa de coleta das mesmas, também desenvolveu embalagens mais sustentáveis. Para fabricar sua nova linha Sou, utiliza 70% menos plástico, emite 60% menos dióxido de carbono na produção e gera três vezes menos resíduos.

Além do processo de reciclagem ser mais rápido, a nova embalagem ocupa menos espaço e requer menores investimentos em frete e distribuição. Além disso, também traz vantagens para consumidor: possibilita que o use até a última gota do produto.

Há diversos caminhos para uma empresa estruturar seu programa de logística reversa para, além de cumprir a legislação, desenvolver inovações que façam com que a empresa se destaque no mercado, desenvolva processos mais econômicos e ofereça vantagens reais para consumidores.

No artigo “As oportunidades na economia circular”, Ana Ester Rossetto, sócia da KCA Consulting, aborda questões relacionadas à logística reversa à luz da ideia de Economia Circular –conceito que ganhou destaque após o Fórum Econômico Mundial em Davos (2014), quando foi lançado o relatório “Towards the Circular Economy: Accelerating the scale-up across global supply chains”, elaborado em parceria pela Fundação Ellen MacArthur e pela consultoria McKinsey.

De acordo com o relatório, no futuro, o atual modelo produtivo, linear, que consiste em utilizar matérias primas da natureza como insumo, processá-las para, em seguida, descartá-los-, deverá ser substituído por uma nova economia circular e regenerativa, assim como acontecem nos ciclos da natureza. Mais uma vez, a logística reversa é peça chave fundamental nesse processo.

De maneira geral, a ideia de Economia Circular propõe que a logística reversa seja pensada de forma mais ampla dentro da cadeia de suprimentos de uma empresa, e que não esteja restrita apenas a ações de coleta de resíduos e reciclagem. A proposta é que as empresas invistam na criação de produtos mais inteligentes –bons para os consumidores, e também para a natureza- o que representaria um enorme salto competitivo e de performance. O exemplo da Natura, que incluiu em seu programa de logística reversa o investimento no design de um novo produto, com embalagem biodegradável, ilustra esse conceito.

A Endeavor é a organização líder no apoio a empreendedores de alto impacto ao redor do mundo. Presente em mais de 20 países, e com 8 escritórios em diversas regiões do Brasil.

Acreditamos que a força do exemplo é o caminho para multiplicar empreendedores que transformam o Brasil e por isso trazemos aprendizados práticos e histórias de superação de grandes nomes do empreendedorismo para que se disseminem e ajudem empreendedores a transformarem seus sonhos grandes e negócios de alto impacto.

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